Jefferson Botega / Agencia RBS

Ao celebrar os sete anos da Arena, o Grêmio pretende viver os últimos capítulos da compra do estádio inaugurado em 8 de dezembro de 2012. A direção aguarda um desfecho positivo da investida que fez para antecipar a compra da gestão e deu prazo até 31 de dezembro para ouvir a resposta definitiva de suas propostas, que envolvem também as obras do entorno.

Na próxima segunda-feira (9), há um encontro com o Ministério Público Estadual. A partir de então, serão 23 dias decisivos (após a reunião com o MP), para, de uma vez por todas, o Grêmio, enfim, dizer que a Arena é sua.

Desde o quando o time de Vanderlei Luxemburgo venceu o Hamburgo por 2 a 1, o estádio foi motivo para sentimentos opostos. O orgulho fica pela imponente construção localizada na zona norte de Porto Alegre, às margens da Freeway, que já foi palco de títulos importantes. Por outro lado, a casa moderna, confortável, limpa e organizada também é alvo de polêmicas por não ser oficialmente um bem do Grêmio — e por isso motivar brincadeiras dos torcedores rivais — e pelos desentendimentos internos que causou ainda no tempo da assinatura do contrato.

Mas não é só para pôr fim às rusgas internas ou para dizer que a casa é sua que o Grêmio busca essa antecipação da gestão. Acima de tudo isso, há uma questão financeira na qual o clube vê uma brecha para angariar fundos diretamente da torcida.

A direção calcula que administrar a Arena a partir de 2020 representa um potencial de acréscimo aos cofres entre R$ 30 milhões a R$ 40 milhões anuais a partir do início da operação. Os bons resultados em campo poderiam facilitar uma intensa campanha de sócios. A área do estádio seria oferecida a comércio e a produtoras para a realização de eventos.

A estratégia do Grêmio para antecipar essa gestão envolve duas frentes de trabalho quase independentes, ainda que, por se tratar do mesmo objeto, interligadas. De um lado, a direção do clube tenta concluir até 31 deste mês a negociação com a OAS e com os bancos a aquisição do estádio.

Do outro, precisa definir com essas mesmas instituições e mais órgãos públicos, como prefeitura e Ministério Público Estadual, como executar as obras do bairro Humaitá, contrapartida da construção da praça de esportes que completa sete anos de inauguração neste final de semana.

AMARRAS
O plano tricolor é, basicamente, comprar a empresa Arena Porto-Alegrense, a Sociedade de Propósito Específico montada na época da construção da praça de esportes e que controla o estádio com um executivo e conselho de gestão dividido entre clube (dois representantes) e a empreiteira OAS (três).

A partir dessa aquisição, o modelo seria continuar com uma uma administração profissional, com um diretor subordinado ao clube mas sem vínculo político, que se reportaria ao presidente. O Grêmio seria dono da administradora, mas não haveria relação entre as partes esportiva e administrativa. Na prática, seria como se existissem duas empresas independentes, mas de um mesmo dono.

A compra seria o passo definitivo para concretizar a negociação e antecipar a gestão, um processo que vem se arrastando desde a inauguração, mesclando momentos de otimismo e rupturas. Com a administração da Arena Porto-Alegrense, haveria uma desburocratização na administração do estádio e também na realização das obras do entorno, as duas etapas da negociação.

Para conseguir essa antecipação, o Grêmio precisa amarrar quatro pontas: OAS, bancos, prefeitura e Ministério Público Estadual. E tenta convencê-los, até o final do mês, de que é um bom negócio para todos os envolvidos.

POR QUE O CLUBE PÕE UM PRAZO
Mas, afinal, por que o clube trata o tema com urgência? A direção quer concluir as negociações até 31 de dezembro porque esta é a data em que os envolvidos apresentam seus balanços financeiros de 2019. A mudança de ano pode mudar o entendimento dos bancos e até da OAS sobre a proposta apresentada pela direção tricolor.

Envolvida em suspeitas de corrupção, alvo da Operação Lava-Jato, a empresa entrou em recuperação judicial em 2015 para renegociar dívidas de cerca de R$ 10 bilhões. Com acordos, reduziu para R$ 2,8 bilhões. Em julho, a administradora judicial Alvarez & Marsal, que atende o processo, chegou a usar a expressão “estado crítico” para definir a situação da OAS. O presidente da empresa, Josedir Barreto, tem otimismo.

— Não acredito na falência. O plano vai na direção oposta. Queremos virar um “case” de recuperação judicial bem sucedida — declarou ao site da TMA Brasil, associação especializada em gestão.

Em relação aos bancos, o Grêmio teme que a virada do ano inviabilize o acordo que diz ter: reduzir de R$ 200 milhões para R$ 113 milhões o montante da dívida que herdaria da OAS.

— O processo é desgastante. Queremos pôr um fim nesta novela. Mas todos saem ganhando — opina o presidente Romildo Bolzan Jr.



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