Omar Freitas / Agencia RBS

Na expectativa de poder vencer sua primeira Libertadores, o lateral-esquerdo Bruno Cortez diz viver a melhor fase de sua carreira no Grêmio. Contratado no início do ano a pedido do técnico Renato, o jogador de 30 anos, que tomou a titularidade de Marcelo Oliveira com atuações regulares, se diz mais experiente e completo após atuar por dois anos no futebol japonês defendendo o Albirex Niigata.

Em entrevista na manhã de sexta-feira a GaúchaZH, Cortez esbanjou bom-humor, contou histórias curiosas em seu período no Japão e também de sua festa de casamento em um fast-food no Rio. Além disso, falou sobre seu desejo de renovar contrato com o Grêmio, a retomada da carreira pelas mãos de Renato e também do que espera encarar nos jogos decisivos com o Barcelona de Guayaquil.

Como está sua negociação para renovar com o Grêmio?
Meu representante está negociando. Ele recebe muito bem para isso, é bem pago para resolver esta questão. Eu tenho que focar só em jogar e dar meu melhor. É questão de definir termos do contrato, o tempo. Eles estão acertando isso aí. Eu quero focar só em jogar, não posso levar isso para dentro de campo. O clube me paga para jogar, tenho que comer grama e dar a vida. Minha ideia é continuar. Minha família está feliz, eu estou feliz. Quero ficar muito tempo no Grêmio.

O que você espera dos jogos com o Barcelona de Guayaquil?
Acompanhei jogos deles contra o Botafogo, em que ganharam de 2 a 0, e os dois contra o Palmeiras. É um time muito rápido, que conta com extremas de velocidade. Um excelente atacante (Jonatan Álvez), que não vai atuar neste primeiro jogo. Mas eles também dão espaço. O Palmeiras teve várias chances de matar o jogo e não conseguiu. Por isso, foi para os pênaltis. Eles costumam jogar melhor fora de casa. Então, temos que ter foco e entrar ligados em campo.

O Grêmio recuperou vários jogadores este ano. Você, o Léo Moura, agora vieram Cristian e Cícero. Qual é o segredo?
Não foi só o Renato. Mas também o grupo, que é maravilhoso e abraça quem chega. Claro que tem a mão do Renato, um cara que dá confiança, dá total liberdade para você jogar à vontade, desde que com responsabilidade. Este trabalho ele não fez só comigo, mas também com outros jogadores que passaram por aqui.

Como foi sua negociação para vir ao Grêmio? Por pouco, você não acertou com o Náutico.
Estava tudo bem encaminhado para eu ir ao Náutico. Mas aí o Léo Moura e o Maicon entraram em contato comigo e disseram que estavam dando uma força para eu fechar com o Grêmio. Aí a direção conversou com meu empresário, deu tudo certo e eu pude vir para cá. Quando cheguei aqui, todos me acolheram super bem e me incentivaram. Cheguei aqui com a mentalidade de retomar o meu futebol com alegria e felicidade. Graças à Deus, pude fazer isso.

O Maicon jogou junto com você no São Paulo. E o Léo Moura, como conheceu?
Tive a felicidade de ser campeão da Sul-Americana com o Maicon no São Paulo. E o Léo Moura só de jogar contra, ou às vezes no final do ano quando ele fazia alguma pelada. Mas eu tinha mais intimidade com o Maicon, realmente.

Hoje, no Grêmio, você vive o melhor momento de sua carreira?
Tive uma fase muito boa no Botafogo, fui eleito melhor lateral do Campeonato Brasileiro (em 2011) e pude ir para a Seleção. No São Paulo, tive momentos maravilhosos, cheguei a fazer 74 jogos na temporada (em 2012), fui o melhor lateral do Paulista e ganhei a Sul-Americana. Tive bons momentos lá, só que no ano seguinte me emprestaram. No Grêmio, estou vivendo a melhor fase da minha vida. Me sinto um jogador completo, mas sempre buscando evoluir a cada dia.

Como é sua relação com o Marcelo Oliveira, seu concorrente pela lateral?
Nos damos super bem. Admiro e respeito muito o Marcelo. É um profissional de excelência. Sempre me deu apoio, brincamos e conversamos. Cada um respeita o momento do outro. Ele estava jogando, respeitei e fui trabalhar. Agora que estou jogando ele também está respeitando. Mas ninguém é titular, o Renato precisa de todo mundo pronto. Não precisamos só de 11 jogadores, precisamos de 30. É por isso que estamos bem no Brasileiro e na Libertadores.

Você estava no futebol japonês no ano passado. Como foi esta readaptação ao Brasil?
Foi muito boa. Lá no Japão, é um futebol de muita correria. Aprendi muito a compor o sistema defensivo com linha de quatro, posicionamento, e depois vir para cá, futebol gaúcho, com características de marcação e pegada, também me ajudou muito.

Lá você cresceu mais nas funções de defesa do que do ataque?
Com certeza. Lá se pratica um estilo parecido com o do futebol europeu, com a linha de quatro bem trabalhadinha e tinha sempre os pontas abertos, atacando bastante. Lá, meu primeiro objetivo era marcar e depois sair para o jogo. Meu forte sempre foi atacar. E vim para cá mantendo isso: marcação e só depois sair para o jogo com velocidade.

Em termos de cultura e visão de jogo, o que você aprendeu no Japão?
Lá, é um futebol muito intenso. A bola está no ataque, daqui a pouco está na defesa. É muito lançamento, muita correria. O jogo não para. Isso faz você estar sempre ligado no jogo. Se você cochilar um tempinho, a bola já está do outro lado. Aprendi em termos de convivência, horário. Lá eles são pontuais, tem horário de treino, de sair, de pegar o trem-bala.

Como você se virava com o idioma?
Eu falava pouco. Às vezes, quando saía para jantar com a família, eu não conseguia passar para eles o que eu queria. Então eu ligava para o intérprete ou usava o tradutor do Google. O bom é que eles ajudavam, só de tentar falar eles ficavam com o tradutor do Google também. Então, isso tornava as coisas mais fáceis.

E teve alguma história inusitada lá?
Teve sim. Uma vez a gente foi jantar em um restaurante brasileiro e, na saída, um japonês bêbado apareceu do nada e veio na minha direção. Estava me encarando e eu não entendia nada. Ele tirou a camisa, começou a bater no peito e a me chamar para briga. Eu saí correndo e entrei no meu carro. Ele foi atrás e começou a bater no carro. Aí um amigo meu afastou o cara, que caiu, acordou e foi embora. Eu disse a minha esposa: estou em outro país, imagina se eu faço alguma coisa. Quem ia me defender lá?

Outra história boa foi sua festa de casamento em um fast-food no Rio.
Naquela semana ia ter um clássico entre Botafogo e Vasco. Eu ia casar com minha esposa no cartório, mas não ia fazer festa. Cheguei de viagem na quinta, o casamento seria na sexta e no sábado eu ia concentrar. Fiz a cerimônia no civil e depois meu empresário naquela época disse que o cara do Habib’s tinha ligado para ele, oferecendo o lugar para eu fazer a comemoração. A gente foi para lá, umas 50 pessoas, tudo liberado. Esfiha, kibe, tudo. Era 0800 (grátis). O pessoal comeu à vontade e não reclamou. Tu imagina se eu faço uma festa top, o pessoal ia reclamar que não comeu e que não tinha sido atendido direito. O Habib’s era 24 horas e os convidados ainda ficaram lá até tarde (risos).

Quem convive com você no vestiário fala muito de seu bom-humor. Não tem tempo ruim contigo?
O principal é ser grato a Deus. Pelo ar que a gente respira, pela minha vida. Tenho o privilégio de estar em um clube grandioso e ter saúde. Porque vou vir treinar mal-humorado, chateado ou triste? Então, é trabalhar com alegria. Desde a época que eu jogava no Nova Iguaçu, no Rio, quando eu ia de trem para os treinos, eu ia com felicidade. Imagina agora aqui no Grêmio? Só tenho a agradecer pela família e pelo emprego que eu tenho.



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