O futuro do Grêmio nos próximos anos será decicido nesta semana. No sábado, os associados irão eleger o novo presidente do clube para o triênio 2023-2025. De um lado, Odorico Roman, o candidato da Chapa 1. Do outro, Alberto Guerra, da Chapa 2. Ambos foram aprovados na eleição no Conselho Deliberativo e vão disputar o segundo turno no pleito entre os torcedores.

Para ajudar o torcedor gremista a escolher o seu candidato favorito, o ge entrevistou os dois concorrentes e apresenta as principais propostas de cada um. Com ambos foram tratados os mesmos assuntos. Negociação com Renato, novo departamento de futebol, reformulação do elenco, futebol feminino e SAF foram alguns dos temas abordados. Confira abaixo as íntegras das entrevistas em podcast e os principais trechos em texto.

Ouça a íntegra das entrevistas com Alberto Guerra e Odorico Roman:

Odorico Roman e Alberto Guerra, candidatos a presidente do Grêmio — Foto: Luciano Amoretti/Grêmio

Odorico Roman e Alberto Guerra, candidatos a presidente do Grêmio — Foto: Luciano Amoretti/Grêmio

Confira o que pensam os candidatos sobre alguns temas:

Renato será o técnico em 2023?

Alberto Guerra (Chapa 2)
“É o favorito. Acho que ele pode nos ajudar muito nessa reconstrução que o Grêmio precisa. Falo com ele diariamente e a ideia é acertar com ele o mais rápido possível para que a gente possa ir atrás dos reforços. Eu estava no Rio um mês antes desse retorno dele e mostrei nosso projeto, as pessoas com quem eu gostaria de contar nos cargos executivos do Grêmio. Ele se mostrou empolgado. Embora a parte financeira seja importante, o que tratamos muito é a política, de como a coisa vai andar para que a gente consiga implementar esse DNA de futebol no Grêmio. Ele sabe respeitar a hierarquia. Tendo as pessoas corretas ao lado dele, vai poder cuidar daquilo que ele mais sabe. As declarações dele, da profissionalização, vêm ao encontro das ideias que tenho tratado com ele.”

Odorico Roman (Chapa 1)
” Conheço o Renato, sei das condições que o Renato precisa para trabalhar e para render e, por isso, é uma opção boa. Está no Grêmio e vamos renovar com ele. Conversei com o Renato pessoalmente, converso com ele pelo telefone, trocamos algumas impressões sobre o grupo do Grêmio, falamos sobre alguns jogadores. Agora, a questão salarial, do contrato do Renato, é sempre tratada com o seu empresário e é com ele que estamos conversando. O segredo para trabalhar com o Renato é dar ótima estrutura de trabalho para ele e aí vai render no campo o que esperamos que ele vai render.”

Departamento de futebol

Alberto Guerra
“Já temos o nome do executivo de futebol, do gerente, estamos atrás de um auxiliar permanente do clube. Independente do treinador. Obviamente, precisamos ter executivos. A profissionalização passa por ter pessoas capacitadas e que possam tomar decisões. Que podemos cobrar delas. Não podemos ficar refém de um abnegado que toma uma série de decisões, aí sai, entra outro e toma outra série de decisões. Posso assegurar que é um dos melhores do Brasil (sobre o diretor executivo), senão o melhor.”

ge – Rodrigo Caetano é uma possibilidade?
“É um excelente nome. O que queremos é pessoas top. Não adianta colocar um executivo de futebol que não pode tomar decisões e a decisão é tomada por outra pessoa que nem no CT está. Isso aconteceu muito nos últimos anos. A gente entende que o executivo de futebol tem que gerir. Obviamente vai ser cobrado pelo CEO, pelo Conselho de Administração, e ele tem que gerir as coisas do clube.”

Rodrigo Caetano, diretor de futebol do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

Rodrigo Caetano, diretor de futebol do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

Odorico Roman
“Vamos profissionalizar o departamento de futebol com profissionais competentes, de mercado, vamos trabalhar fortemente na área administrativa do Grêmio. Teremos o vice de futebol, ele poderá escolher um ou dois diretores para trabalhar com ele. Teremos um executivo de futebol, a comissão técnica composta pelo treinador, treinador de goleiros, auxiliar, teremos uma comissão técnica permanente do Grêmio, com preparação física. Nós entendemos que um departamento de futebol muito inchado é contraproducente, não funciona.”

ge – Os nomes de Alexandre Mattos e Paulo Pelaipe agradam?
“São nomes de pessoas que têm experiência no futebol, que conhecem e são nomes importantes. Mas não vou adiantar nada porque precisamos primeiro ganhar a eleição, depois trabalhar outras questões que são estruturais do departamento de futebol.”

Alexandre Mattos foi diretor de futebol do Atlético em 2020 — Foto: Divulgação/FGM

Alexandre Mattos foi diretor de futebol do Atlético em 2020 — Foto: Divulgação/FGM

Reformulação do elenco

Alberto Guerra
“Precisa de uma grande reformulação. Não é nem dito por mim. É dito pelo treinador, pelos jogadores em Recife, após a classificação. Mas isso vai ser feito na medida do possível. Isso não tem margem de erro, a gente não consegue contratar 15 jogadores numa tacada só. Acredito que rapidamente a gente precisa de uns 7 ou 8 reforços. Mas ao longo do Campeonato Gaúcho provavelmente virão outros e no início do Brasileiro virão outros ainda, que daria um número maior. A situação financeira é ajustada. É preciso ter criatividade. A ideia de fazer do Grêmio o mais próximo de uma empresa privada, com metas, de modo que se torne atrativo para alguns investidores. Temos visto uma boa receptividade. Se nós nos elegermos, teríamos investidores para nos ajudar no começo, na contratação de algum jogador.”

Odorico Roman
“Penso que o grupo precisa ser bastante mexido. Até porque nós temos uma informação que temos 77 jogadores com mais de 20 anos ou mais sob contrato no Grêmio. Obviamente que isso representa custo. Claro que tem jogadores que podem ser aproveitados. Temos no final do ano em torno de 20 a 25 jogadores que terminam o contrato, mas alguns desses serão renovados. Então teremos um grupo grande de jogadores sob contrato no Grêmio que precisarão ser administrados, verificar o que fazer com esses jogadores. O Grêmio não pode ter essa quantidade de jogadores que acabam aumentando as despesas. Temos a folha de rescisões que precisamos ter conhecimento desse valor para, aí sim, saber a quantidade de jogadores que poderemos contratar. Mas na minha avaliação, serão muitos.”

Futebol feminino

Alberto Guerra
“Gosto dessa discussão porque é a primeira eleição que se fala em futebol feminino. Porque surgiu nesses oito anos do Romildo como uma obrigação, imposta para quem quer jogar a Libertadores. Isso vai passar a ser pauta e essa pressão boa vai fazer com que os candidatos invistam no futebol feminino. Eu tive a oportunidade de ver um jogo da semana passada em Gravataí, no Vieirão, e fiquei assim: ‘Essas meninas merecem uma estrutura melhor’. Dizer que vamos investir mais é óbvio, isso já é promessa de campanha. Mas mais que isso é infraestrutura. Dar equipamentos adequados, uma infraestrutura em que elas possam desenvolver melhor o trabalho delas (…) O futebol feminino precisa ser tratado como um produto diferente do futebol masculino. É futebol, obviamente, mas tem suas características para que ele possa também ser lucrativo. O Corinthians hoje investe R$ 1 milhão por mês no futebol feminino e já tornou esse departamento autossustentável.”

Odorico Roman
O futebol feminino nos permite desenvolver o raciocínio da diferença dos planos de gestão da Chapa 1 para a outra chapa. No nosso plano de gestão, que foi lançado lá atrás, o futebol feminino tem um ponto de destaque. Falamos que o futebol feminino teria mais investimento, defendemos isso de uma forma muito firme e consistente. O planejamento quando é feito precisa ser feito por pessoas que enxergam o todo e, a partir do todo, começa a estabelecer as metas, as diretrizes para cada área do clube e nós enxergamos o futebol feminino quando pensamos o Grêmio. A outra chapa, se pegar o plano de gestão, não tem uma citação ao futebol feminino, significa que não pensou o clube como um todo. Agora, no decorrer das conversas, dos debates, parece que acordaram, viram que existe o futebol feminino e começaram a valorizar. Posso te dizer com tranquilidade que o futebol feminino sempre esteve na nossa pauta. Tenho dito desde o início dessa caminhada que vou aumentar o investimento no futebol feminino do Grêmio, vamos aumentar o orçamento. A coisa mais fácil que tem é aumentar o investimento no futebol feminino, porque ele é tão insignificante comparado com o orçamento do Grêmio, que vamos no mínimo triplicar o orçamento e vamos passar a disputar títulos mais importantes do que o que ganhou ontem (Gauchão).

Gremio campeao Gauchao Feminino — Foto: Maxi Franzoi/AGIF

Gremio campeao Gauchao Feminino — Foto: Maxi Franzoi/AGIF

Departamento médico

Alberto Guerra
“Esse é um projeto bastante interessante que nós temos. A gente pretende alterar o que hoje é conhecido como departamento médico, para um departamento de Ciência, Saúde e Performance. Deixar aquele feudo de que o médico era o rei do feudo e abordar numa forma mais horizontal e integrada. E aproximar a ciência do Grêmio. É um projeto assinado por grandes médicos. A gente deu a vice-presidência para o doutor Gustavo Bolognesi, que é um dos que estão assinando esse projeto, até para poder dar respaldo e a gente poder melhorar essa questão. Os médicos e até os atuais que estão lá são mais vítimas de uma infraestrutura arcaica do que problema. Não basta simplesmente reorganizar o organograma e as casinhas, a gente precisa investir em infraestrutura. Infraestrutura é equipamentos de prevenção, equipamentos na cura e até talvez de construir. Algo que eu tenho dito bastante são os alojamentos. Para você ter o atleta em dois turnos, precisa ter uma área de descanso.”

Odorico Roman
“A impressão que a gente tem é que o departamento médico do Grêmio não acompanhou as evoluções da área médica desportiva. O Grêmio precisa procurar novas tecnologias, novos tratamentos, protocolos, profissionais que conheçam essas melhorias que houve no mundo desportivo, na área médica, e trazer esse conhecimento para dentro do Grêmio. E tem que ser uma coisa muito rápida, o Grêmio não tem tempo para desenvolver uma escola lá dentro para aí descobrir um novo tratamento, um novo equipamento. Já existem no mercado clubes de futebol no mundo e no Brasil que já têm equipamentos que aceleram a recuperação de jogadores. Esse conhecimento já existe e não precisa ser reinventado. E nós vamos trazer isso para dentro do Grêmio e vamos melhorar as condições da área médica do Grêmio”.

Relação com a Arena

Alberto Guerra
“Primeiro, independente de quem tem a gestão, é inadmissível o que está acontecendo. De qualquer forma, temos que resolver esse problema. É inadmissível o que aconteceu no Gre-Nal (feminino). Era 25 minutos de jogo, já estava 3 a 0 e tinha uma fila gigantesca para entrar no estádio e para comprar ingresso lá embaixo. Uma das causas é que durante os últimos oito anos da atual gestão se falou em comprar a Arena. E muitas vezes esse assunto surgia nas horas de eleição. Ter um sócio toda hora dizendo que vai me comprar, acaba que ele deixa de investir no negócio. O site é muito ruim para comprar. Muitas vezes que vou com minhas filhas no estádio, compro em outras áreas, porque comprar no site é terrível, fisicamente também. O que eu escuto do outro lado: ‘Como vou investir, melhorar, se eu não sei se vou estar aqui no mês que vem? Eu não consigo vender um espaço publicitário, porque quem quer patrocinar não sabe se é com o Grêmio que tem que tratar, se é com a Arena’. Então independente com quem fique a administração, a gente tem que resolver esse problema do torcedor. Estamos afastando ele do estádio, estamos afastando a possibilidade dele se tornar sócio, a experiência no entorno é muito ruim. Deixam os ônibus longe da Arena. De noite é inseguro, não tem iluminação. Temos uma proposta para que cerca de 25 ônibus fiquem num lugar iluminado para deixar as pessoas perto do estádio”.

Odorico Roman
“A chapa 1 apresentou um plano de gestão cujo os pilares são futebol e torcida, porque sabemos da importância da torcida dentro de um clube de futebol e sabemos das carências que a relação Grêmio e torcida apresentam e que nós vamos melhorar. Já na outra chapa, a torcida é uma citação no rodapé da página. Recentemente descobriram que a torcida é importante, que tem dificuldades e passaram a divulgar opiniões e ações. Mas quando se pensa no clube como um todo, a torcida não teve a importância que ela efetivamente tem. Vamos cuidar da relação da torcida com a Arena conversando com a Arena Porto Alegrense, tentando melhorar procedimentos, conversando com autoridades em relação a biometria. O que é preciso mudar, o que é possível mudar para que não haja transtornos em jogos com grande público e, a partir daí, melhorar a condição de acesso do torcedor ao estádio. Do ponto de vista de comprar a Arena, essa expressão é exagerada. A Arena tem dois pontos importantes para se abordar que é a propriedade da Arena que devia ser do Grêmio, deveria estar registrada, e não está. Por culpa da OAS que não cumpriu com sua parte no contrato e o Grêmio não teve condição de fazer a troca do Olímpico pela a Arena e registrar a Arena em seu nome. Isso é importante que temos que tratar e resolver. A promessa que eu posso fazer é que não é que eu vou comprar a gestão da Arena, mas eu não vou desistir de buscar que o Grêmio tenha plena gestão da Arena, do estádio, para fazermos as ações possíveis e que vão alavancar receitas do Grêmio, vão melhorar o acesso do torcedor e vão fazer com que a torcida se sinta mais pertencente ao público do que são.”

SAF

Alberto Guerra
“Objetivamente, não venderei o Grêmio. Não sou a favor da SAF no Grêmio. Acho que a SAF foi criada para os clubes que estavam em estado praticamente falimentar. Quem fez uso rapidamente disso foram esses clubes. Cruzeiro, Botafogo, Vasco. Que estavam com uma situação financeira caótica. O Bahia entrou, mas não sei a situação financeira do Bahia. Não sei se é porque acreditam nesse tipo de negócio. Mas ela foi criada basicamente para atender esses clubes, que se não fizessem corriam o risco de fechar as portas. Acho que o Grêmio não tem nem cultura para isso. Somos um clube associativo, participativo. Os sócios se manifestam em movimentos. Não consigo imaginar o Grêmio com dono.”

Odorico Roman
“É uma onda forte que vem vindo. Os clubes vão se fortalecer, vai haver investimentos fortes. Mas o meu ponto de vista é que o Grêmio mantenha o modelo associativo. Porém, sendo administrado como se fosse uma SAF, com profissionais de primeira linha, que é a forma que um clube, no modelo que nós entendemos adequado para o Grêmio, fazer frente a essa onda, que será uma onda de muito investimento.”



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