Em uma das tantas conversas olho no olho, Renato Portaluppi deu a camisa 10 do Grêmio a Jean Pyerre. E ele a vestiu como sua segunda pele. Como se ela fosse sua há muito tempo.

O meia estreou a nova numeração na vitória por 4 a 2 sobre o Ceará, no último sábado, na Arena, pela 21ª rodada do Brasileirão. E fez jus – com sobras – ao número. Foi o senhor do jogo. Um camisa 10 em essência.

Jean abriu o placar com um golaço de falta, ao cobrar com muita categoria no ângulo guardado por Fernando Prass. Depois, deu uma assistência milimétrica em cruzamento para Churín fechar a conta no segundo tempo.

Jean Pyerre, o novo camisa 10 do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Jean Pyerre, o novo camisa 10 do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

No meio-tempo entre esses dois lances de protagonismo, o camisa 10 foi o verdadeiro maestro da equipe. A bola sempre passou por seu pé, e ele ditava o ritmo das ações, orquestrando as jogadas de ataque. E ainda participou dos outros dois gols do Grêmio na partida.

No gol de Pepê, o meia rouba a bola na entrada da área e serve Luiz Fernando para a assistência. No de Diego Souza, Jean cobra rápido o lateral para o Luiz Fernando dar novo passe para gol, agora para o centroavante.

Em outras palavras, Jean fez tudo o que Renato Portaluppi esperava quando lhe deu a camisa 10. O gesto veio em forma de incentivo e também de responsabilidade para o meia.Mais um sonho realizado— Jean Pyerre, sobre vestir a 10 do Grêmio

A mudança foi muito maior do que a simples troca de número. Tem a ver com toda a simbologia para um meia que é lapidado desde cedo nas categorias de base para ser um armador clássico.

Renato valoriza os esforços e as boas atuações recentes do meia após um período conturbado. De setembro do ano passado para cá, o jogador teve três problemas musculares – dois deles recentemente.

E ainda viveu um drama pessoal. Jean Pyerre teve de ficar alguns dias afastado para cuidar do pai, Eduardo, diagnosticado com Covid-19. Ele chegou a ser internado e esteve à beira da morte devido a complicações O próprio jogador também contraiu a doença transmitida pelo coronavírus.

A camisa 10 também serve para aproximar comandante e comandado. Jean Pyerre se sentia preterido pelo chefe, algo refletido em declarações sobre o meia ter “culpa no cartório” em relação à recuperação das lesões e outras cobranças internas.

Tudo isso foi superado na base de muita conversa. A camisa 10 vem em forma de incentivo e também de cobrança. Renato trata de dar mais responsabilidade ao meia para participar do jogo de forma coletiva. Se doar mais para o grupo do que para si próprio.

–É justamente isso. Todos precisam de responsabilidade maior. Por isso converso com ele, dou a 10. Ele aprendeu, infelizmente, com o problema da família. Teve problemas de lesões. Ele sabe que tem o carinho do presidente, do treinador, do grupo. Futebol ele tem. Mas não adianta só futebol. Tem que ter responsabilidade – afirma Renato.Tem que ter responsabilidade. Fazer o que o treinador pede, o que é bom para o grupo. Não o que é bom para ele. Falei com ele. Tem todas as condições de jogar na Europa, chegar à Seleção. Importante é que tem escutado e tem feito— Renato Portaluppihttps://e4727bef8149e3908d8ece1d6db29aec.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Jean Pyerre supera drama com o pai, vítima da Covid-19, e faz homenagem após o gol

Antes de vestir a 10, Jean havia marcado de pênalti um dos gols do Grêmio na vitória por 2 a 1 sobre o Cuiabá, na Arena Pantanal, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil. São três gols em 19 jogos na temporada – o outro foi no Gre-Nal da retomada do futebol.

O Grêmio volta a campo na próxima quarta-feira, às 16h30, quando enfrenta o Cuiabá, na Arena, pelo segundo jogo das quartas de final da Copa do Brasil. O Tricolor venceu a ida por 2 a 1 e joga por um empate.

Pelo Brasileirão, a equipe tem pela frente o Corinthians no domingo, às 20h30, na Neo Química Arena, pela 22ª rodada. O Grêmio é sétimo colocado, com 33 pontos.



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