O Grêmio não irá realizar mudanças em sua comissão técnica além da demissão do executivo Klauss Câmara. Foi esta a mensagem passada pelo presidente Romildo Bolzan Júnior em entrevista coletiva nesta sexta-feira, ao lado do técnico Renato Portaluppi. Mais uma vez, o treinador negou uma crise no clube, disse que o time está em um momento de “transição” e afirmou que ele próprio pedirá para sair caso sinta que não pode mais contribuir.

A decisão da direção foi de manutenção nesse momento de turbulência e aposta no trabalho da atual comissão técnica. Renato completará quatro anos no comando do clube neste sábado. O treinador voltou a falar nos desfalques e na falta de entrosamento para justificar as atuações ruins do time, mas pediu calma ao torcedor.

— Nessas horas tem que ter calma. Se achar que estou atrapalhando, vou ser o primeiro a sair. Ainda mais no clube que amo, que me dedico a quatro anos. Quando não estiver me sentindo bem vou ser o primeiro a sair. Resolvo em dois minutos. Até porque, não coloco R$ 1 real de multa (no contrato). Poderia colocar milhões como muitos fazem. Aí ficam brigando no dia a dia para levar a multa. Não sou deste tipo. Caminho aberto, porta aberta para entrar e sair. Não estou aqui para no próximo jogo ter que ganhar, senão vou embora. Eu mesmo vou chegar, agradecer. Mas o momento é de tranquilidade, trabalho, retomar o rumo — afirmou Renato.

“Se achar que estou atrapalhando, vou ser o primeiro a sair. Ainda mais no clube que amo, que me dedico a quatro anos. Quando não estiver me sentindo bem vou ser o primeiro a sair. Resolvo em dois minutos” (Renato, técnico do Grêmio)

Romildo Bolzan e Renato Portaluppi, do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Romildo Bolzan e Renato Portaluppi, do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Apesar do título gaúcho no fim de agosto, o Grêmio vem com atuações e resultados ruins e contestações da torcida. Renato reconheceu os problemas de rendimento, mas justificou com as ausências dos jogadores machucados e a falta de entrosamento. Na avaliação do treinador e do presidente, o time está em um momento de “transição”.

— O momento não é bom, mas não é péssimo. Sabemos que temos que melhorar. Um monte de jogadores chegando e jogadores no departamento médico. Não vai ser da noite para o dia. Mas falar que tem crise? Tem que melhorar, não está bem, mas não está péssimo. Não entra na minha cabeça. Os comentários do presidente, que ele bancou, é porque sabe que pode confiar. A mensagem é de calma — acrescentou Renato.

“Para você ver, precisou quatro anos para ter pressão. Acho que esses quatro anos foram de trabalho intenso, resultados maravilhosos e que o torcedor tem direito de cobrar. Somos culpados aqui porque viciamos o torcedor a comemorar todas as partidas” (Renato)

Apesar do desempenho ruim na derrota para a Universidad Católica, na Libertadores, o treinador gremista descartou que o Tricolor viva uma crise. Renato disse que a manifestação da torcida, que recebeu o time sob protestos, é normal e direito dos gremistas pelo atual momento. Mas também afirmou que demorou quatro anos para o Tricolor sentir uma “pressão” pelos resultados em campo.

— Uma crise, eu vejo, é no momento que não ganha títulos, não ganha os jogos, briga para ser rebaixado e não deixa o torcedor feliz. Isso é uma crise. Isso podemos falar que é uma crise. O que não é, no momento que alguns resultados não aparecem, que é normal. O Grêmio não sabe o que é crise durante quatro anos. Essa crise, que algumas pessoas estão achando, que não é na minha cabeça, é um mau momento — destacou.

No próximo domingo, o Grêmio enfrenta o Palmeiras, às 16h, na Arena, pelo Brasileirão. Na semana que vem, o Tricolor encara o rival Inter pela Libertadores.



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