Porthus Junior / Agencia RBS

O alto desempenho do ataque do Grêmio no início de 2019 é inquestionável: são 21 gols em sete jogos, com média de três por partida. Mas basta olhar para a defesa para perceber que as coisas também correm muito bem por lá. Até agora, o time foi vazado só uma vez, em gol de falta, no empate em 1 a 1 contra o Aimoré, em São Leopoldo, no qual Renato Portaluppi usou equipe reserva.

— Desde o ataque até a defesa, temos um sistema de jogo — comentou Paulo Miranda, presente em seis jogos, sendo o zagueiro mais utilizado nesta temporada.

O próprio Paulo Miranda é um dos motivos do sucesso defensivo. Contratado do Red Bull Salzburg, da Áustria, no início de 2018, ele não conseguiu fazer uma preparação ideal no ano passado.

— Quando cheguei, fui direto para as partidas. Neste ano, pude realizar a pré-temporada e já conhecia todos os jogadores. Nós temos excelentes zagueiros, que são Kannemann e Geromel, mas estou fazendo meu trabalho e, sempre que o professor precisar, estarei à disposição — explicou Miranda.

Coincidentemente ou não, a linha defensiva à frente do gol foi o único setor do Grêmio que não sofreu alterações na janela de transferências. Se a diretoria buscou o goleiro Júlio Cesar para suprir a saída de Marcelo Grohe, trouxe Rômulo e Montoya para o meio-campo e Felipe Vizeu e Diego Tardelli para o ataque, os laterais e zagueiros seguem os mesmos. Eles formam um paredão bastante entrosado. Prova disso é o jogo contra o Brasil-Pel, no Bento Freitas, no qual o goleiro não foi exigido e só saiu debaixo das traves para fazer pequenas intervenções.

— O segredo do Grêmio nos últimos anos é a continuidade de uma espinha dorsal. Não tenho dúvidas de que o entrosamento nos ajuda a manter uma boa postura defensiva. Nós fomos atrás de reforços, como o Adriano (lateral-esquerdo do Besiktas-TUR), mas para compor o grupo. Temos bons jogadores, não precisa ir correndo ao mercado — avalia o diretor de futebol Alberto Guerra.

Em início de temporada, os adversários do Grêmio no Gauchão não exigem tanto quanto os que o time irá encontrar em Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Ainda assim, a regularidade da defesa da equipe de Renato se consolidou ao final de 2016 e manteve o alto nível nos últimos dois anos. A zaga titular, formada por Geromel e Kannemann, foi vazada pela última vez em 6 de outubro, no empate em 2 a 2 contra o Bahia, na Arena, pela 28ª rodada pelo Brasileirão. Além disso, desde 21 de novembro, na derrota por 2 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, o time não sofre gols com bola rolando.

— A individualidade é importante, mas o conjunto é essencial. A marcação começa lá na frente, com os atacantes cercando e um meio-campo combativo. Assim, quando a bola chega na defesa, há um pouco mais de facilidade para o desarme. Até por isso, o Grêmio poucas vezes sofre gols em jogadas de contra-ataque — acrescenta Guerra.

O paredão gremista se mantém de pé independentemente de quem entra em campo. Seja com Leonardo, Léo Moura, Bruno Cortez ou Juninho Capixaba nas laterais ou com Geromel, Kannemann, Paulo Miranda ou Marcelo Oliveira na zaga. Os defensores do grupo de Renato sabem o que fazer para evitar gols.



Veja também