Foto: Eduardo Moura

Daqui a exatos 15 dias, se inicia o ano de 2019, o último período de Romildo Bolzan Júnior como presidente do Grêmio. Desde 2015 no cargo máximo do Tricolor, ele conduziu o clube à reestruturação financeira, com o objetivo de torná-lo autossustentável e reduzir as dívidas. Além de tornar as metas alcançáveis, deu resultado também no campo.

De 2016 para cá, são quatro títulos praticamente em sequência: Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa (2018) e Gauchão (2018). Porém, Bolzan ainda quer deixar o comando gremista com ao menos mais uma realização fora das quatro linhas: a compra da operação da Arena.

Presidente do Grêmio fala sobre compra da Arena, descarta reeleição e projeta 2019

Presidente do Grêmio fala sobre compra da Arena, descarta reeleição e projeta 2019

O atual mandatário conseguiu a ampliação de seu mandato de dois para três anos em 2016. Mas refuta todas as análises de que seria um processo de manutenção no poder. Em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com e RBS TV, foi taxativo: não tentará a reeleição. Mas sairá orgulhoso das gestões que devolveram o superávit ao Grêmio.

Confira trechos da entrevista:

GloboEsporte.com – O que o senhor pode adiantar do início de ano para os gremistas?

Romildo Bolzan Júnior – O Grêmio vai se preparar bem para os campeonatos que enfrentará. É natural algum esgotamento de situações que acabem permitindo saídas. Mas o Grêmio vai buscar reposições, vai continuar na política de fortalecimento da base e buscar jogadores. Junto disto, manter o clube sempre equilibrado e na perspectiva da busca do seu financiamento próprio, de sua sustentabilidade.

A ideia é priorizar o Gauchão, já que a Libertadores só inicia em março?

Temos que trabalhar a ideia de que vamos ter uma pré-temporada um pouco mais espichada. A transição (time B) já voltou antecipadamente para entrar em uma disputa do Gauchão em condições físicas e técnicas iguais aos clubes do interior. A transição começará e depois agregará mais situações no Gaúcho. Pelo menos a fase inicial será mista entre time principal e transição.

Romildo Bolzan quer efetivar compra da operação da Arena — Foto: Lucas Uebel / Grêmio, DVG

Romildo Bolzan quer efetivar compra da operação da Arena — Foto: Lucas Uebel / Grêmio, DVG

Muitas coisas positivas aconteceram nas suas gestões, como equilíbrio financeiro e títulos. A questão da compra da Arena é o que falta?

Depende, em primeiro lugar, de quem empreende de reorganizar o cumprimento do cronograma das obras do entorno. A outra parte, que fiscaliza isso, aceitar. A Karagounis (empresa que assumiu as obras), o Ministério Público precisam estar muito ajustados. Feito isso, tem que ter o “ok” da prefeitura, do Tribunal de Contas do Estado. Tudo isso equacionado, o Grêmio entra com muita força. Junto disso, o Grêmio já constrói a reestruturação financeira desta operação toda para si, de modo que possa adquirir. Todos os caminhos estão andando. Se tudo conjugar de uma maneira que feche os acordos, que todo mundo tenha os interesses atendidos, o Grêmio pode finalizar essa operação no ano que vem.

E seria a cereja do bolo para o senhor?

Creio que seja uma aspiração da torcida. Se alguém tiver que dar uma brincadeira, uma flautinha, daquelas aceitáveis, é “vocês não têm estádio”. Não. O Grêmio tem estádio. Só não gere o estádio. O Grêmio está buscando a antecipação da compra da operação. O estádio já é nosso, mas não operamos. É um desejo de todos nós. Em cima da compra da operação tem um projeto de clube, de soberania, de aumentar o quadro social, a arrecadação, o que seria praticamente toda a sustentação do departamento de futebol.

“Em cima da compra da operação (da Arena) tem um projeto de clube, de soberania, de aumentar o quadro social, a arrecadação, o que seria praticamente toda a sustentação do departamento de futebol.”

Como foram as negociações para a permanência do Renato?

Este ano foi uma discussão que foram fixadas as coisas desde o primeiro momento. Quer ficar? Quero. Nós queremos que fique. Então, daqui para a frente, tudo o que você disser vai valer para nós. Tudo o que nós dissermos vai valer para ti. O Renato várias vezes me passou situações que tinha de consulta deste, daquele, e estávamos avançando na conversa. Foi muito mais simples, menos traumática do que muitos pensam do que poderia ter sido ou foi.

Para 2019, fala-se que Palmeiras e Flamengo largam na frente pelo poder de investimento. Como o senhor analisa o mercado, com dois clubes polarizando?

O Palmeiras ganhou um campeonato, importante, mas um título só. Nem sempre o dinheiro vai prevalecer para tudo. Se dá mais chance? Claro que sim, mas os diagnósticos são muito importantes. O Flamengo tinha um time mais poderoso que o nosso, ficou apenas com o Campeonato Carioca. O Cruzeiro tinha um time importante e ficou com a Copa do Brasil. O Grêmio teve o Gaúcho e a Recopa. O Atlhetico-PR teve aí a Copa Sul-Americana. Acho que o dinheiro não é tudo. Eu defendo os processos bem realizados, que determinam eficiência e competitividade.

Romildo esbanjou bom humor no anúncio da renovação de Renato — Foto: Lucas Uebel / Grêmio, DVGRomildo esbanjou bom humor no anúncio da renovação de Renato — Foto: Lucas Uebel / Grêmio, DVG

Romildo esbanjou bom humor no anúncio da renovação de Renato — Foto: Lucas Uebel / Grêmio, DVG

O Grêmio teve resultados financeiros importantes na sua gestão. Isso orgulha o senhor?

Muito, porque tenho maior orgulho de ver entidades saudáveis. De que a torcida olhe para o clube e verifique também um nível de organização interessante. Estes ambientes dão autoestima para o torcedor. Nas reuniões de consulados, é tão importante citar um jogador que é ídolo quanto que o clube está em condições de sustentabilidade, melhorou suas contas. Isso tem efeito de uma vibração tão importante. Valorizam muito isso. O título, desempenho, mas a organização do clube.

Essas gestões fazem o torcedor sonhar com uma nova gestão do presidente Romildo. Se diz que há uma brecha no estatuto. O senhor pensa em reeleição?

Não cogito, não alimento isso. Sou reeleito e, independentemente dos mandatos, o Grêmio prevê apenas uma reeleição. O final de 2019 é o término disso. Eu desejo um ambiente muito maduro politicamente para as próximas eleições. No sentido de estabelecer um consenso para o Conselho Deliberativo, para o Conselho de Administração, não perder a cultura que está aí. Como gremista, gostaria que tivéssemos isso enraizado. Esse sistema de competitividade e responsabilidade com a gestão é fundamental.



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