Renato Portaluppi é o técnico mais longevo do futebol brasileiro. São mais de quatro anos no comando do Grêmio, que venceu o Cuiabá nesta quarta-feira na Arena Pantanal por 2 a 1, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Após a partida, o treinador foi questionado sobre as saídas de Domenec Torrent do Flamengo e Eduardo Coudet do Inter e avaliou o cenário de técnicos estrangeiros no Brasil.

Renato disse que mandou mensagens a Dome após o Flamengo demiti-lo e defendeu a decisão de Coudet, que pediu demissão do Inter. O técnico gremista condenou a “falta de paciência” no futebol brasileiro e a pressão excessiva, na visão dele, sobre os treinadores.

– Infelizmente, e a gente trabalha no Brasil, toda hora todo mundo quer que seu time ganhe, tem que dar resultados. Ninguém tem paciência, o torcedor não tem, vocês da imprensa não têm, é fácil todo mundo criticar, criticar, criticar – desabafou Renato.As redes sociais, hoje em dia, sabe… É muita besteira. Todo mundo tem problemas em casa. Mas descarregam no futebol. Sou homem das cavernas, ainda bem que não tenho nada disso. Podem criticar, elogiar, não vou ficar sabendo”— Renato Portaluppi, técnico do Grêmio

Renato Portaluppi, técnico do Grêmio há quatro anos — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Renato Portaluppi, técnico do Grêmio há quatro anos — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Coudet e Dome deixaram Inter e Flamengo, respectivamente, nesta semana. Mas em contextos diferentes. O argentino pediu demissão para acertar com o Celta de Vigo, na Espanha – o anúncio oficial foi feito nesta quinta-feira. Já o catalão foi demitido do Rubro-Negro após a derrota por 4 a 0 para o Atlético-MG.

– Quando (o treinador) não dá resultado, toma pontapé na bunda e fica por isso. Aí o treinador pede para ir embora e falam que não pode? Por que não pode? Tivemos o exemplo do Coudet. É massacre no treinador, toda hora é o culpado. Choveu, culpado. Ganhou, é obrigação. Perdeu, treinador culpado. É difícil – defendeu Renato.

Para o técnico gremista, os treinadores estrangeiros encontram barreiras difíceis de superar no Brasil. Eventualmente, a língua para se comunicar com os jogadores e passar instruções táticas. Além de não conhecerem tão bem o ambiente em que irão trabalhar.

– O problema que o brasileiro gosta de copiar o que acontece na Europa, e nem tudo é certo. Flamengo trouxe o Jorge Jesus, fez excelente trabalho e ganhou. Mas não é bem assim. O clube, imprensa, torcedor, tem essa paciência? Se não der resultado, é mandado embora. O Dome, mesmo. Admiro bastante, mandei uma mensagem para ele. Fiquei triste com a saída – revelou.

Renato Gaúcho fala com Coudet em um clássico Gre-Nal — Foto:  REUTERS/Diego Vara

Renato Gaúcho fala com Coudet em um clássico Gre-Nal — Foto: REUTERS/Diego Vara

Renato também falou sobre a tendência de clubes brasileiros buscarem treinadores estrangeiros após o sucesso de Jesus. Casos de Abel Ferreira no Palmeiras e Ramon Díaz no Botafogo, entre outros. O treinador disse que as tentativas são válidas, mas com a ressalva de que não há necessidade de importar métodos só porque são europeus.

– O outro problema é que muitos brasileiros só querem imitar o europeu. E muitos clubes estão trazendo o europeu para o lugar destes. Não tem que imitar. Copiar alguma coisa ou outra lá de fora, tudo bem. Quantos títulos mundiais o Brasil tem e quantos as seleções de fora tem? Por que tem que copiar tudo lá de fora? Muita coisa lá de fora não copio porque acho que está errado. Cada um com sua cabeça – finalizou.



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