Foto: Lucas Uebel/Grêmio

A segunda rodada da Série B aparece com os clichês do futebol para o Grêmio. As máximas de que “gol de bico também vale” e “quem não faz leva” já são surradas, mas os problemas da equipe de Roger Machado soam tão óbvios quanto as expressões populares.

A derrota por 1 a 0 para a Chapecoense na noite de sábado, em plena Arena, põe em xeque o sistema ofensivo do time. Especialmente na hora dos chutes ao gol rival.

Não é em abundância, mas o Grêmio tem criado oportunidades. Contra a Chape, foram 19 finalizações, cinco destas bloqueadas e outras nove para fora. Restam, portanto, cinco defendidas pelo goleiro Vagner.

O ataque do Grêmio não balança as redes há cinco jogos. Coincidência ou não, o último gol de um jogador do setor saiu dos pés de Diego Souza, hoje desfalque, na vitória por 3 a 0 no Gre-Nal da semifinal do Gauchão. E de pênalti.

Desde então, Lucas Silva, Rodrigues e Bruno Alves anotaram os gols da equipe nas duas partidas da final do estadual contra o Ypiranga.

Na sequência, o Tricolor passou em branco no começo da Série B: empate em 0 a 0 contra a Ponte Preta – com direito a pênalti perdido – e derrota por 1 a 0 para a Chapecoense. A seca em dois jogos seguidos é inédita na temporada.

Contra a Chape, baixo poder de fogo

O Grêmio começou o duelo diante da Chapecoense com uma grande chance. Ferreira ficou de frente para o gol, mas parou em Vagner após passe de calcanhar de Bitello. Campaz ainda perderia uma oportunidade de finalização também de cara para a meta.

Mais à frente, Elias cabeceou para fora quase na pequena área. Ferreira arriscou de fora de longe mais duas vezes, assim como Campaz e Edilson fariam na etapa final.

Fomos muito criativos. Nossa dificuldade sobretudo foi na zona de definição.
— Roger Machado, técnico do Grêmio

O volume gremista até tem aparecido, embora possa se cobrar mais de um elenco com custo alto e nomes renomados. Roger argumentou que o time do primeiro tempo, com Villasanti, Lucas Silva e Bitello, foi o que mais criou. E é verdade.

Mas também não se pode ficar satisfeito com apenas três chances claras de gol por partida. O meio-campo gremista pode, se mantiver a nominata, ter um rendimento melhor. Porque até agora ainda é insuficiente.

Cada um do trio de ataque formado por Campaz, Ferreira e Elias teve uma oportunidade real de balançar as redes. No total, Campaz finalizou quatro vezes, e Ferreira, três, em situações menos perigosas. Matheus Bianqui precisou de um só chute na área gremista para mexer no placar.

Tivemos três ou quatro oportunidades e não matamos. O Roger explica, antes do jogo comentou: “vamos sair matando, fazer o gol de qualquer jeito, de bico também vale”. O que aconteceu? Jogadinha bonitinha novamente, insegurança na hora de definir – reclamou o vice de futebol Denis Abrahão.

Necessidade de resposta contra o Guarani

Ferreira ainda não tem gol nem assistência no ano, apesar de ser considerado um dos principais jogadores do elenco por suas qualidades na ponta esquerda. Campaz fez dois gols e duas assistências, mas não marca nem serve os companheiros há um mês.

Ainda que possa ter ajustes na criação, o trio ofensivo acaba no centro da discussão especialmente por conta dos dois primeiros jogos da Série B. Contra a Ponte Preta, é bom lembrar, o roteiro foi semelhante. O time criou oportunidades e as desperdiçou em sequência.

Para a próxima quinta-feira, o Grêmio já entra em campo diante do Guarani, novamente na Arena, com uma pressão um pouco maior. Soma apenas um ponto, cinco abaixo da projeção inicialmente feita para a arrancada na Série B.

E revive todo o clima de inconstância a cada resultado ruim. Um exagero, já que é evidente que todos irão ganhar e perder. Mas os gaúchos precisam rapidamente vencer para se estabilizar na busca pelo acesso.



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