Mesmo longe, Jael guarda o carinho e o desejo de voltar a jogar pelo Grêmio. Hoje atacante do Matsumoto Yamaga, do Japão, o jogador participou de uma live no Instagram na última segunda-feira e revelou a “difícil” escolha de deixar o Tricolor.

Jael foi vendido ao FC Tokyo em fevereiro de 2019 e assinou até 2021. Agora, está emprestado ao Matsumoto. Com 31 anos, o atacante deixou clara a vontade que tem de voltar ao Grêmio.

live Jael, Grêmio, Japão — Foto: Reprodução/Instagram

live Jael, Grêmio, Japão — Foto: Reprodução/Instagram

O bate-papo com um amigo na rede social durou quase uma hora. Jael respondeu também perguntas de torcedores sobre o Grêmio, a passagem pelo Bahia e a adaptação no Japão. No final da live, antes de sortear uma camisa do atual clube, o atacante contou que pretende ser pescador profissional quando se aposentar.

Confira trechos do bate-papo:

Qual a chance de voltar para o Grêmio e qual o sentimento que ficou quando saiu?

Jael – Foi difícil, uma escolha muito difícil. Estava vivendo um momento maravilhoso. Saí com dever cumprido. Dei tudo que podia dar naquele momento para o Grêmio. Lógico que ninguém quer sair do seu país, a cidade que gosta, do time que tem respeito. Saí com o coração apertado. Não sei se um dia vou voltar para o Grêmio, mas se eu não voltar, acho que pude aproveitar todos momentos que vivi. Voltar não depende só de mim, se dependesse só de mim já tinha voltado há muito tempo. Tenho quase dois anos de contrato, estou emprestado, pretendo cumprir, fazer um bom ano. Meu pensamento é esse.

Ainda tem vontade de jogar no Bahia?

Conversei várias com meu pai que tinha o sonho, antes de encerrar minha carreira, de jogar no Bahia.O ano de 2009 que passei foi muito importante. O momento que o clube vivia era difícil, brigando para não cair, fiz bons jogos e gols importantes na reta final da Série B. Até me arrepio de falar do Bahia. Mas não sei se meu sonho vai ser realizado um dia, mas sou muito satisfeito e grato a Deus pelo o que vivi no Bahia.

Qual sua melhor lembrança jogando com a camisa do Grêmio?

Foge um pouco do que as pessoas vão imaginar, mas já falei para algumas pessoas que foi o jogo contra o Barcelona de Guayaquil na semifinal da Libertadores, um pouco depois da minha volta de lesão. Vivia um momento difícil de ser contestado. Naquele jogo eu não ia ir, não ia entrar no banco. Entrei sendo vaiado, mas no meu primeiro lance fui para marcar, tomei a bola e a torcida já me abraçou. A partir daquele momento mudei minha história, olhavam para mim de uma forma diferente.

Jael com Renato Gaúcho, técnico do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Jael com Renato Gaúcho, técnico do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Aquele gol no Gre-Nal foi o teu mais bonito? E sua comemoração foi copiada por alguns aí?

Surpreendi alguns. Mas a quem me conhece não surpreendi. Em todos clubes onde joguei, sempre bati falta. Falei após o jogo que só não batia falta no Flamengo porque não tinha como. Era Ronaldinho, Thiago Neves. Da comemoração, acho que tem para todo mundo. Se criou uma polêmica, mas é do futebol. Se não tiver uma resenha, não anda. Não me incomoda. Naquele momento no Grêmio tinham vários que podiam bater, quando o Luan deixava (risos). Ele é fominha, guri gente boa demais.

Com "calorão" na Arena, Grêmio vence clássico contra Inter por 3 a 0

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O que a Libertadores de 2017 significou para ti?

O sonho de toda criança sul-americana é ser campeã da Libertadores É o que eu falo: cheguei no Grêmio contestado, desconfiança muito grande, aí veio a lesão, sete meses parado. A volta por cima naquele ano foi muito gratificante pra mim. Joguei o Mundial de Clubes, a final, a semifinal fiz um jogo muito bom. Foi um marco na minha vida.

O quanto você atribui ao Renato Gaúcho essas conquistas?

O que ele fez por mim no Grêmio, acho que poucos fariam. De colocar um jogador na semifinal da Libertadores, que recém tinha voltado de uma lesão de sete meses. Me colocou porque me conhecia, acreditava. Sou grato a Deus pela oportunidade do Renato de abrir as portas do Grêmio para mim.

Pretende encerrar a carreira no Grêmio ou algum clube brasileiro? Pretende jogar na Seleção?

Começando pelo final, o desejo todo mundo tem (de jogar na Seleção), mas tem que ter os pés no chão. Meu sonho não se realizou, mas sou grato a Deus por tudo que fez na minha vida até hoje. É difícil falar em encerrar a carreira no Brasil, não sei quanto tempo tenho de futebol. Mas não sei se vai ser no Grêmio, no Brasil, no Japão. Lógico que tenho o desejo de encerrar a carreira no Grêmio, mas não depende só de mim.

Como foi sua adaptação no Japão?

Tecnicamente, os japoneses são bons jogadores. A diferença é mais na parte física, aqui eles correm muito, é o jogo inteiro. O nível técnico está um pouco abaixo do futebol brasileiro. A adaptação foi difícil. Ano passado tive uma lesão que me deixou fora por três meses e pouco, depois outra lesãozinha. A vida foi tranquila, qualidade de vida é boa, tem tudo de alimentação. Não se preocupa com alimentação, segurança, com nada.

Como está sendo sua rotina aí no Japão com essa crise do coronavírus?

Estou com a minha família, minha esposa, duas filhas, minha mãe. Aqui no Japão, chegou uma informação, o primeiro ministro disse que Tóquio, algumas outras cidades, entraram de quarentena. Mas aqui aparentemente funciona tudo. É uma cidade no interior. Estou treinando. O campeonato parou agora, a princípio volta dia 6 de junho. Não sabemos como fazer, depende do clube. Dependendo do lugar que vou, chego em casa e tomo banho direto. Nos cuidamos bastante. Todo lugar tem álcool gel.

O que você vai fazer quando encerrar a carreira?

A princípio, depois da bola vou virar pescador profissional. Eu não faço a mínima ideia. Lógico que tenho planejamento pós-carreira, mas não faço a mínima ideia. Brinquei com a minha filha, vou viajar o Brasil inteiro pescando. Até tento aqui. Gosto tanto de pescar que aqui perto tem um monte de lago. Eu sei que não vou pegar nada, está quase congelando, mas vou lá, fico lá umas duas horas, vou para passar o tempo.



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