Kannemann revela desconforto com demissões no Grêmio e dispara: “Dá raiva”

Zagueiro argentino concede entrevista e se mostra incomodado com mudanças na comissão técnica, com a troca de vários profissionais

17 de janeiro de 2020 - Às 12:00
Foto: Eduardo Moura

As mudanças realizadas pelo Grêmio na comissão técnica, com sete demissões desde o reinício dos trabalhos, tiveram repercussão no grupo de jogadores. O zagueiro Walter Kannemann concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira e se posicionou de maneira contundente ao ser questionado. Criticou a postura da diretoria nas saídas, citou que há pessoas que só “cumprem horário” que ficaram e se disse “triste” e com “raiva”.

O Tricolor efetuou sete demissões: o preparador físico Rogério Dias, o preparador de goleiros Rogério Godoy, o fisioterapeuta Henrique Valente, os fisiologistas Rafael Gobbato e José Leandro, a nutricionista Katiuce Borges e o assessor de imprensa João Paulo Fontoura. Kannemann saiu em defesa de todos na primeira pergunta.

– Estou muito triste e chateado com o que tem acontecido, com a saída e o jeito da saída de pessoas que deram muito pelo Grêmio. Foram 10, 15 anos de Grêmio. Sempre pensaram no clube, na camisa, em tentar fazer o melhor pelo Grêmio. É muito triste. Pessoas que sempre pensaram no clube antes do pessoal. Mostrar meu respeito e agradecimento e desejar a força para que continuem, são grandes profissionais – disse, antes de completar:

– Dá raiva também pessoas que saem que desde o primeiro momento que cheguei, mostraram o sentimento de ser gremista, a moralidade de ser gremista, o jeito de se comportar, trabalhar e a união. Dá raiva, algumas pessoas como essas ter de sair, e outras que não posso falar o mesmo, que trabalham do outro lado, que cada atitude que tomam não representam essa camisa. Vem acontecendo faz tempo. Não considero uma mudança normal, com pessoas que deram tanto pelo clube. Acontece, o clube vai continuar. Mas não queria deixar de passar isso que aconteceu e vem acontecendo faz um tempo – disparou Kannemann.

“Dá raiva, algumas pessoas como essas ter de sair e outras que não posso falar o mesmo, que trabalham do outro lado, que cada atitude que tomam não representam essa camisa. Vem acontecendo faz tempo” (Kannemann)

Kannemann, zagueiro do Grêmio — Foto: Eduardo Moura

Kannemann, zagueiro do Grêmio — Foto: Eduardo Moura

O defensor também citou que o trabalho segue com o planejamento deixado pelo preparador físico Rogério Dias e que o elenco irá seguir com a intenção de conquistar títulos em 2020. No entanto, não escondeu o incômodo e alertou que o ambiente de união e harmonia interna é fundamental para manter um ciclo vitorioso no clube.

– Um aqui para conseguir títulos, como temos conseguido, para manter o nível e brigando lá em cima, não é só trabalhar e dar o máximo. É se doar dia a dia. Não é só cumprir horário, tem que colocar o “plus”. E essas pessoas colocavam. Ficamos tristes com pessoas que saem e e outras que não colocam esse “plus” continuam. São coisas que não podemos deixar passar – criticou.

Veja mais trechos da entrevista

  • De quem são as atitudes que incomodam

“Não é incomodando o Kannemann… São atitudes dentro do clube, que não vamos falar de nomes e números porque nunca falamos, mas só venho mostrar meu respeito às pessoas que trabalharam comigo e ajudaram tanto a mim e aos companheiros. Só isso”.

  • Desafio para a temporada

“O principal desafio é o mesmo de todos os anos, fazer uma pré-temporada boa, entrar focado, disputar cada competição para conseguir o título. Sabemos que não é fácil, mas entramos para ganhar. Depois vemos o que acontece em campo para conseguir o melhor resultado dentro de campo”.

  • Mais sobre as mudanças

“Eu venho falar do valor que as pessoas tiveram. Acontecem mudanças em todos os clubes, mas elas mereciam algumas palavras e reconhecimento. E o que brindaram para nós. É o que eu estou fazendo aqui. Daqui para frente, os clubes continuam, não importa quem vista a camisa. O clube continua. Só achei importante reconhecer o trabalho”.



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