Foto: Diego Guichard

Renato Gaúcho queria sair da Arena com uma vantagem nessa quarta-feira, seja ela qual fosse. E foi isso que conseguiu com a vitória por 1 a 0 do Grêmio sobre o Lanús, no primeiro jogo da final da Libertadores. Porém, o resultado não amenizou o sentimento de injustiça com a arbitragem do chileno Julio Bascuñan. Assim comos os jogadores e dirigentes, o técnico reclamou de um pênalti não marcado em Jael no final do segundo tempo.

O técnico deu sua entrevista coletiva ao lado da filha Carol Portaluppi. Como de costume, descontraiu com os jornalistas e arrancou risos. Em um destes momentos, cometeu até uma gafe ao descobrir que o presidente Romildo Bolzan era o responsável pela batucada, o que resultou em risos envergonhados e um pedido de desculpas ao mandatário.

“O Stevie Wonder (cantor cego) não precisaria do vídeo para dar o pênalti” (Renato Gaúcho)

Sobre o jogo, valorizou o gol de Cícero, anotado aos 37 minutos do segundo tempo. Para Renato, o resultado foi importante. Ainda mais pela qualidade demonstrada pelo Lanús, em suportar a marcação e dar poucos espaços ao Grêmio.

– O mais importante foi que conseguimos uma vantagem. Muita gente acha que é mínima, mas é uma boa vantagem. É uma final. O Lanús não chegou por acaso. Nem o Grêmio. Eu sabia que seria truncado. Precisávamos sair com qualquer vantagem. Conseguimos fazer o gol. Temos a vantagem que o Lanús precisará sair para o jogo e será totalmente diferente – declarou Renato.

O discurso do técnico remete principalmente ao o primeiro tempo. O Tricolor sofreu com a marcação argentina e não conseguiu invadir a área. Só não saiu atrás do placar em razão de duas defesas de Marcelo Grohe, uma delas em cabeçada a queima-roupa de Braghieri. No vestiário, buscou corrigir os problemas. E, na etapa final, colocou Jael e Cícero. Deu certo.

– Os jogadores estão aí para isso. E eu também. Quando as coisas não dão certo, preciso mudar. Fui feliz, eles também. Um gol chorado, mas é gol. O gol nos dá uma vantagem. O primeiro tempo foi de muito estudo. Marcelo fez uma defesa maravilhosa de novo. Para falar a verdade, ele buscou a bola lá dentro. Mais uma vez nos ajudou. Acertamos algumas coisas no vestiário. Fizemos uma marcação colada. Não demos mais espaço, crescemos. Criamos algumas oportunidades e fomos felizes com o gol do Cícero – analisou.

O técnico também não se furtou de falar sobre a arbitragem. O técnico declarou inúmeras vezes que não gosta de tocar sobre o assunto. Só que deixou clara a incomodação com o lance em Jael. No último lance da partida, aos 50 minutos da etapa final, o centroavante caiu na área após choque com Alejandro Silva. Para o tricolor, um pênalti claríssimo:

– Foi pênalti legítimo em cima do Jael. Eu falei que não precisava nem do vídeo. É inadmissível o árbitro estar a três metros do lance, ele olhou, levou o apito na boca, não estava encoberto por ninguém. O Stevie Wonder (cantor cego) não precisaria do vídeo para dar o pênalti – disse o treinador, antes de repetir – Até o Stevie Wonder veria pênalti. Para que o vídeo se ele não é usado? – questionou.

Independente do incômodo, o Grêmio está em vantagem. Com o resultado, será tricampeão da América até com empate no jogo de volta, na Argentina. Vitória a partir de dois gols de diferença dá o título para o Lanús. Caso os argentinos vençam por um gol de diferença, a final irá para os prorrogação. E se persistir o empate, o campeão será decidido em cobrança de pênaltis.



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