Ainda não é a última rodada da atual edição do Brasileirão, mas o Grêmio se encontra em meio a um cenário semelhante ao vivido no campeonato de 2009. Nesta quinta-feira, o Tricolor recebe o Flamengo na Arena, às 20h, pelo jogo atrasado da 23ª rodada, e encara uma bifurcação entre acirrar briga pelo G-4 ou atrapalhar o maior rival.

A situação é a seguinte. O Grêmio é sexto colocado com 51 pontos e tem apenas 1% de chance de ser campeão brasileiro – segundo projeção do matemático Tristão Garcia.

O Flamengo é quarto colocado com 55 pontos e, se vencer, chega a 58. Assim, o Fla iguala o vice-líder São Paulo e fica a quatro pontos do líder Inter, que tem 62. Detalhe: a equipe carioca enfrenta o Colorado na penúltima rodada.

Uma vitória gremista significa aproximação justamente ao Rubro-Negro. O Tricolor subiria uma posição e colaria no adversário da noite na caminhada pela vaga direta para a Libertadores de 2021. Mas também representaria manter o Flamengo distante do maior rival, o Inter, na corrida pela taça.

— No clássico a gente errou, faz parte, mas vamos procurar acertar sempre e agora é pensar no Flamengo. Sabemos que tem uma grande equipe pela frente, então temos que estar sempre preparados para dar nosso melhor. Tenho certeza que vamos buscar um resultado positivo — destacou Rodrigues.

Grêmio pode acabar ajudando o rival Inter se vencer o Flamengo — Foto: Staff Images/Conmebol

Grêmio pode acabar ajudando o rival Inter se vencer o Flamengo — Foto: Staff Images/Conmebol

Na véspera da partida, o zagueiro Rodrigues reforçou o foco gremista na briga pelo G-4 e na busca por um resultado positivo. Os dirigentes também já haviam manifestado o planejamento de ter a força máxima no duelo.

Até porque após perder o Gre-Nal no último domingo, o técnico Renato Portaluppi chegou a ameaçar colocar o time sub-23 para disputar o restante do Brasileirão. Afinal, a derrota foi crucial para que o Grêmio saísse da briga pelo título brasileiro.Uma injustiça da arbitragem praticamente nos retirou de qualquer condição de disputar um título nacional através do Campeonato Brasileiro— Romildo Bolzan

A polêmica de 2009

O Grêmio hoje vive cenário semelhante ao de 2009. No dia 6 de dezembro daquele ano, o Tricolor disputou a última rodada contra o Flamengo no Maracanã, e não tinha mais pelo que brigar no campeonato. Diferente do Mengão, que era líder com dois pontos a mais que o vice-colocado, o Inter.

  • Flamengo: Bruno, Léo Moura, Ronaldo Angelim, David Braz e Juan; Willians, Aírton, Toró (Everton) e Petkovic (Fierro); Zé Roberto (Kléberson) e Adriano. Técnico: Andrade.
  • Grêmio: Marcelo Grohe, Mário Fernandes, Thiego, Léo e Fábio Santos; Túlio, Adílson (Mithyuê), Maylson e Lúcio; Douglas Costa e Roberson (Bergson). Técnico: Marcelo Rospide.

Logo, o Colorado poderia ser campeão em caso de um tropeço do Fla. Logo aos 21 minutos do primeiro tempo, Roberson abria o placar para o Grêmio após escanteio batido por Douglas Costa.

Curiosamente, David Braz – hoje no Grêmio – foi quem empatou para o Flamengo oito minutos depois. Na etapa final, aos 24, Ronaldo Angelim marcou de cabeça o gol do título e da vitória da equipe carioca. Quando o grupo gremista desembarcou em Porto Alegre, chegou a ser hostilizado pelos próprios torcedores.Lembro da nossa chegada no aeroporto. A torcida querendo bater em alguns jogadores. Lembro do Mário Fernandes, no segundo tempo fez um lance individual que quase resultou em gol e isso rendeu problema em Porto Alegre, porque a torcida não entendeu o profissionalismo.— Marcelo Rospide, técnico em 2009

Ronaldo Angelim fez o gol do título rubro-negro — Foto: Reuters

Ronaldo Angelim fez o gol do título rubro-negro — Foto: Reuters

Marcelo Rospide foi o técnico interino do Grêmio naquela partida e relembrou a polêmica de torcedores que pediram para o time “entregar” o resultado e perder para o Flamengo. O profissional hoje reside em Porto Alegre e treinou recentemente o Meizhou Hakka, da China.

— Não foi uma situação simples. Houve até uma reportagem, falava de que estaria em jogo a credibilidade técnica da competição, com o fato do Grêmio entregar deliberadamente uma partida internamente. Isso nunca existiu. Óbvio que eu não posso intervir no psicológico de cada atleta. Obviamente o Flamengo estava muito mais motivado do que o Grêmio. O Flamengo ganhou porque naquele jogo estava com um time melhor que o Grêmio e a pressão da torcida foi uma loucura. O Flamengo ia jogar a final do campeonato. O Grêmio estava participando. Também não podíamos fazer um papel ridículo. Daqui a pouco sofre uma derrota vergonhosa. Aí assim queimaria o nome de nós profissionais por uma bobagem — relembrou.



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