Matheus Beck

Montoya foi contratado com o status de titular. Para alguns, era o substituto direto de Ramiro na meia direita. Em sete partidas na temporada, entretanto, ele atuou em apenas três. Contra o São Luiz, entrou e fez um gol. Contra o Avenida substituiu Marinho e, contra o Brasil, começou como titular e saiu no segundo tempo. Só que a titularidade não é algo que preocupa o argentino.

Para ele, as experiências malsucedidas no Sevilla, da Espanha, e no Cruz Azul do México, serviram como aprendizado. No clube espanhol, atuou nos mesmos sete jogos que o Tricolor já fez na temporada, em um ano. No mexicano, mesmo ficando mais de uma temporada, entrou em campo 27 vezes e marcou o mesmo gol que já assinalou com a camisa gremista.

A razão para uma adaptação tão rápida e eficiente é a comunicação. Segundo Montoya, a abertura dada por Renato Gaúcho e pela comissão técnica é essencial para que ele entenda como o time gosta de jogar. Ao mesmo tempo, ele se sente à vontade de compartilhar como prefere atuar. Com esta linha direta, evita-se ruídos, e ele não precisa de intérprete para compreender os modelos de jogo.

– O corpo técnico vem conversando comigo. Falar, para mim, é importantíssimo, para que haja comunicação. Não quero apressar as coisas. Tenho a experiência de apressar e ficar meio ano fora. Vou trabalhar dia a dia com tudo. Joguei como titular na última partida. Me surpreendi, porque me senti muito bem. Não tanto pelo jogo, que foi duro, travado, feio por um momento. Mas fiquei feliz de ter ido bem, pois estava preocupado com isso. Tomara que tenha mais minutos. Quando Renato decidir que eu jogue, ele que manda – afirma.

Montoya em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação

Montoya em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação

A comunicação é um valor primordial para Montoya. No Cruz Azul, alguns ruídos entre o técnico Pedro Caixinha e ele deixaram-no desgostoso. Por isso, na nova casa, procura aprender a língua portuguesa e estar entrosado com os companheiros e com o novo treinador. O que Renato sabe lidar como poucos.

– Com Renato, falamos. Ele disse que não iria me apressar, que iria me preparar. Esta comunicação que existe é muito boa. Pela minha experiência, está ótimo. Meu foco é trabalhar, dar 100% nos treinos e esperar a minha chance – garante Montoya.

A única escolha “discutível”, segundo o compatriota Kannemann, foi o novo endereço. De acordo com o zagueiro, a casa do meia é distante das demais, o que dificulta os encontros nas folgas:

– Ele foi morar muito longe. Para marcar um churrasco, fica difícil. Mas é gente boa e está se dando muito bem com todo mundo.

O ex-jogador do Rosário Central não vislumbra a partida com o ex-time ainda, na estreia gremista na Libertadores. O foco é no Veranópolis, na próxima segunda-feira, às 20h, na Arena. Ele pode começar como titular, assim como em Pelotas, mas a tendência é ser opção a Marinho no segundo tempo. Como ele mesmo diz, depende de Renato. E Renato ainda está no Rio de Janeiro.



Veja também