A ida à praia para um mergulho no mar do Rio de Janeiro movimentou o início de semana do Grêmio — e de Renato Gaúcho. O ídolo e treinador segue longe de Porto Alegre, em casa, por uma série de fatores para minimizar os riscos à sua saúde após duas intervenções feitas no coração. A explicação é de um dos médicos pessoais do comandante gremista.

Leandro Zimerman esteve envolvido nos dois procedimentos feitos pelo técnico para corrigir uma arritmia no coração, o último em janeiro deste ano. Há cerca de dois meses, foi consultado sobre a situação pelo Grêmio e seu corpo médico, responsáveis pela decisão final. Foi quando ficou-se definido a permanência do treinador no Rio.

“A situação do Renato é intermediária, se é possível caracterizar. Idade limítrofe, já teve arritmia, fez dois procedimentos invasivos. Até por ser doença nova, não temos um número, mas é de risco intermediário. Existem pacientes de altíssimo risco. Não é o caso dele” (Leandro Zimerman, cardiologista)

Renato Portaluppi Gaúcho praia — Foto: JC Pereira/AGNews

Renato Portaluppi Gaúcho praia — Foto: JC Pereira/AGNews

A lógica seguida foi de manter o ídolo gremista, aos 57 anos, já próximo do grupo de risco e com o histórico de arritmias, menos exposto ao risco de contágio. Na sua casa, no Rio, tem quem faça compras, por exemplo. Em um hotel em Porto Alegre, teria contato com mais pessoas diferentes, conforme Zimerman.

— Se começassem os treinos amanhã e ele fosse indispensável — e reitero que isso é uma decisão do Grêmio —, a gente aceitaria que ele trabalhasse. A presença dele não era indispensável. E uma pessoa de risco intermediário teria que morar em um hotel, com grande circulação. Mesmo que fique no quarto fechado, vai estar com funcionário diferente interagindo. Em teoria poderia ficar mais isolado lá, foi essa a lógica — justifica Zimerman em entrevista ao GloboEsporte.com.

Os passeios na praia, claro, não estavam nos planos médicos. No Grêmio, inicialmente houve um incômodo, mas depois a diretoria arrefeceu os ânimos com o seu comandante. Não houve também surpresa com a atitude do comandante, que foi à praia e ficou na areia — algo proibido pelo decreto municipal da prefeitura do Rio.

— De uma forma geral, não o caso do Renato, acho que tem que haver resguardo grande, os números não estão pequenos. O Renato é saudável, não é de alto risco, não sei como foi o passeio. Ele é superseguidor do que que a gente fala — driblou o médico.

Leandro Zimerman (C) foi um dos responsáveis por procedimentos em Renato — Foto: Sergio Lobo

Leandro Zimerman (C) foi um dos responsáveis por procedimentos em Renato — Foto: Sergio Lobo

Parte da torcida do Grêmio direcionou críticas aos comandante nas redes sociais, já que as atividades estão em andamento em Porto Alegre sem a presença do comandante. A diretoria publicou uma nota apenas para reforçar as orientações dados pelo clube. E tratou a situação como de “foro privado”.

Contatado pelo GloboEsporte.com, Renato afirmou que “não tem função” em Porto Alegre e, se retornasse para a capital gaúcha, seria apenas “mais um perambulando por aí”. O treinador afirmou que assim que chamado pelo presidente Romildo Bolzan, retorna para comandar as atividades.

“Eu não tenho o que fazer aí (Porto Alegre). Tem os protocolos. Eu falo com o presidente direto. E se ele mandar eu voltar, eu vou amanhã. Mas aí eu não tenho função” (Renato Gaúcho)



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