Foto: Felix Zucco

A vitória do São Paulo sobre o Juventude, na última segunda-feira, só prolongou por 74 horas a esperança do Grêmio de permanecer na Série A 2022. Na noite desta quinta-feira (9), o Tricolor até venceu o Atlético-MG, por 4 a 3, mas não conseguiu evitar o terceiro rebaixamento de sua história porque o time de Caxias venceu o Corinthians, no Alfredo Jaconi. Na Arena, Diego Souza, duas vezes, Campaz e Douglas Costa anotaram os gols gremistas enquanto Dodô, Vargas e Hyoran marcaram os mineiros.

Como em 1992 e 2005, o Grêmio irá jogar a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Lá encontrará outros gigantes do futebol do País, como Cruzeiro e Vasco da Gama. Os 33.577 torcedores que foram à Arena e apoiaram o Tricolor desde antes de a bola rolar não mereciam esse desfecho de campeonato, como todos os gremistas espalhados pelo mundo.

Mas os erros administrativos cometidos pelo clube ao longo da temporada fazem com que até o mais fanático torcedor encontre dificuldade para achar argumentos para dizer que o rebaixamento foi injusto. O Tricolor frequentou a zona de rebaixamento durante todo o Brasileirão. Foram 186 dias dentro do Z-4 e 19 derrotas sofridas, o equivalente a um turno.

A boa atuação, sobretudo no primeiro tempo, diante do Galo foi uma última boa imagem de um campeonato para esquecer do Grêmio, que precisará passar por uma grande reformulação em 2022 para voltar forte para a Série A.

As ajudas de Corinthians e Fortaleza não estavam no controle do Grêmio. O que cabia ao Tricolor nesta noite era vencer o campeão Atlético-MG na Arena. Em busca disso, o técnico Vagner Mancini bancou a escalação de Douglas Costa como titular após a polêmica envolvendo o pedido para celebrar sua festa de casamento dois dias antes da partida decisiva para o futuro tricolor contra o Galo. No lado mineiro, Cuca mandou a campo uma equipe suplente que contava com atacantes do porte de Vargas, Savarino e Eduardo Sasha para encarar a também zaga reserva gremista formada por Ruan e Rodrigues.

Depois de toda a polêmica que antecedeu o jogo, Douglas Costa finalmente mostrou aquele futebol que se esperava dele. Pelo menos no começo da partida. O camisa 10 foi o condutor de um Grêmio que construiu um placar favorável rapidamente.

O primeiro gol veio aos 5 minutos com uma jogada inspirada. Douglas Costa tirou Dodô do seu lugar e criou o espaço para Rafinha infiltrar. O lateral recebeu o passe cruzou na medida para Diego Souza testar para o gol mineiro: 1 a 0.

O Atlético-MG tentou reagir, mas o Grêmio estava elétrico. Aos 10, Gabriel Grando cortou cruzamento e ligou para Douglas Costa. Ele conduziu a bola e achou um passe milimétrico para Diego Souza, novamente às costas de Dodô. O centroavante não foi fominha e cruzou para Campaz empurrar para as redes e ampliar a vantagem na Arena.

A essa altura a preocupação da torcida já passava para o que acontecia no Alfredo Jaconi e no Castelão. Dentro de campo, porém, o Grêmio seguiu em rotação alta. Imparável pelo alto, Diego Souza mostrou qualidade também na bola parada. Aos 19, ele bateu uma falta com perfeição e transformou o placar em goleada: 3 a 0.

O clima de festa na Arena durou até os 24 minutos. Foi nesse momento que o Bahia abriu o placar diante do Fortaleza, no Ceará. O gol no duelo nordestino afetou a torcida gremista e Arena foi tomada pelo silêncio. Esse clima pareceu ter afetado o time do Grêmio, que diminuiu seu ritmo e o Atlético-MG aproveitou. Aos 25 Dodô recebeu pelo lado esquerdo, cortou Rafinha e acertou um chute no ângulo, sem chances para Gabriel Grando.

Grando teve que trabalhar logo depois para fazer uma grande defesa em chute de Sasha. O ritmo tricolor havia caído e o segundo gol do Galo veio aos 35. Dessa vez, Lucas Silva foi desarmado por Dylan Borrero, que deu o passe às costas da defesa para o chileno Vargas. O ex-atacante gremista bateu na saída de Gabriel Grando e diminuiu o placar: 3 a 2.

Essa queda de rendimento que começou a gerar espaços para o Atlético-MG deixou os jogadores gremistas nervosos. Perto do intervalo, Rafinha e Thiago Santos trocaram xingamentos em campo. Os dois precisaram ser separados pelos companheiros no caminho para o vestiário após o apito final do primeiro tempo do árbitro Raphael Claus.

Durante o intervalo, a torcida gremista pôde comemorar porque Wellington Paulista empatou para o Fortaleza contra o Bahia. Isso deu ânimo na arquibancada e Arena voltou a ter um clima de apoio no começo do segundo tempo.

O Grêmio não recuperou aquele futebol do início da partida, até foi envolvido pelo Atlético-MG, mas Douglas Costa voltou a aparecer em alto nível. Aos 13, o camisa 10 recebeu de Ferreira e fez um belo gol: 4 a 2. Ainda houve tempo para Hyoran descontar e fazer o 4 a 3. Com gol no placar, as atenções da Arena se voltaram para Caxias e Fortaleza. As notícias até então não eram boas, pois os dois jogos estavam empatados, o que ia rebaixando o Tricolor.

O comportamento da torcida intercalava entre apoio e momentos de silêncio. Uma grande comemoração veio aos 33 minutos, quando Yago Pikachu virou para o Fortaleza contra o Bahia, no Castelão. Esse momento de alegria durou pouco, pois pouco mais de um minuto depois veio de Caxias do Sul a notícia de um pênalti marcado para o Juventude. Chico converteu e a tristeza tomou conta da Arena novamente: o Grêmio estava rebaixado para a Série B pela terceira vez em sua história.



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