Renato veste camisa da Chapecoense e chora: “Sempre vão ser heróis”

Técnico do Grêmio também se coloca à disposição para jogo beneficente em Chapecó

1 de dezembro de 2016 - Às 06:23

Ainda muito abalado com a tragédia envolvendo a delegação da Chapecoense na Colômbia, o técnico Renato Portaluppi concedeu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira e fugiu do tradicional branco, preto e azul. Vestiu uma camisa da Chapecoense e, emocionado com a perda de amigos e companheiros, chorou na sala de conferências do CT Luiz Carvalho. Lembrou da perda dos pais, deu o rótulo de heróis para aqueles que faleceram no acidente e se colocou à disposição para um jogo beneficente em Chapecó.

Renato trabalhou com Ananias, Cleber Santana, Matheus Biteco, Dener e Follmann como técnico e jogou ao lado de Caio Júnior e Mário Sérgio. Além disso, também citou o filho de Paulo Paixão, Anderson Paixão, e o fisioterapeuta Rafael Gobbato. Já chegou emocionado ao local da entrevista – e precisou de poucos minutos para mostrar seu abatimento.

Foto: Eduardo Moura
Foto: Eduardo Moura

– Em um momento desses é muito difícil, peço desculpas para vocês porque não atendi alguns meios de comunicação que me procuraram ontem. Hoje, ainda estou abatido pela tragédia que aconteceu. Até porque no Grêmio com certeza eu seja a pessoa que mais tinha trabalhado com pessoas da Chapecoense. Foi uma coisa muito ruim, muito triste. É uma maneira de homenagear o clube, a torcida, todas as pessoas usando a camisa da Chapecoense. E é difícil falar nessas horas. Se eu estou sofrendo aqui, pessoas do Brasil e no mundo todo, eu imagino o sofrimento destas famílias. Por um conforto às famílias, palavras de que são e sempre vão ser heróis, pais de família, jornalistas, o que posso fazer de minha parte é meus sentimentos a todos – disse Renato.

Na  sequência da entrevista, o técnico afirmou que já conversou com o elenco para também superar o abatimento normal da tragédia com o objetivo de deixar o grupo mobilizado outra vez para a final da Copa do Brasil, adiada para a próxima quarta-feira, na Arena.

– É difícil, nessas horas não acha nem as palavras. Como comandante, sei que estou nas cordas, que é uma coisa normal, até porque o grupo estava bastante abatido. Mas preciso levantar a cabeça, temos decisão na próxima quarta. Estou buscando forças de tudo que é lado para levantar o grupo de novo. Cada dia que passa as coisas vão melhorando para ficar 100% na próxima quarta. A vida continua e temos essa responsabilidade. O que eu falei desde já, milhões de pessoas tristes pela tragédia. Não podemos dar mais uma tristeza para a nossa torcida na quarta.

No final da coletiva, também lembrou da morte dos pais, quando ainda era jogador e quando era técnico do Grêmio, em sua primeira passagem, em 2010. Foi quando começou a chorar e encerrou a entrevista, que já estava no fim.

– Cada um procura homenagear as pessoas da sua forma. Importante é que não temos clube, cor, todo mundo é Chapecoense, todo mundo veste o verde. As homenagens que o mundo todo está prestando à Chapecoense – afirmou.

O Grêmio voltou aos treinos na tarde desta quarta-feira. Antes do trabalho, houve uma homenagem no centro do gramado com todo o elenco, comissão técnica e diretoria de mãos dadas. Depois, uma salva de palmas.



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