(Morgana Schuh / Grêmio FBPA)

A derrota por 5 a 0 na primeira decisão contra o Palmeiras, pelas quartas de final, praticamente encerra a participação do Grêmio neste Brasileirão Feminino. O panorama diante do clube de melhor campanha já traz análises sobre as mudanças que precisam ser feitas para tornar o grupo gremista mais competitivo. Na sequência da temporada, há a disputa do Gauchão Feminino.

Na avaliação da técnica Patrícia Gusmão, o gol logo aos dois minutos trouxe dificuldades maiores. Com o cenário de 3 a 0 só no primeiro tempo, o time precisou avançar ao ataque e, como consequência, deu ainda mais espaços que foram aproveitados pelo adversário.

— Sabíamos que seria uma partida difícil, contra um adversário que tem muita qualidade. Nos surpreendemos com o gol muito cedo, o que atrapalhou muito o nosso objetivo dentro do jogo. Tivemos que sair para o jogo e demos mais espaços, isso tornou a partida mais complicada — apontou a treinadora das Gurias Gremistas.

Durante os últimos meses, a situação de baixas foi o principal problema do grupo. Além das atletas convocadas para a seleção sub-20, Pati Maldaner, Rafa Levis e Luany, a lista do departamento médico aumentou. Além da baixa de Pri Back por lesão ligamentar, a atacante Gabizinha, que seria opção para o setor ofensivo, teve o ligamento cruzado anterior do joelho direito rompido durante o jogo contra o Corinthians. O tempo de recuperação é estimado em nove meses.

Antes da partida contra o Palmeiras, Patrícia Gusmão ainda perdeu Jéssica Penã, titular, em virtude de dores musculares. O desfalque de última hora trouxe necessidade de reposição. No entanto, o grupo está reduzido e o banco de reservas tem sido predominantemente de jovens, algumas que estão ganhando chances como profissionais, pela primeira vez. O maior exemplo esteve presente na última rodada, diante do Corinthians, quando a atacante Dani Ortolan era a única mais experiente entre as 10 opções.

Diante de tantos problemas no jogo de domingo, o feito mais comemorado foi de ter atuado no gramado da Arena, diante de mais de mil torcedores. Esta foi apenas a segunda vez que o time feminino atuou no estádio principal.

— Sem muitas jogadoras, sabíamos que seria difícil. Tivemos muitas dificuldades. Agora temos que trabalhar para ir para este segundo jogo e competir. Junto com o nosso torcedor, nós almejamos coisas maiores — destacou Gusmão.

Morgana Schuh /Grêmio FBPA
Gurias Gremistas atuaram uma partida na Arena pela segunda vezMorgana Schuh /Grêmio FBPA

O que vem na sequência da temporada

Ainda em 2022, o Grêmio terá a disputa do Gauchão Feminino, que tem a primeira fase sendo disputada apenas pelos times do interior. A última conquista do clube foi em 2018 e, desde então, perdeu as decisões em sequência para o Inter. A segunda fase deve iniciar em setembro.

Apesar dos contratos em vigor, não está descartado que alguma das atletas possa deixar o clube antes. Lorena, campeã da Copa América com o Brasil e a melhor da posição, já vem despertando interesse de outros clubes. A goleira tem contrato até 2023.

A atual situação de investimentos pode ser uma barreira para garantir as manutenções do elenco.  Conforme trouxe a reportagem de GZH, com a queda do clube para a Série B do Brasileirão masculino, os setores passaram por readequações, e a possibilidade de um aumento nos investimentos precisou ser congelada. Hoje, a modalidade feminina possui um orçamento mensal com vencimentos das atletas em R$ 120 mil (cerca de R$ 1,59 milhão anual). 

O maior exemplo está no início desta temporada quando o clube passou por uma reformulação após a saída de 16 jogadoras do elenco de 2021. O grupo de 25 atletas foi montado com a chegada de 10 novas contratações.

— Pelo tamanho do Grêmio, merecemos dar um passo à frente. É difícil em um ano conturbado para o clube, mas esperamos mais investimentos para o próximo ano para que a gente consiga os títulos que o torcedor merece — avaliou a comandante gremista.



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