A paralisação geral do futebol brasileiro é necessária em meio à pandemia do novo coronavírus. Mas também deixará consequências nos clubes. O Grêmio projeta uma queda nas receitas de R$ 20 a R$ 25 milhões nos próximos três meses e já prevê a possibilidade de fechar 2020 com prejuízo. Os salários dos atletas também correm risco de sofrer impacto ao longo do ano.

O presidente Romildo Bolzan Júnior detalha os problemas de receita: cerca de R$ 10 milhões da Conmebol pela suspensão da Libertadores, R$ 3 milhões das lojas fechadas, outros R$ 3 milhões do quadro social e mais R$ 3 milhões que seriam pagos por conta do Gauchão. A incerteza sobre o início do Brasileirão também pode gerar impactos financeiros.

Romildo Bolzan Júnior fala sobre impacto de paralisação — Foto: Eduardo Moura

Romildo Bolzan Júnior fala sobre impacto de paralisação — Foto: Eduardo Moura

O Tricolor tentará ajustes no fluxo com seus funcionários. Mais de 50 estão em regime de trabalho remoto, sem precisar ir na estrutura do clube. E espera prorrogação nas obrigações tributárias do clube para minimizar os danos. O pagamento do Fundo de Garantia já foi suspenso pelo Governo Federal por três meses.

— Nós vamos ter problema, nossa estimativa é ter problemas na ordem de R$ 20 a R$ 25 milhões. Para isso, estamos aguardando medidas compensatórias. Se não houver, teremos que fazer medidas internas para readequação — destaca Romildo ao GloboEsporte.com.

A direção trabalha no momento para tentar minimizar o impacto da falta de receitas nos próximos meses. O dirigente fala em “esforço” para manter a folha em dia, mas também não descarta um atraso a partir de abril, já que o fluxo de caixa ficará comprometido.

— Nesse momento estamos examinando este cenário para compensar perdas com outras situações de fluxo. Talvez tenhamos que examinar. (Atraso) Não está na pauta. Vamos fazer esforço para cumprir — aponta o presidente gremista.

> O impacto previsto pelo Grêmio nas finanças:

  • Prejuízo de R$ 13 milhões pela suspensão da Libertadores e Gauchão;
  • Prejuízo de R$ 3 milhões com quadro social;
  • Prejuízo de R$ 3 milhões em vendas de produtos do clube;
  • Não está descartado atraso no salário dos jogadores a partir de abril;
  • Dificuldade na venda de atletas para o exterior;
  • Fechamento do ano com déficit.
Romildo Bolzan e vice-presidentes na reapresentação do Grêmio em janeiro — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Romildo Bolzan e vice-presidentes na reapresentação do Grêmio em janeiro — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

O Tricolor tinha no orçamento uma receita de R$ 88 milhões prevista para venda de jogadores. A principal fonte seria a janela de transferências da metade de 2020, com nomes como Everton, Jean Pyerre e Pepê entre os cobiçados.

Mas isso já fica prejudicado por conta também da paralisação mundial do esporte. Assim, uma projeção inicial é de déficit para as contas gremistas em dezembro, depois de quatro anos consecutivos de superávit.

— Não sei o que vai acontecer, mas tudo se encaminha (para suplementação orçamentária). Ee não tivermos receitas extraordinárias ou alguma venda, se avizinha um fim de ano deficitário. Vamos tomar medidas que vão tentar conter — completa Romildo.

Os jogadores do Grêmio se apresentam no CT Luiz Carvalho nesta sexta-feira, em pequenos grupos, para passar por exames com o departamento médico. Os atletas também serão vacinados contra a gripe e H1N1.



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