Foto: Lucas Uebel

Não será novidade. Mais uma vez em 2017 Renato vai recorrer a Bressan para formar o setor defensivo ao lado de algum dos titulares incontestáveis, desta vez Geromel, com Kannemann por ora suspenso – há uma tentativa nos bastidores de reverter o cartão recebido no jogo da última quarta. Identificado com o Grêmio, o zagueiro ganha uma chance histórica na final da Libertadores contra o Lanús, mas também uma bomba para desarmar. Algo enfrentado pelo defensor desde seu primeiro jogo no clube gaúcho.

Neste ano, Bressan esteve em campo em momentos-chaves do time gremista por conta de uma lesão muscular de Pedro Geromel. Agora, deve ser o escolhido para a decisão na Argentina contra o Lanús no lugar de Kannemann, suspenso pelo terceiro cartão amarelo recebido na Arena. O Grêmio, no entanto, tenta a anulação do cartão nos tribunais da Conmebol, possibilidade que o próprio Renato admite ter poucas chances de sucesso.

Na lista das “pedreiras de Bressan” neste ano estão partidas decisivas. Encarou uma semifinal de Copa do Brasil e uma quartas de final da Libertadores, ambas longe da Arena. O Tricolor levou um gol nestes dois jogos, do Cruzeiro, na Copa do Brasil. Nesta partida, Bressan teve atuação destacada a ponto de recuperar certo prestígio com a torcida, que o apoiou muito no período prévio ao duelo.

– O Bressan foi vice campeão brasileiro comigo jogando praticamente 90% das partidas em 2013. Eu já conhecia, tinha plena confiança, é bom garoto, garoto que trabalha. Se todo o jogador que cometer erro, se for crucificado a cada erro, cada grupo precisa de 200 jogadores. Ele é do grupo do Grêmio. Ele e qualquer jogador que vai jogar, vai jogar muito bem. Ele entrou contra o Cruzeiro, mais de 40 mil pessoas, e foi um dos melhores em campo. É chamado, vai lá e tenta corresponder – defendeu Renato após o empate contra o Atlético-GO, neste domingo, na Arena.

Contra o Botafogo, a situação foi semelhante. Bressan fez um jogo seguro no Engenhão e não comprometeu em nada o Tricolor, que viria a se classificar ao vencer na Arena por 1 a 0, já com o retorno de Geromel ao time titular. Méritos do esforço do zagueiro e de Renato para recuperá-lo.

“Eu acho que sou um cara muito persistente. Teimoso, em certos momentos. É uma virtude e um defeito que tenho. Se eu começar a jogar bem, coisas positivas vão aparecer” (Bressan, após boa atuação contra o Cruzeiro)

O comandante, que o escalava já em 2013, na campanha do vice-campeonato brasileiro, sempre foi um suporte com palavras de apoio – como costuma ser com seus atletas. Bressan encontrou ali um trampolim para retomar melhores momentos na carreira. Esquecer especialmente o ano de 2016, quando ficou muito marcado pela torcida também por entrar em “fogueiras” como as deste ano.

– Eu acho que sou um cara muito persistente. Teimoso, em certos momentos. É uma virtude e um defeito que tenho. Se eu começar a jogar bem, coisas positivas vão aparecer. E não vai ser por isso que o Bressan vai ser o melhor jogador do mundo – pontuou o zagueiro, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com em setembro, após substituir Geromel contra o Cruzeiro.

Bressan foi titular nas quartas da Libertadores (Foto: André Durão)

No ano passado, Bressan foi titular gremista nas semifinais do Gauchão, contra o Juventude, e no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, contra o Rosario Central. Foi de titular em Porto Alegre a fora do banco na Argentina, após estar envolvido no lance do gol de Marco Ruben na derrota por 1 a 0. Contra o Juventude, também acabou apontado como um dos vilões da queda na semifinal, embora uma derrota dificilmente ocorra por conta de uma pessoa.

Mas Bressan carregou o fardo sozinho. Acabou emprestado ao Peñarol, do Uruguai, depois de outro jogo problemático, contra o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, mas voltou a pedido de Renato. Hoje, recuperou seu futebol a ponto de não ser mais alvo dos torcedores como antes.

O gosto de Bressan por desafios vem de tempos. Mal tinha sido apresentado ao Grêmio, em 2013, foi lançado como titular por Vanderlei Luxemburgo no duelo de volta da primeira fase da Libertadores, contra a LDU. O Tricolor saíra em desvantagem nas alturas de Quito, por 1 a 0. Devolveu o placar e conseguiu a classificação nos pênaltis. Acabou elogiado por uma apresentação na principal competição do continente um mês depois de trocar o Juventude pelo clube da capital.

Nesta semana decisiva, certamente repetirá o comportamento anterior ao jogo com o Cruzeiro, quando disse que não conseguia dormir pensando na partida. Uma final de Libertadores, afinal, marca a carreira. Fora do empate com o Atlético-GO, neste domingo, o zagueiro treinou com os titulares pela manhã. Volta a trabalhar na tarde desta segunda-feira, antes da viagem da delegação para Buenos Aires.



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