A pouco mais de um mês para o início do Brasileirão, a CBF finaliza os preparativos para a disputa do campeonato. A entidade que rege o futebol no país não tem, no momento, um plano B e trabalha com o final de semana de 8 e 9 de agosto para ter bola rolando pelas primeira, segunda e até terceira divisões. 

Confira a situação dos principais estaduais e o cenário da pandemia nestes locais

Para isso, aceitará partidas em cidades cujos times não estão nas competições, adaptará as tabelas para melhorar a logística e flexibilizará datas. Com essa realidade, serão os Estaduais a se adaptarem ao Nacional e não mais o contrário.

Até o mês passado, a ideia era terminar os torneios regionais e só depois começar os brasileiros. O entendimento era de que seria mais fácil fazer partidas entre equipes próximas, como um ensaio para uma competição que exigisse mais e maiores deslocamentos. Mas, com o andamento do ano e a falta de permissões para que a bola rolasse em 26 Estados e no Distrito Federal, foi necessário mudar o planejamento. 

Agora, o Brasileirão tem data para começar, e os torneios locais que não tiverem terminado é que adaptarão suas datas. Se o Gauchão for encerrado dentro de campo, a tendência é de que haja partidas em meio às Séries A, B e C. Por isso, não será surpresa se o campeonato for dado por encerrado e o Caxias declarado campeão, como já sinalizou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Entre as medidas adotadas pela CBF para dar início aos campeonatos, a mais importante é a sanitária. Os clubes precisam atender a todo o protocolo de segurança montado pela entidade, que teve colaboração de mais de 140 médicos. As determinações são semelhantes àquelas apresentadas nos países cujo futebol está em andamento e às propostas pela Federação Gaúcha (FGF), como portões fechados para torcidas, redução de profissionais nos jogos, higienização de ambientes, uso de máscara, entre outros.

Além disso, se pelo menos 80% das cidades que têm times nos campeonatos receberem permissão das autoridades para jogos de futebol, o início estará liberado. Mas isso não significa que um clube precise jogar apenas nesses locais. 

Um exemplo: se Porto Alegre não estiver liberada pelas autoridades de saúde, a dupla Gre-Nal pode mandar suas partidas em Caxias do Sul ou Florianópolis, se desejarem, e não em Curitiba (o município mais próximo a ter uma equipe na primeira divisão). O mesmo vale para a segunda e terceira divisões.

Outra alteração será na tabela de jogos. A ordem original, apresentada no início do ano, sofrerá alterações. Foi um pedido dos clubes para facilitar na logística. Afinal, quanto menos aeroportos e viagens, melhor. Assim, é possível que o Bahia, quando tenha de enfrentar Grêmio e Inter, já o faça na mesma “excursão”, permanecendo em Porto Alegre. 

Esse ponto, o da logística, é outro fator determinante para a CBF. A entidade diz que uma normalização da malha aérea é fundamental para a disputa, que garanta viagens para os clubes. O último dos requisitos é que haja três semanas de pré-temporada para todos os times.

— Consideramos um prazo suficiente a data apresentada pelo presidente Rogério Caboclo. É mais do que o dobro do que os europeus deram como preparação — avalia o diretor de competições da CBF, Walter Feldman.

Seu cálculo é de que os brasileiros tiveram a informação da retomada do campeonato 45 dias antes da data estipulada para o recomeço, contra 21 das principais ligas europeias. Com esse recomeço, mesmo com a retomada das competições sul-americanas e com jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo, o dirigente garante ser possível disputar as 38 rodadas, mantendo a fórmula de pontos corridos, em voga nos últimos 17 anos, e encerrando a temporada no final de fevereiro de 2021.



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