O Grêmio jogará a fase de grupos da Libertadores pelo quinto ano consecutivo em 2020. O Grupo E da competição, sorteado na noite desta terça-feira, além da chance de Gre-Nal (veja abaixo) também traz velhos conhecidos do Tricolor na competição. Universidad Católica, do Chile, e América de Cali, da Colômbia, têm história com o clube gaúcho na Libertadores e são campeões nacionais em 2019.

“Os dois adversários são tradicionais. Este ano a Católica foi nosso adversária e ganhamos em Porto Alegre e perdemos no Chile. Tem tradição fantástica. América já foi algoz e disputante em 83 quando disputamos a final. O G4 é a perspectiva de Gre-Nal” (Romildo Bolzan Júnior, presidente)

Os dois rivais não apresentam grandes problemas de logística para o Tricolor. A Católica tem sede em Santiago, para onde o clube gaúcho já voou esse ano com avião fretado em deslocamento de cerca de três horas. Para Cali, a distância a ser percorrida é um pouco maior, com viagem de mais de 10 horas. Também há altitude de cerca de mil metros acima do nível do mar, mas nada que gere alterações significativas dentro de campo.

Confira abaixo a análise dos adversários do Grêmio:

Universidad Católica

Retrospecto recente

A Universidad Católica chega como atual bicampeã do Campeonato Chileno, suspenso por conta das manifestações políticas no país antes de chegar ao final. Teve uma ampla vantagem na liderança, de 13 pontos sobre o Colo-Colo, e não encontrou resistência dos maiores rivais. Assumiu a ponta na oitava rodada e não perdeu mais até o final as 24 partidas disputadas — foram 16 vitórias, cinco empates e só três derrotas.

Universidad Católica é proclamada campeã chilena de 2019 — Foto: Twitter/Universidad Católica

Universidad Católica é proclamada campeã chilena de 2019 — Foto: Twitter/Universidad Católica

Destaques

A equipe mantém uma base da equipe que disputou a Libertadores neste ano, embora vá perder alguns nomes. Cesar Fuentes já definiu a ida para o Colo-Colo, enquanto Edson Puch pode seguir o mesmo destino. Os nomes do meia Cesar Piñares, do goleiro Matías Dituro e do volante Luciano Aued são citados como os principais da Católica pelo jornalista Martín Browne, do El Mercurio. O elenco se reapresenta dia 26 de dezembro para começar a pré-temporada.

Onde joga

O Estádio San Carlos de Apoquindo, rodeado por montanhas da Cordilheira dos Andes, não será território novo para o Grêmio, que jogou no local em 2019 e não viu muita pressão da torcida chilena. O local comporta pouco mais de 14 mil pessoas.

San Carlos de Apoquindo Universidad Católica x Grêmio — Foto: Eduardo Moura

San Carlos de Apoquindo Universidad Católica x Grêmio — Foto: Eduardo Moura

Curiosidade

Depois do trabalho vitorioso de Gustavo Quintero, a Católica passa por um período de transição com a troca de treinador. Contratou recentemente o argentino Ariel Holán, que comandava o Independiente quando o Grêmio venceu a Recopa, em 2018. O time chileno esteve no grupo do Grêmio em 2019. Uma vitória para cada lado: 2 a 0 para o tricolor na Arena e 1 a 0 para os chilenos em Santiago.

Jean Pyerre e Luciano Aued em Grêmio e Universidad Católica — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Jean Pyerre e Luciano Aued em Grêmio e Universidad Católica — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Opinião do Especialista

Patricio Barrera, Rádio ADN

“O grande objetivo é a Copa Libertadores, uma competição que é importante pelo que é foi feito no torneio local. Católica quer consolidar as boas campanhas dos últimos dois anos, sendo campeão indiscutível do Chile. A tarefa é complicada, pelos poucos recursos e pela crise social que assola o país. Holan quer formar um plantel competitivo. Tem o objetivo de fazer uma boa Libertadores, passar de fase e ver até onde pode chegar com o novo treinador, que tem a dura tarefa de repetir as boas temporadas passadas.”

América de Cali

Retrospecto recente

O América de Cali voltou a ser campeão depois de 11 anos. Deste período, cinco anos amargados na segunda divisão colombiana. O ressurgimento do clube veio com a vitória por 2 a 0 sobre o Junior de Barranquilla, há 10 dias, e título do Clausura — o Junior foi o campeão do Apertura. As duas equipes se enfrentam para definir o grande campeão nacional, mas por conta do Pré-Olímpico, que será disputado entre 18 de janeiro e 9 de fevereiro na Colômbia, a partida deve ser em junho.

America de Cali foi campeão da Colômbia há alguns dias — Foto: Nelson Ríos/Liga Deportiva Postobón

America de Cali foi campeão da Colômbia há alguns dias — Foto: Nelson Ríos/Liga Deportiva Postobón

Destaques

O jornalista Camilo Lourido citou o meia Duvan Vergara como grande jogador da equipe, por sua qualidade para desequilibrar as defesas adversárias pelos lados do campo. O atacante Michael Rangel foi a principal figura na campanha do título, mas não permanecerá. Conforme adiantou Túlio Gómez, maior acionista do América, há propostas na mesa pelo jogador.

Onde joga

O América manda seus jogos no Estádio Pascual Guerrero, inaugurado em 1937 e reformado em 2010, que pertence à cidade. Tem capacidade para 36 mil pessoas, segundo consta no site do clube, e será um dos palcos da Copa América do próximo ano. O local é compartilhado com clubes de Cali da segunda divisão.

Estádio Pascual Guerrero, do América de Cali, da Colômbia — Foto: Divulgação/América de Cali

Estádio Pascual Guerrero, do América de Cali, da Colômbia — Foto: Divulgação/América de Cali

Curiosidade

O América é comandado por um brasileiro. Trata-se de Alexandre Guimarães, naturalizado costarriquenho e técnico da Costa Rica nas Copas do Mundo de 2002 e 2006. O time colombiano também já cruzou o caminho gremista em outros anos. Em 1983, foi superado pelo Tricolor na semifinal, enquanto eliminou os gremistas na mesma fase em 1996.

Alexandre Guimarães no comando da Costa Rica — Foto: Gettyimages

Alexandre Guimarães no comando da Costa Rica — Foto: Gettyimages

Opinião do especialista

Camilo Lourido, portal Semáforo Esportivo

“América chega a Libertadores depois de 11 anos, cinco deles na segunda divisão. É o ressurgimento da equipe. Chega motivado por voltar a um torneio que jogou quatro vezes a final e não ganhou. A defesa é um dos pontos mais fortes que tem, foi muito difícil fazer gols no time nos últimos quatro jogos do campeonato. É uma equipe irritante, dessas difíceis de fazer gols como visitante e que em casa faz o possível para limitar o rival. Penso que é um grupo títupo de Libertadores, onde há um favorito, o Grêmio, e equipes que querem fazer história, como Católica e América. Acho que o quarto rival vai ser o Internacional e isso fará o grupo ser mais complicado”.

O quarto elemento

O Grêmio aguarda a definição do quarto integrante do Grupo E, que pode inclusive ser o seu maior rival, o Inter. O Colorado encara Unión Española ou Universidad de Chile e, se passar, enfrenta o vencedor de Macará-EQU e Tolima-COL.



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