A Arena da Baixada tem sido de fato palco de frustrações para o Grêmio. A derrota por 2 a 0 para o Athletico, na noite desta quarta-feira, não tira a situação confortável do clube gaúcho, que está a uma vitória de se garantir na fase de grupos da Libertadores em 2020. A derrota, no entanto, expõe carências no elenco e deixa recados já para 2020.

Mas a vaga já poderia estar nas mãos do Tricolor. Escapou porque, mais uma vez, o time foi praticamente anulado em campo e não encontrou soluções contra o Furacão.

O placar foi o mesmo da derrota na semifinal da Copa do Brasil, quando o Tricolor acabou eliminado. O desempenho, muito semelhante. Os confrontos com o Athletico servem de recado para 2020.

Em comparação com o Grêmio, o rubro-negro paranaense não tem mais dinheiro para contratar ou estrelas em seu elenco. Ainda assim, demonstrou superioridade coletiva em dois dos quatro confrontos, os mais decisivos.

Everton é bloqueado por Thiago Heleno — Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Everton é bloqueado por Thiago Heleno — Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Peças não dão resposta

No Paraná, Renato insistiu em nomes marcados pela torcida gremista, casos de Galhardo e Michel, especialmente, e na sua ideia de sempre. Na lateral, no entanto, não havia muita alternativa.

Léo Moura não suporta uma sequência de jogos em curto espaço. Por isso foi preservado para o duelo com o São Paulo, no domingo. Só que foi em uma tabela de Márcio Azevedo com Rony, em cima de Galhardo, que o Athletico abriu caminho para a vitória. Mais um atestado de que o Grêmio precisará contratar para a posição em 2020.

“O mais importante é que continuamos no G-4. Temos dois jogos em casa e podemos carimbar a passagem direta para a Libertadores. (Renato)

Galhardo em derrota do Grêmio para o Athletico — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Galhardo em derrota do Grêmio para o Athletico — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

No meio-campo, o treinador voltou a apostar na estatura de Michel para substituir Maicon, também preservado. Ele ainda reluta em colocar Matheus Henrique e Darlan juntos, uma dupla mais baixa.

O fato é que, além das trocas feitas por Portaluppi, o time sucumbiu como um todo. Nem mesmo Everton teve chance de usar a velocidade e o drible para ser o escape na Arena da Baixada.

A pressão sobre os volantes amarrou outra vez o Grêmio. Matheus Henrique ficou sobrecarregado. Os passes saíam cada vez mais para trás e o chutão virou solução.

Michel voltou a irritar gremistas — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Michel voltou a irritar gremistas — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

— Temos que ficar com a bola, estamos dando muito balão. Não é nosso estilo de jogo. Tem que voltar a fazer o que estamos acostumados — profetizou Alisson, ainda no intervalo da partida.

Mas nada mudou no intervalo. Com um minuto do segundo tempo, Paulo Victor já trabalhava para evitar o segundo gol do Athletico, que viria mais tarde, em pênalti cometido por Matheus Henrique – e bastante criticado pelos gremistas.

A melhor chance veio em cabeçada de Michel, após escanteio. A expulsão de Diego Tardelli foi a cereja num bolo que desandou em Curitiba.

Renato minimiza

Renato Gaúcho, porém, não se desespera com o rendimento como visitante. Além da derrota para o Athletico, o Grêmio bateu o Palmeiras fora de casa e retorna a Porto Alegre com três pontos em dois jogos na bagagem. O treinador prefere relativizar os resultados.

— Antes de sair de Porto Alegre, se me perguntassem: “você quer dois pontos nestes dois jogos?”. Eu aceitaria. Conseguimos três! É difícil para o Grêmio, é difícil para todo mundo. Mas o Grêmio depende de si. Quem tem que ficar desesperado é quem está lá atrás, brigando pelo G-6 ou de repente nem vai entrar (na Libertadores) — explicou Renato.

O Grêmio volta para Porto Alegre na tarde desta quinta-feira e treina na manhã de sexta. O próximo compromisso será contra o São Paulo, que entra em campo nesta noite diante do Vasco, no complemento da 35ª rodada. O jogo será na Arena, às 19h de domingo.



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