Foto: Marcos Ribolli/ge

O empate com o Fortaleza deixou um sabor amargo para a torcida, mas o Grêmio mantém viva a esperança de poder conquistar o Campeonato Brasileiro. O Tricolor iniciará diante do Palmeiras na próxima sexta-feira (15) uma sequência de quatro confrontos diretos com postulantes ao título. Depois dos paulistas, irá encarar Atlético-MG e Flamengo em partidas nas quais as estratégias do técnico Renato Portaluppi serão fundamentais para o clube seguir na briga pelo tri.

A longevidade incomum para um treinador no futebol brasileiro que Renato alcançou no Grêmio talvez seja explicada pela capacidade de adaptação que o treinador demonstrou ao longo dos últimos quatro anos. Após ter o futebol propositivo de alta posse de bola como marca nas conquistas da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017, o Tricolor acostumou-se a jogar de outras maneiras em tempos recentes. Isso ficou mais claro nesta temporada.

Mesmo antes da parada no futebol por conta da pandemia de coronavírus, o Grêmio abriu mão de tentar ter o controle da bola nos primeiros Gre-Nais de 2020. Isso seguiu sendo adotado por Renato Portaluppi em momentos específicos e teve como principal destaque a partida contra o São Paulo, no Morumbi, para obter a classificação para a final da Copa do Brasil.

— Em vários momentos desse trabalho, o Renato tendeu a uma opção mais conservadora em jogos complicados. Aconteceu isso lá naquele confronto com o River (na Libertadores de 2018) e tem aparecido nesta temporada. Ele mantém a ideia de poder jogar com a bola, mas é híbrido. Embora tenha meias passadores e atacantes centrais menos móveis, possui jogadores de lado com velocidade para atacar o espaço. O tempo de trabalho dá margem para ele poder equilibrar isso — observa Carlos Eduardo Mansur, colunista de O Globo.

Curiosamente, o Grêmio teve ampla posse de bola contra o Santos na Libertadores quando acabou eliminado sendo inferior ao Peixe nas duas partidas. Já a maneira de jogar com menor posse adotada na Copa do Brasil diante do São Paulo se repetiu nos últimos jogos do Brasileirão mesmo contra adversários da parte da tabela como Atlético-GO, Bahia e Fortaleza.

Analista tático do UOL, Rodrigo Coutinho acredita que Renato vem adotando essa estratégia porque tem encontrado dificuldade fazer seu time superar adversários tendo o controle a partir da posse de bola.

— Aquilo que a gente viu no Grêmio de 2016 e 2017 tinha resquício do que o Roger deixou. O Renato em nenhum outro clube fez um trabalho com característica daquele Grêmio de 2016 e 2017. O Renato verdadeiro é o de 2016 e de 2017 ou é aquele de antes e que agora também usa o contra-ataque? Essa é uma resposta que talvez só iremos ter quando ele deixar o Grêmio e assumir outro clube. O Renato é bom treinador, sabe mexer com a estratégia e consegue melhorar os jogadores. Ele tem vários méritos, mas penso que falta repertório ofensivo para ele às vezes — analisa.

Nessa versão 2020 em que Renato monta as estratégias jogo a jogo e de acordo com o adversário, o Grêmio deverá ter propostas diferentes nesses quatro confrontos diretos com times do G-6. Independente da forma de atuar, a torcida espera por uma boa sequência de resultados para seguir com motivos para acreditar no tri do Brasileirão.

Os últimos cinco jogos do Grêmio

Grêmio 1 x 0 São Paulo (Copa do Brasil)

  • Posse: Grêmio 31% x 69% São Paulo
  • Finalizações: Grêmio 2 x 11 São Paulo

Grêmio 2 x 1 Atlético-GO (Brasileirão)

  • Posse: Grêmio 45% x 55% Atlético-GO
  • Finalizações: Grêmio 10 x 9 Atlético-GO

São Paulo 0 x 0 Grêmio (Copa do Brasil)

  • Posse: São Paulo 69% x 31% Grêmio
  • Finalizações: São Paulo 12 x 7 Grêmio

Grêmio 2 x 1 Bahia (Brasileirão)

  • Posse:  Grêmio 49% x 51% Bahia
  • Finalizações  Grêmio 11 x 17 Bahia

Fortaleza 0 x 0 Grêmio (Brasileirão)

  • Posse: Fortaleza  54% x 46%  Grêmio
  • Finalizações: Fortaleza  14 x 11  Grêmio

Fonte: Sofascore



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