Um dos talentos do futebol brasileiro, Matheus Henrique testemunha o clima de uma final nacional pela primeira vez na carreira. Grêmio e Palmeiras revivem a rivalidade da década de 90, quando o volante nem era nascido. Mas os relatos do pai e do avô conectam o volante com o sucesso gremista na época.

Torcedor palmeirense na infância, Matheus revelou em entrevista ao ge, gravada ainda em janeiro, ia ao antigo Palestra Itália quando era adolescente e chegou a comemorar gols do hoje companheiro Diego Souza na arquibancada.

Nos anos 90, Grêmio e Palmeiras ficaram marcados por encontros eletrizantes. Na Libertadores de 1995, por exemplo, o time gaúcho despachou um estrelado Verdão nas quartas de final na campanha do bicampeonato. Goleou por 5 a 0 no Olímpico e se classificou graças ao gol marcado fora de casa, na derrota por 5 a 1 no Palestra Itália.

Mas há confrontos menos lembrados. Em 1990, o Grêmio levou a melhor nas quartas do Brasileirão. Na Copa do Brasil, o Tricolor também conseguiu se classificar nas quartas de 1993 e nas oitavas de 1995. Em 1996, os paulistas se classificaram na semifinal da Copa do Brasil, enquanto os gaúchos passaram nas quartas do Brasileiro.

Sei dessas histórias por conta do meu pai, por conta do meu avô, porque eu não era nascido. Sofreram, eles falam que o Gremio era pai do Palmeiras e se Deus quiser vai continuar sendo.— Matheus Henrique ao ge

Matheus Henrique, o pai João e o avô Pedro — Foto: Reprodução/Instagram

Matheus Henrique, o pai João e o avô Pedro — Foto: Reprodução/Instagram

Nas arquibancadas estavam João Henrique, pai do volante, e Pedro, avô de Matheus. Palmeirenses, os dois sofriam nas mãos dos gremistas e passaram para o jovem todas as histórias daquela época, muitas vezes com final feliz para o Grêmio hoje defendido ferrenhamente pelo volante. Um período que serve como inspiração para o atual vivido pelo Tricolor.

Sem medo dos “cancelamentos” tão característicos dos tempos atuais, Matheus admite sem medo no papo que o time da família era o Palmeiras. Ao mesmo tempo, reforça o carinho e a importância do Grêmio em sua carreira e o profissionalismo com o qual a encara.

— O meu avô era palmeirense. Quando era pequeno meu pai nos levava no Palestra Itália então o time que a gente torcia era o Palmeiras. Não tenho medo de falar isso porque era coisa da minha infância. Tenho certeza que você quando era jovem, gostava de um time. A partir do momento que comecei minha carreira profissional, deixei isso de lado, já joguei profissional no São Caetano, na seleção brasileira, no Grêmio. Temos que ser profissional. Porque algum torcedor vai ver essa matéria e falar que eu sou palmeirense, mas como eu falei, não tenho medo algum.Eu sou de São Paulo, eu sei bem dessas rivalidade dessa década, da época que o Palmeiras era da Parmalat, o Grêmio também tinha um grande time.— Matheus Henrique ao ge

Matheus Henrique, volante do Grêmio, comemora gol marcado — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Matheus Henrique, volante do Grêmio, comemora gol marcado — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Matheus comemorava gols de Diego Souza

Depois, no início dos anos 2000, o trio ia junto para as arquibancadas do Palestra Itália, antigo estádio do Palmeiras demolido para a construção do Allianz Parque. Nessa época, Matheus Henrique comemorou gols do agora companheiro Diego Souza. Lembra do marcado sobre o Atlético-MG, do meio-campo, no Brasileiro de 2008, e também de um feito sobre o Santos, no Paulistão.

Ainda meio-campista, Diego jogou entre 2008 e 2010 no Verdão. Chegou após passagem justamente pelo Grêmio, emprestado pelo Benfica na época.

— Eu brinco com o Diego Souza. Em 2008 tinha 11 anos e lembro até hoje que na final do Campeonato Paulista, que foi Palmeiras e Ponte Preta, empatou em 1 a 1 em Campinas e depois o Palmeiras ganhou de 5 a 0, mas no jogo da final eu não fui porque meu pai tinha medo de confusão. Mas durante o campeonato eu fui, no jogo contra o Santos no Palestra Itália e ele fez gol, tem o gol que ele faz do meio-campo contra o Atlético-MG, eu e meu pai estávamos na arquibancada — conta.Eu brinco com ele que eu já vi fazendo gol no estádio e hoje eu vejo ele fazendo gol e estou do lado dele. É um cara que desde que chegou aqui tem uma relação muito boa. Já era fã dele como jogador, agora sou fã pela pessoa.— Matheus Henrique

Mais de 10 anos depois, o volante é uma das esperanças do Grêmio para conquistar o título diante do Palmeiras. As finais recebem toda a atenção do lado tricolor. O time titular, por exemplo, nem viaja para Atibaia nesta quarta-feira. O técnico Renato Portaluppi também não comanda a equipe contra o Bragantino para preparar a equipe para a decisão com o Palmeiras.

Uma das preparações tem relação justamente com Matheus Henrique, que ficou fora do jogo com o Athletico, no domingo, e é preparado para as finais.

— Estamos falando de uma final de Copa do Brasil, a gente sabe do peso. Sabemos que o Grêmio leva essa fama de copeiro. O Grêmio tem cinco taças, sabemos do entusiasmo do torcedor que quer chegar na sexta e a gente quer esse título. Tem jogadores que conquistaram em 2016 e querem mais ainda essa, a gente vai junto com eles — afirma Matheus.

Campeão da Copa do Brasil em 2016, o Grêmio busca o hexacampeonato da competição e tem um título a menos que o Cruzeiro, maior campeão da competição. O jogo de ida ocorre às 16h deste domingo, na Arena do Grêmio, e o confronto de volta às 18h do dia 7 de março, em São Paulo.



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