Foto: Jefferson Botega

Em um ano que prometia apenas agruras, um título pode dar a tranquilidade que o Grêmio precisa para enfrentar seus desafios. Na Arena, diante de 43 mil pessoas, o time venceu o Ypiranga por 2 a 1, confirmou a vantagem do jogo de ida e conquistou, pela 41ª vez em sua história, o título do Campeonato Gaúcho. Foi a quinta taça estadual seguida, mostrando a força regional da equipe. E também especial para Roger Machado, que agora é campeão também como técnico, além de jogador.

Para o jogo, Ferreira foi a grande novidade do Grêmio. Sem Diego Souza, que se recupera de lesão, Roger adaptou seu trio ofensivo, reconduzindo Elias ao centro do ataque, com Campaz na direita. De resto, a equipe era a mesma da partida de ida, no Colosso da Lagoa. O Ypiranga também só mexeu um nome: após cumprir suspensão, Matheus voltou ao meio-campo. A diferença, vista nos primeiros minutos, foi que Luizinho desenhou o time no 4-4-2, com Erick formando dupla com Hugo Almeida.

Os primeiros minutos serviram para as equipes entenderem como estariam postadas. O Ypiranga começou do mesmo estilo, tentando jogar naturalmente, enquanto o Grêmio aguardava um pouco mais. Aos sete, veio o primeiro chute. Campaz bateu, a bola desviou e quase encobriu o goleiro Edson, que deu um passo para trás e espalmou para escanteio. Aos nove, foi o Ypiranga quem chegou. Gedeilson foi ao fundo, cruzou, Erick chegou churando, Bruno Alves desviou e saiu.

O Grêmio subia a marcação quando o Ypiranga dava um passe relativamente ruim. Em uma dessas, Lorran perdeu para Bitello, que lançou Elias. O atacante apostou corrida com o goleiro, e Edson teve forças para dividir e ficar com a bola. Pouco depois, a primeira polêmica. Elias recebe pela direita e arrancou. O auxiliar, porém, marcou impedimento. Houve reclamação do Grêmio, que queria a sequência — ou que pelo menos deixasse para o VAR intervir. A assinalação, contudo, estava correta.

Aos 19, Lorran foi substituído, dando lugar a Robson. E dois minutos mais tarde, o Ypiranga esteve perto de marcar. Matheus cobrou falta para a área, a bola foi desviada e sobrou para Hugo Almeida dividir com Brenno. O goleiro não achou nada, e por pouco não entrou.

A partida, depois deste lance, caiu bastante de ritmo. O Grêmio, administrando vantagem, evitava se expor, enquanto o Ypiranga não tinha força nem jeito para sair da marcação. O único lance mais quente foi fora da bola. Quando Ferreira tentou pela segunda vez cavar uma falta em disputa na linha de fundo, levou dura do lateral Diego Porfírio. Os dois discutiram, chegaram a ficar cabeça com cabeça. O árbitro Leandro Vuaden deu cartão amarelo a ambos.

Nos últimos instantes do primeiro tempo, enfim o gol da tranquilidade para o Grêmio. Elias sofreu falta na entrada da área. Bitello cobrou por cima da barreira, com categoria. A bola explodiu no travessão e voltou para o meio, Rodrigues devolveu para a área e Bruno Alves empurrou para a rede, de cabeça. Festa na Arena para celebrar o gol. Um minuto e meio depois, festa de novo para a confirmação do VAR: Grêmio 1 a 0.

O Ypiranga voltou do vestiário com a segunda troca. Saiu Marcelinho, entrou Cesinha. A primeira jogada de efeito da segunda etapa foi de Porfírio. O lateral correu alucinadamente pela esquerda e, quando foi marcado por dois, saiu de ambos. Entrou na área, tentou fintar Geromel e cruzou, mas pegou mal e jogou direto para fora.

Mas se havia expectativa de que o lance esquentaria a decisão, logo já foi frustrada. O Grêmio voltou a controlar completamente o jogo, mantendo-o no ritmo que lhe servia mais. Sem reação, Luizinho trocou de centroavantes: Rodrigo Carioca por Hugo Almeida.

O time da casa quase liquidou a fatura aos 17. Lucas Silva passou para Diogo Barbosa, sozinho pela esquerda. Havia várias opções na área e ele cruzou, Edson antecipou e salvou.

Aos 20, mais uma chance. O lance começou em uma roubada de bola na qual Gedeilson ficou pedindo falta. O Grêmio partiu para o contra-ataque e Lucas Silva recebeu na frente. Ele tinha condições para chutar, porém freou sua corrida e tentou driblar, perdeu tempo e perdeu a bola. Elias recuperou, mas adiantou demais e o goleiro saiu para segurar.

O título foi comemorado, definitivamente, aos 29. Na verdade, aos 32. Explica-se: em uma falta cobrada por Campaz pela esquerda, Ferreira concluiu sozinho. Edson fez grande defesa, mas, no rebote, Rodrigues marcou. Foram necessários três minutos para que o VAR fizesse as linhas e confirmasse. Aí, sim, explosão da torcida.

A curiosidade foi que, enquanto os gremistas gritavam “É campeão! É campeão!”, o Ypiranga descontou. Gedeilson cruzou rasteiro e Erick descontou, de carrinho.

Roger fez duas trocas, tirando Campaz e Elias, colocando Janderson e Churín. Ferreira quase marcou por cobertura. E logo depois deu lugar a Gabriel Silva. Os três pouco fizeram.

Àquela altura, o que importava era comemorar o penta.



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