Quem conhece bem Luiz Fernando sabe que a sua timidez é apenas fora de campo. O atacante se transforma e diz ser impossível se manter introspectivo dentro das quatro linhas. O ídolo de Tocantinópolis, interior do Tocantins, onde nasceu, bateu um papo exclusivo com o ge e comemorou a boa fase que vive no Grêmio.

O atacante foi destaque na goleada de 8 a 0 contra o Aragua na semana passada, ao marcar dois gols, sofrer um pênalti, dar uma assistência e cruzar para o gol contra dos venezuelanos. Ele foi titular diante do Caxias e seguirá assim contra o Lanús, nesta quinta-feira, às 19h15, na Arena, pela Sul-Americana.

Luiz Fernando Moraes dos Santos é um jovem de 24 anos de poucas palavras ao conversar com a imprensa por vídeo. Mas basta que calce as chuteiras e vista o uniforme tricolor para defender com unhas e dentes o Grêmio.

Luiz Fernando em ação contra o Caxias na semifinal do Gauchão — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Luiz Fernando em ação contra o Caxias na semifinal do Gauchão — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Quem assiste ao enérgico Luiz dentro de campo pode estranhar o convívio diário de um garoto fechado. A timidez o acompanha até mesmo quando visita Tocantinópolis, cidade em que nasceu e é tido como ídolo pelos conterrâneos. O município fica no norte de Tocantins, a mais de 550km da capital Palmas.

Uma larga distância para que já viveu em Goiânia e Rio de Janeiro, ao atuar por Atlético-GO e Botafogo. Até para na capital gaúcha Porto Alegre, onde vive sua melhor fase no Grêmio. Ele tem escutado atentamente as conversas reservas com o técnico Tiago Nunes para manter sua evolução.

Luiz Fernando chegou em Porto Alegre em agosto de 2020 com empréstimo junto ao Botafogo, clube que detém seus direitos. Em fevereiro ele teve uma lesão grave no tornozelo esquerdo e voltou após quase dois meses de recuperação.

Pelo Tricolor, o atacante jogou 36 partidas e marcou três gols. Ele renovou seu contrato e está emprestado pelo Fogão ao Grêmio até o fim de 2021.Sou um pouco tímido, mas quando entro em campo, eu defendo o meu. Não tem como ser tímido lá dentro. Se for tímido, vai sofrer. Quando entro lá, a timidez fica de lado. Eu faço tudo para defender o Grêmio. O que tiver que fazer. Vou brigar, lutar, dar carrinho— Luiz Fernando

Confira o bate papo:

ge: Luiz, você considera que vive sua melhor fase no Grêmio?

Luiz Fernando: Me sinto muito bem, muito confiante. Diria que é minha melhor fase, sim. Penso que daqui para frente as coisas vão melhorar. É trabalhar no dia a dia para poder estar ajudando meus companheiros e ao Grêmio em chegar cada vez mais longe.

Ao que você deve essa fase boa?

É muito trabalho. A gente vem trabalhando para essa oportunidade, passei um bom período machucado. Continuei trabalhando forte e firme. Quando o professor precisou de mim, eu estava à disposição. Ajudei a equipe da melhor maneira e espero dar sequência no meu trabalho.

Como você enxerga essa preferência e oportunidades que teve com o ex-técnico Renato e agora com Tiago Nunes?

Sobre isso, conquistamos no dia a dia, nos treinamentos, no trabalho mesmo. Procuro conversar com os mais velhos também para ajudar a gente. Se tenho uma dúvida, chego no professor (Tiago) e conversamos. Isso conta muito no dia a dia.

Você tem conversas reservadas com o técnico Tiago, isso?

Sim, a gente conversa bastante. Ele sempre nos treinamentos busca corrigir a gente, temos melhorando mais e mais. Às vezes ele me puxa num canto para falar comigo, busco prestar bem atenção nas orientações dele, para quando estiver no campo, fazer da melhor maneira possível.

Com essa boa fase, quais são seus objetivos na temporada?

É sempre ajudar o Grêmio, poder jogar bem, ajudar os companheiros, para que no final do ano possa dar tudo certo. Deus sabe o que tem preparado para mim. Procuro no dia a dia evoluir, melhorar, para que seja um ano de muitas vitórias, muitas conquistas, com fé em Deus.

Com a família, você é bem tímido pelo que sabemos. Mas dentro de campo é diferente. Como é isso?

É (risos), eu sou um pouco tímido. Mas quando entro em campo, eu defendo o meu, lá dentro é diferente. Não tem como ser tímido lá dentro. Se você for tímido lá, vai sofrer. Quando entro lá, a timidez fica de lado e eu faço tudo para defender o Gremio. O que tiver que fazer, vou fazer, brigar, lutar, correr atrás, dar carrinho, fazer gol, dar assistência. Lá dentro é tudo diferente. Cada um briga pelo seu espaço. Eu procuro defender o Grêmio da melhor maneira possível.

Como foi sair de Tocantinópolis, uma cidade pequena, para viver em grandes centros, como Rio de Janeiro e Porto Alegre?

(Tocantinópolis) É uma cidade muito pequena, tem cerca de 21 mil habitantes. Desde quando saí de casa, meu pai sempre conversou comigo para eu buscar meus sonhos e objetivos. Sempre tento me adaptar o mais rápido para poder jogar. Às vezes no começo fica com aquilo, um “receiozinho”, mas depois vamos embora, pegamos confiança. Sempre onde joguei fui bem recebido pela equipe, pelos dirigentes, pelo pessoal todo. Isso facilita bastante a adaptação.

Na sua cidade Natal eu soube que você é um ídolo, tipo celebridade. Como é isso, sendo que você é bem tímido?

Quando chega lá sou bem tratado. Pessoal gosta muito de mim. Até lá na cidade sou tímido (risos). Os caras falam “perde essa timidez”. Mas isso vem de mim. Fico muito feliz de ver esse reconhecimento, pessoal da minha cidade sempre me apoia. Isso é muito bom, ajuda bastante. É muito gratificante você chegar na sua cidade e ver que é um espelho para as crianças que estão crescendo. Fico muito feliz, espero dar mais alegrias ainda para o pessoal de Tocantinópolis.

Ainda tem o jogo contra o Lanús nesta quinta-feira, mas qual a projeção que você faz para o Gre-Nal?

Sabemos que Gre-Nal é um jogo difícil, de detalhe. Mas a gente não pode esquecer que temos um jogo difícil contra o Lanús. Depois de quinta-feira pensamos no Gre-Nal. Gre-Nal é um jogo à parte, um jogo atípico. A gente já vem se preparando para esses tipos de jogos, para quando entrar no campo no domingo, fazermos o nosso melhor.



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