A reclamação pelo pênalti não marcado foi o momento de tom mais alto da entrevista de Renato Portaluppi após a derrota do Grêmio por 2 a 1 para o Santos. Mas o resultado também foi construído a partir de escolhas que não funcionaram no meio-campo e erros defensivos constantes.

Primeiro de tudo, foram dois pênaltis cometidos em lances “infantis”, para ficar nas palavras do técnico gremista. Paulo Miranda estava com o braço aberto em cruzamento de Kaio Jorge. E David Braz deu carrinho por trás dentro da área em momento imprudente, já no segundo tempo, quando o Grêmio até apresentava alguma melhora.

—Todos jogos são difíceis, todo mundo quer ganhar. Cometemos alguns erros infantis que proporcionaram a derrota, mas é um papo que já tive e vou continuar tendo entre quatro paredes. A equipe não começou tão bem, depois se achou. Estávamos melhor que o Santos e tomamos um gol logo em seguida. Poderiamos ter tido sorte maior no chute do Maicon — disse Renato.

Renato diz que escolheu os meio-campistaas ideais pro jogo — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Renato diz que escolheu os meio-campistaas ideais pro jogo — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

O primeiro tempo do Grêmio, no geral, foi de movimentos ofensivos praticamente inexistentes. Houve perigo apenas em jogadas aleatórias: uma cobrança de escanteio desviada por Diego Souza e um chute de fora da área de Lucas Silva. Robinho e Thaciano não funcionaram bem no setor.

Ao mesmo tempo, a mudança para um trio de volantes também foi feita por Renato para dar mais consistência defensiva nos jogos anteriores. E isso foi por água na Vila Belmiro. O Santos teve facilidade para entrar e finalizar na área do Grêmio. Obrigou Vanderlei a trabalhar, acertou a trave, fora chutes errados. Isso só no primeiro tempo.

E, apesar dos erros da dupla de zaga nos pênaltis, isso se estende a todo o setor defensivo. O meio-campo não deu suporte necessário para proteger o time. Robinho só tem um desarme contabilizado no jogo, enquanto Thaciano tem três e Lucas Silva quatro. O líder do time foi Orejuela, com oito.

Contra a Católica, por exemplo, pela Libertadores, foram sete desarmes de Darlan e Matheus Henrique, cada. Robinho teve dois. As escolhas do treinador estiveram entre os assuntos mais criticados pelo torcedor nas redes sociais. O próprio treinador desfez o trio no intervalo ao sacar Robinho.

— Acho que o meio, achei o ideal para começar a partida. Thaciano estava afastado um pouco das pretensões do grupo pq estava para ser negociado. No momento que voltou, sempre nos ajudou, entrou no lugar do Darlan com o Lucas e o Robinho — defendeu o treinador.

Cléber Machado, Casagrande e Paulo Nunes analisam vitória do Santos sobre o Grêmio

O time melhorou depois da entrada de Isaque, no intervalo, mas consolidou o crescimento dentro do jogo com as entradas de Maicon e Diogo Barbosa. O volante, inclusive, foi porta-voz da necessidade de melhora da equipe.

“A gente sabe que não está bem no campeonato, nos cobramos bastante. Pela qualidade da nossa equipe, não podemos estar onde estamos. Temos que ter atitude, coragem. Estamos muito abaixo do que podemos produzir, mas é uma questão nossa” (Maicon)

Não foi melhor que o Santos, mas melhorou a ponto de levar perigo e empatar com uma jogada trabalhada pela esquerda com participação de Isaque, Diogo Barbosa e Pepê. De pé em pé, com movimentação e triangulações.

E bem neste momento ocorre o segundo pênalti, que gerou a vitória de Marinho. David Braz ainda fecharia a atuação com expulsão no último lance do jogo.

A atuação entra na lista das oscilações do Grêmio no Brasileirão. O Tricolor não consegue engatar vitórias consecutivas e tem a campanha abaixo da média. São 17 pontos conquistados e a 13ª colocação na tabela.



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