Guaporé, Tóquio e Humaitá, o trajeto da lenda Renato Portaluppi

Herói das maiores conquistas do Grêmio como jogador levanta a taça da Copa do Brasil como técnico tricolor

8 de dezembro de 2016 - Às 00:46
Foto: Jefferson Bernardes
Foto: Jefferson Bernardes

O menino atrevido de Guaporé, antes de alçar o Grêmio ao topo do mundo, brilhar nos gramados com dribles e gols vestindo a camisa 7 do Tricolor e devolver a alegria ao torcedor gremista na noite desta quarta-feira viveu uma odisseia. Renato Portaluppi deixou Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, atrás de um sonho igual ao de outros tantos meninos: ser jogador de futebol. A concretização começou nos juvenis do Grêmio, onde rapidamente sua habilidade e ousadia despontaram. Foi promovido aos profissionais em 1982, mas a consagração como atleta veio em 1983, ano em que o Brasil e o mundo se renderam a ele e ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Na final da Libertadores contra o Peñarol, Renato domina a bola na ponta-direita, faz duas ou três embaixadinhas e, como um foguete, cruza para dentro da área. Cesar dá a cabeçada certeira. Gol do título. Na final do Mundial Interclubes em Tóquio, Renato entortou zagueiros, driblou marcadores, anotou os gols da vitória contra o Hamburgo e pintou a Terra de azul, preto e branco. O ídolo vira mito. Ele ainda venceu dois Gauchões, 1985 e 1986, antes de ir embora. No começo da década de 90 teve uma passagem rápida pelo Tricolor. Viu o rival vencer o Gauchão de 1992 e se despediu. Depois disso foram longos anos afastados do Tricolor, da sua gente. Mesmo distante, o coração de Renato nunca deixou de torcer pelo Grêmio.

Foto: Mauro Schaefer
Foto: Mauro Schaefer

Em 2010, Renato voltou a pisar no gramado do estádio Olímpico em 2010. Foi grande a emoção. Renato foi contratado para comandar o time no lugar de Silas. O cenário era complicado. O time estava mal. Ele tirou o Grêmio do Z-4 e deixou no G-4. Porém, sem reforços, a campanha na Libertadores terminou nas oitavas-de-final. Mas, o que mais doeu no treinador e na torcida foi a perda do Gauchão para o Inter dentro do Olímpico. O Tricolor havia vencido o primeiro clássico por 3 a 2 no Beira-Rio, mas foi derrotado em casa pelo mesmo placar. Nos pênaltis, os gremistas viram o arquirrival dar a volta olímpica. O técnico chorou feito criança. De dor. Dois anos depois, ele foi novamente chamado. O cenário era o mesmo de 2010: equipe instável. E outra vez fez bonito. Encerrou o Brasileirão em segundo, mas não seguiu no cargo. Na despedida, chorou outra vez.

Em 2016, ele assumiu o time, que para variar estava num momento ruim no Brasileirão. Sequência de derrotas. Começavam a questionar e duvidar da qualidade do grupo tricolor. Renato, com seu jeito sereno e falando a língua dos jogadores, arrumou a casa. Aprimorou o time. Corrigiu as falhas, especialmente a bola áerea; Ele fez de Kannemann um dos maiores zagueiros em atividade no Brasil. Mais ainda: devolveu a força e a garra. Incutiu a vontade de ganhar nos jogadores. A verdade é que ele queria ser campeão diante da sua torcida. Ele, que na carreira como treinador havia conquistado apenas um título, – campeão da Copa do Brasil em 2007 com o Fluminense, estava engasgado.

Renato é pura felicidade, êxtase. Como o menino que deixou Bento para se tornar um ídolo. Se no passado foram seus gols e dribles que fizeram o Grêmio brilhar, hoje é através das suas mãos e ideias que o Grêmio foi reconduzido ao Olimpo. O mito agora vira lenda.

Fonte: Correio do Povo



Veja também