O Grêmio se mantém firme em sua tentativa de anular o jogo contra o São Paulo, no último sábado, pela 17ª rodada do Brasileirão. Nesta terça-feira, o presidente Romildo Bolzan Júnior se manifestou sobre o assunto e disse que o clube cobrou a CBF antes da partida no Morumbi por conta da mudança na escala de arbitragem. Também revelou um pedido aos demais clubes brasileiros para exigir a divulgação das conversas do VAR.

O Grêmio protocolou o pedido de anulação do jogo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O clube argumenta que foi prejudicado pela arbitragem em quatro lances capitais do jogo e contesta a mudança na escala do árbitro de vídeo, que teria sido feita a pedido do São Paulo. Inicialmente, Rodolpho Toski Marques estava escalado para o VAR, mas foi substituído por Elmo Resende Cunha.

— Compete dizer que o Grêmio fez de maneira preventiva uma comunicação a dirigente da CBF reclamando da troca da arbitragem e dizendo que, se por acaso tivesse alguma situação de mau desempenho da arbitragem, algum equívoco ou situação que nos prejudicasse, nós saberíamos o endereço de onde bater. Aconteceu. Arbitragem desastrosa, incapaz e ficamos por aqui neste momento. Houve nitidamente a interferência da arbitragem no resultado do jogo — declarou Bolzan.

“Queremos estabelecer a verdade dos fatos para ver se efetivamente o futebol brasileiro não teve sua moralidade atingida” (Romildo Bolzan, presidente do Grêmio)

Presidente do Grêmio Romildo Bolzan Jr. — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Presidente do Grêmio Romildo Bolzan Jr. — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

O presidente do STJD, Otávio Noronha, já recebeu o pedido do Grêmio e vai analisar os documentos para dar andamento ou não ao processo. Romildo Bolzan cita que os pedidos de acesso a áudios e conversas dos árbitros no jogo e as informações sobre a reunião entre São Paulo e Comissão de Arbitragem na última quinta-feira podem ser usados como provas dentro da solicitação gremista.

O dirigente também citou um movimento entre os clubes da elite do futebol brasileiro para pedir a publicação dos áudios dos árbitros de vídeo depois das partidas.

— Estamos também trabalhando numa linha que demandamos a todos os clubes brasileiros que façamos uma situação de documento, pedindo que o VAR seja publicizado completamente. Decisões, áudios, visualizações, debates que acontecem, tudo o que significa a transparência do processo. Que seja rapidamente liberado aos clubes. E o Grêmio não vai desistir enquanto não tiver uma situação clara — completou o mandatário gremista.

A íntegra da manifestação do presidente do Grêmio:

“Venho conversar com a torcida do Grêmio, expor as posições que o clube está tomando e de certa fora dialogar e prestar contas sobre os episódios que aconteceram sábado em São Paulo. Compete dizer que o Grêmio fez de maneira preventiva uma comunicação a dirigente da CBF reclamando da troca da arbitragem e dizendo que se por acaso tivesse alguma situação de mau desempenho da arbitragem, algum equívoco ou situação que nos prejudicasse, nós saberíamos o endereço de onde bater. Aconteceu. Arbitragem desastrosa, incapaz, ficamos por aqui neste momento, mas que não deu dois pênaltis e não expulsou dois jogadores do São Paulo, não coibiu a violência e deu no que deu. Resultado prejudicado por conta da arbitragem, houve nitidamente a interferência da arbitragem no resultado do jogo.

O Grêmio imediatamente se posicionou no sentido de tomar providências e tomou. Na segunda fizemos o documento que relatamos tudo isso, pedimos os áudios do VAR, o que significou o processo de decisão porque em nenhum momento da partida observamos gestual que pudesse determinar conversa do VAR com a arbitragem. Depois pedimos quais os fundamentos legais, os normativos, a motivação que fez a arbitragem ser trocada. E onde está o fundamento de tudo isso, o que aconteceu, uma reunião que o São Paulo demanda e é atendido, qual o fundamento técnico e jurídico para estabelecer a decisão.

Também fizemos uma observação para que a CBF informasse quem estava na reunião, quem representava o São Paulo e aqueles da CBF e seus encargos funcionais. E o conteúdo da conversa, já que daí surgiu a troca da arbitragem e o resultado danoso da partida.

Esses conteúdos refletem uma prova, imaginamos que possa gerar uma prova. Por consequência, fizemos o segundo ato, o pedido de anulação da partida, pela questão fática nebulosa que não está explicada. Por esse fato que determinou o resultado. E por algumas situações do Código do Consumidor, de exigência de arbitragem decente, correta, capacitada, eficiente, tudo o que significa um fundamento jurídico que significa o nosso direito e necessidade de provar.

Estamos também trabalhando numa linha que demandamos a todos os clubes brasileiros que façamos uma situação de documento pedindo que o VAR seja publicizado completamente. Decisões, áudios, visualizações, debates que acontecem, tudo o que significa a transparência do processo. Que seja rapidamente liberado aos clubes. E o Grêmio não vai desistir enquanto não tiver uma situação clara a respeito disso. Está encaminhando algumas questões para a Procuradoria do STJD. Estou posicionando para dar satisfação à torcida, que estamos atentos, nos posicionando e queremos estabelecer a verdade dos fatos para ver se efetivamente o futebol brasileiro não teve sua moralidade atingida.”



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