Com a lanterna e a ameaça de rebaixamento, o Grêmio foi ao Maracanã enfrentar o Fluminense em busca de pontos e tranquilidade na noite de sábado. A vitória, primeira no Brasileirão, com o gol de Pinares, distensiona o ambiente a também dá respaldo para o trabalho de Felipão se desenvolver.

Mesmo que a situação na tabela tenha melhorado, a atuação no Rio de Janeiro apresentou uma nova realidade da equipe. O foco, mesmo dos atacantes, é proteger o sistema defensivo.

Artilheiro do Brasil na última temporada, Diego Souza correu mais para trás do que em direção ao gol de Muriel. Chegou ao sétimo jogo, 569 minutos em campo, sem marcar.

Se ouvia na transmissão do Premiere diversas vezes os pedidos e orientações de Felipão sobre espaços que o centroavante deveria ocupar para atrapalhar a saída de bola do adversário.

O que deixou diversas vezes Jean Pyerre como o jogador mais avançado do Grêmio. E desta forma, quando o camisa 88 recebia a bola, não tinha companheiros à frente para acionar. Isso tirou a ameaça do contra-ataque no Rio de Janeiro.

Alisson, agora jogando pelo lado esquerdo, e Léo Pereira entregaram também o que foi solicitado. Muita atenção para fechar os espaços nos lados de campo. Vanderson foi a principal válvula de escape da equipe, com sua velocidade e ímpeto ofensivo.

Fernando Henrique e Bobsin subiram pouco, mas marcaram muito na frente da área, protegida na sua última linha por Geromel e Kannemann.

Antes fundamental pela sequência sem sofrer gols, Gabriel Chapecó teve sua noite mais tranquila como jogador do Grêmio. Não foi exigido e fez apenas intervenções pontuais. Felipão, em sua entrevista coletiva após o jogo, elogiou a entrega dos seus homens de frente para proteger a defesa.

Jogadores do Grêmio se cumprimentam após vitória no Maracanã — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Jogadores do Grêmio se cumprimentam após vitória no Maracanã — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Mas, apesar do alívio com o resultado, a produção da equipe mostrou que o gol, e a vitória, só vieram graças à afobação de Calegari. E mesmo assim por uma margem de alguns centímetros no lance do pênalti cometido em Alisson, somente assinalado após revisão do VAR.

– Tenho que dar proteção aos zagueiros para depois, em algumas situações, termos a condição de fazer o gol e conseguir a vitória. Não é algo que eu gosto ou do meu trabalho, depende das características dos jogadores e do momento que estamos vivendo. Vamos devagarinho, pé no chão para reconstruir tudo – explicou Felipão.

O momento pede esse nível de entrega dos jogadores, e a compreensão do torcedor que se acostumou com o estilo de jogo que valorizava a posse de bola para fazer a construção ofensiva da equipe.

Os anos de “melhor futebol do Brasil” ficaram no passado. A ordem agora, pelo momento do time, é competir. O alerta que fica no horizonte é de que o nível de competição no Brasileirão cobrará mais inspiração também ali na frente.

Contra o Fluminense e a LDU, que precisava tentar largar em vantagem em um confronto de mata-mata, a postura mais recuada cumpriu seu papel.

Mas para fugir de vez das últimas colocações, será necessário vencer os adversários que também tentarão se proteger mais do que atacar. E o primeiro teste desta realidade será no próximo sábado, às 17h, contra o América-MG, na Arena.



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