Vitor Silva / Botafogo

O Grêmio segue no mercado em busca de um centroavante, mas, para os lados do campo, o técnico Renato Portaluppi não tem do que reclamar. Depois de promover a estreia de Everton no empate com o Vasco, no fim de semana, o treinador passará a contar com outro jogador da mesma característica: Luiz Fernando.

A contratação foi anunciada ainda no sábado (22), com o Tricolor acertando seu empréstimo junto ao Botafogo, mediante o pagamento de R$ 1 milhão. Mas quem é este novo reforço gremista?

— No Botafogo, ele sempre conviveu com a pressão da torcida, que sempre pegou no pé dele. Nunca foi unanimidade. Quando foi adquirido, o Botafogo fez um investimento alto e se esperava um pouco mais do seu futebol. Agora existe até uma certa polêmica. Muita gente criticou sua saída, pelo fato de ter enfraquecido o elenco, mas a diretoria justificou que precisava do dinheiro — explica Thiago Veras, repórter da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

Natural de Tocantinópolis-TO, o atacante foi revelado como profissional vestindo a camisa do Atlético-GO, sendo um dos destaques da equipe que conquistou a Série B em 2016. No total, de 2015 a 2017, disputou 93 jogos, marcando 19 gols.

— Ele chegou para o time sub-20 do Atlético-GO e teve uma ascensão rápida. Na campanha do título da Série B, era o 12º jogador. O apelido dele era talismã, porque entrava no segundo tempo e fazia muitos gols, inclusive em clássicos. Também fez um dos gols na conquista do acesso, contra o Londrina, no Paraná. Em 2017, foi um dos principais jogadores do elenco ao lado de Jorginho e Everaldo. Aqui, ele jogava mais centralizado, como meia-atacante. Chuta bem de média distância, tem boa velocidade, boa criatividade e oportunismo — descreve Juliano Moreira, repórter da Rádio Sagres, de Goiânia.

No Rio de Janeiro, porém, as coisas não aconteceram como se imaginava. O garoto teve até mais tempo em campo, completando 120 partidas, mas balançou as redes apenas 12 vezes. O último gol, aliás, foi marcado em sua despedida com a camisa botafoguense, na vitória sobre o Atlético-MG, pela quarta rodada do Brasileirão.

— Teve um primeiro impacto muito bom no Botafogo. Foi importante na conquista do Campeonato Carioca de 2018, fez gols em clássicos decisivos e foi uma das figuras centrais do título. Mas se machucou na final contra o Vasco, ficou um tempo fora e não conseguiu repetir o mesmo nível. Ele é marcado pela inconsistência dentro das próprias partidas. Em um minuto, consegue fazer uma jogada em que dribla três jogadores e, no minuto seguinte, erra um passe fácil ou se confunde com a bola. Mas ele foi muito útil, até mesmo em 2020. É muito bom na recomposição tática, muito veloz e incomoda os zagueiros na pressão. O principal problema do Luiz Fernando, na minha opinião, é a tomada de decisão. Por vezes, chega na linha de fundo, mas toca em um jogador que está marcado — avalia o setorista do jornal Lance!, Sergio Santana.

Prestes a completar 24 anos de idade, em outubro, o atacante desembarca em Porto Alegre para tentar desenvolver seu melhor futebol, brigando pela titularidade, a princípio, com Alisson e Pepê. Porém, não se surpreenda se ele aparecer em outras áreas do campo.

— É um jogador rápido, com uma certa qualidade técnica e que está sempre buscando a finalização. Costuma jogar pela direita, mas pode fazer uma função de ala se algum dia o Renato quiser jogar com três zagueiros. Ele já fez essa função algumas vezes no Botafogo. Mas é um atacante de velocidade — indica Thiago Veras.



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