Foto: Maxi Franzoi/AGIF

O Grêmio ganhou mais do que a liderança da Série B ao bater o CRB por 2 a 0 no último sábado, na Arena. Ganhou também um novo “camisa 10”. Ainda que não vista de fato esse número, João Paulo de Souza Mares, o Bitello, deixou de ser visto como mais uma volante no tripé de meio-campo e foi alçado de vez à condição de protagonista do time por Roger Machado. O treinador cobriu o jovem de elogios e explicou como vê a a função dele no time.

Aos 22 anos, Bitello tem sido um dos destaques do Grêmio na temporada com boas atuações e também gols. Contra o CRB, marcou o segundo do time e o terceiro dele no ano, em um belo chute de fora da área (reveja acima). O jovem foi fixado no time titular por Roger e até agora tem correspondido às expectativas, ainda que sua posição tenha sido motivo de debate.

Bitello chegou ao Grêmio do FC Cascavel como meia, mas foi convertido em volante durante um período na base gremista. Foi com esse rótulo que subiu ao elenco principal no início do ano e se tornou uma peça-chave no atual esquema do treinador, ao lado de Villasanti e Lucas Silva no tripé do meio-campo. Chamá-lo de volante, porém, não faz jus ao jogador, na opinião do técnico.

– Com todo respeito, você chamar um sistema com o Bitello de três volantes desce atravessado na garganta. Um jogador com a qualidade que ele tem. Eu já disse. Talvez vamos dar a camisa 10 para ele, daí pode ser que não enxerguem ele como volante. Ele é o meia do time. Com uma qualidade que poucas vezes vi jogador que nem ele. Está evoluindo – elogiou Roger após o jogo na Arena.

O técnico gremista fez um breve relato para ilustrar seu ponto de vista. Na semana passada, quando o Grêmio treinou nas instalações do Athletico-PR para enfrentar o Operário, Bitello reencontrou Gustavo Caiche, da comissão técnica time sub-20 do Furacão e que trabalhou com ele Cascavel. Roger disse que ouviu dele que Bitello foi usado até como ponta ou centroavante e que não entendia como o jogador era visto como volante em Porto Alegre.

– Ele (Bitello) não é volante. A qualidade que ele toca a bola, domina, dá de letra, chapéu, toca de calcanhar. Desculpe, é preciso se olhar diferente o futebol. Com todo respeito. Antes era mais fácil. Quando era de um a 11, se olhava o 8, o 5 e lá estava o volante. Hoje não tem número fixo, aí tem que se olhar pelo que ele faz em campo, as funções dele – complementou.

De fato, Bitello chegou ao Grêmio como um meia, após se destacar pelo Cascavel no Paranaense Sub-19. Na base gremista, porém, logo em seguida passou a ser utilizado como volante e foi titular nessa posição no time sub-20 em 2020, antes de ser promovido ao elenco de transição no ano seguinte. Esse recou no campo fez muito bem ao jogador.

Além da qualidade no passe e no chute, Bitello agregou ao seu repertório qualidades defensivas, como capacidade de preencher os espaços e ajudar na marcação. Os números estão aí para comprovar. Ele é o líder do Grêmio no quesito desarmes na Série B, com 16 no total, segundo os dados da TV Globo.

A entrega tática e capacidade física de Bitello também são fatores que chamam atenção. Segundo Roger Machado, o meia “não dosa” o esforço durante os jogos, atua os 90 minutos em uma intensidade muito alta. Isso é um dos aspectos que o técnico está trabalhando com o jogador para que ele evolua ainda mais.

Independente da função, as boas atuações renderam ao meio-campista a ampliação do contrato até 2025 – o anterior ia até 2023 –, além de uma valorização salarial. Questionado se já recebeu alguma sondagem pelo jogador e se o clube estava protegido nesse sentido, o presidente Romildo Bolzan afirmou que não está preocupado com isso no momento e que vê ainda mais potencial em Bitello.

– O Grêmio já valorizou o jogador. Jogador se valoriza na medida em que apresenta em campo o tamanho e a dimensão do que é como jogador de futebol. O Bitello fez isso. O Grêmio sempre teve essa sensibilidade. Quando comprova não só que é útil, mas que tem perspectiva de ser craque, o Grêmio valoriza – destacou o presidente.



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