Lucas Silva engata sequência com Roger e vira figura central do Grêmio em decisões pelo Gauchão

Volante supera início sem muitas chances com o técnico, dá nova cara ao meio de campo a partir do Gre-Nal em que foi atingido por um celular e faz gol da vitória no primeiro jogo da final

30 de março de 2022 - Às 08:46
Foto: Lucas Uebel/Grêmio

De opção secundária a titular e autor de gol em final. O volante Lucas Silva subiu rapidamente no conceito do técnico Roger Machado e engatou o terceiro jogo consecutivo no meio de campo tricolor. O pênalti convertido para a vitória de 1 a 0 sobre o Ypiranga, no primeiro jogo da final do Gauchão, foi um novo capítulo na ascensão do volante e símbolo da retomada pessoal.

Lucas Silva terminou 2021 como titular absoluto do então técnico Vagner Mancini. Assim começou 2022, mas ao lado de Thiago Santos. A troca no comando da casamata gerou uma nova situação para o jogador de 29 anos.

Nas duas primeiras partidas após o retorno de Roger, o volante atuou por apenas 17 minutos – cinco contra o Mirassol e 12 diante do São Luiz. Na sequência, ficou no banco de reservas frente a Novo Hamburgo e Inter. Depois, jogou mais 11 minutos na vitória sobre o Ypiranga, na primeira fase.

A partir dos Gre-Nais da semifinal do Gauchão, no entanto, ganhou a vaga no meio-campo ao lado de Villasanti e Bitello. Foi quando o treinador entendeu que precisava fortalecer o setor, mas também resolveu tirar Thiago Santos do time.

– Partimos do princípio dos dois Gre-Nais. Conseguimos entender melhor o trabalho do Roger, ter uma equipe mais consistente. A partir disso, treinamos bastante. Encaixou melhor nos treinamentos, nas palestras. Fez com que a gente chegasse aqui (em Erechim), mantivesse a postura e conseguisse um bom resultado – disse Lucas depois da vitória de sábado.

A mudança na escalação também gerou um posicionamento diferente. Lucas Silva poderia ser o volante centralizado no tripé de Roger, mas Villasanti acabou recuado para a função. O camisa 16 joga em uma linha mais à frente, ao lado de Bitello.

A reviravolta de Lucas Silva é tão grande que ele foi pivô também de um fato pitoresco no Gre-Nal vencido pelo Grêmio por 3 a 0, o primeiro da semifinal do Gauchão. Na comemoração do terceiro gol em pleno Beira-Rio, teve um aparelho celular arremessado contra o rosto.

Como consequência, teve cortes na boca, no nariz e precisou ser substituído nos minutos finais de partida. Apesar de não se ferir com gravidade, o jogador fez um desabafo contra a violência no futebol e seus desdobramentos. O autor do ato já foi identificado.

“Malandragem” à la Chelsea

O gol de pênalti marcado sobre o Ypiranga abre novo capítulo na retomada do atleta. É o primeiro dele em 2022. E só saiu porque Diego Souza, o batedor oficial, já não estava mais em campo. Lucas chamou a responsabilidade nos acréscimos para colocar o Grêmio em vantagem na final.Apontamos na palestra. Já estava definido. Além da confiança do Lucas, que chamou a responsabilidade e disse: “deixa para mim, professor”.— Roger Machado, técnico do Grêmio

Mas há também uma outra história dos bastidores da cobrança. Imediatamente após a marcação da infração por Anderson Daronco, o zagueiro Bruno Alves correu para a área , pegou a bola e se posicionou próximo da marca do pênalti.

O ge confirmou que foi uma atitude pensada para evitar a pressão no cobrador, como o Chelsea fez na final do Mundial. Contra o Palmeiras, o espanhol Azpilicueta ficou com a bola sob o braço, mas Havertz cobrou e converteu.

Além disso, havia preocupação com o estado do campo na área da marca da cal. Na semifinal, o Ypiranga encarou uma penalidade marcada a favor do Brasil de Pelotas, e o Grêmio observou que atletas do Canarinho tentaram danificar o gramado antes da cobrança, defendida pelo goleiro Edson.

A vitória por 1 a 0 no Colosso da Lagoa dá vantagem para o Grêmio na segunda partida da final do Gauchão, a ser realizada no próximo sábado, na Arena. Com um empate, o Tricolor é campeão gaúcho pelo quinto ano consecutivo.



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