Era até de certa forma inevitável. Afinal, é decisão de Libertadores. O clima esquentou para a final entre Grêmio e Lanús, na próxima quarta-feira, na Argentina. Conforme anunciado após o primeiro jogo, na Arena, o presidente Romildo Bolzan Júnior viaja para Assunção, no Paraguai, nas primeiras horas desta sexta-feira e se reúne com representantes da Conmebol no início da tarde. O Tricolor também se cerca de cuidados na segurança para a decisão, desde acertos com a polícia argentina até contratações de profissionais terceirizados. E já protocolou o recurso para cancelar o cartão amarelo e a consequente suspensão de Kannemann na próxima partida.

Bolzan tem reunião às 14h na Conmebol, ainda sem saber quem o receberá. Estará ao lado do diretor executivo André Zanotta na capital paraguaia. A lista de solicitação para a entidade é exclusivamente sobre a arbitragem. Após os problemas no primeiro joogo, a intenção do mandatário é não pecar por omissão neste momento decisivo da Libertadores.

Romildo Bolzan posa ao lado do presidente do Lanús Nicolás Russo (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

O Grêmio vai cobrar a postura do juiz chileno Júlio Bascuñan na Arena. Sentiu-se, conforme já dito, prejudicado na partida, mesmo com a vitória por 1 a 0. Não irá citar, conforme Romildo, uma suposta influência do Lanús na Conmebol. Mas se posicionará como instituição. Entre as postulações, há o pedido por um fiscal da Fifa para acompanhar as movimentações no La Fortaleza, em Lanús.

– Vamos conversar sobre o que houve no jogo, o que pode melhorar, manifestar algumas insatisfações. Fazer uma pauta institucional, de clube, criar uma condição de avisar e nos resguardar e comunicar as nossas insatisfações. O que queremos é só lisura no campo. Em final, com muita disputa desportiva, de ordem institucional, é natural que se acirrem os ânimos – disse Romildo.

As cobranças aos árbitros de vídeo também serão pauta. O Tricolor não vê o Lanús favorecido, mesmo que em quartas, semi e final tenha reclamação de pênaltis não marcados a favor dos rivais dos gringos. O presidente afirma que vê como equívocos naturais ao processo.

Amarelo de Kannemann e avião cheio

Na Conmebol, o Grêmio também tenta cancelar o cartão recebido por Kannemann na Arena. O clube já entrou com o pedido ma Conmebol – ocorreu próximo da meia-noite, embora o próprio diretor-jurídico Nestor Hein reconheça as chances pequenas. Suspenso, o gringo desfalca o time de Renato Gaúcho no duelo de volta. A advertência foi dada por Julio Bascuñan após lance dentro da área, em cobrança de falta. O argentino foi empurrado pelo adversário e foi punido injustamente, no entendimento gremista.

– Há precedente. Estamos esperando a súmula para fazer uma análise jurídica. Vai depender do parecer jurídico – apontou o presidente.

Além do gringo, o elenco pode receber outros reforços fora de campo em Buenos Aires. Nomes como Maicon, Douglas e Marcelo Oliveira, lesionados, têm chance de viajar à Argentina para encorpar o grupo neste momento decisivo. Assim como todos os jogadores inscritos na Libertadores. O avião fretado pelo clube comporta 50 pessoas, o que abre espaço para esse tipo de iniciativa.

Kannemann protesta contra arbitragem (Foto: Diego Guichard)

Mais segurança

A delegação gremista terá um número maior de seguranças do que o normal em viagens. Não pelo que ocorreu na Arena, mas pelo tamanho do evento na Argentina. Embora venha a calhar o clima mais quente para a finalíssima. Além disso, o clube também irá contratar profissionais terceirizados para engrossar o apoio ao Grêmio em Buenos Aires. Tudo para evitar contratempos em solo rival.

Há uma preocupação também com os torcedores que irão ao jogo na próxima semana. O Grêmio publicou uma nota em seu site oficial com orientações aos gremistas em Buenos Aires. O ponto de encontro será no Puerto Madero, próximo ao hotel gremista, até as 15h30 do dia do jogo. O comboio será escoltado pela polícia local. O clube pede que os torcedores entrem em contato para informar detalhes de como será a viagem, nome completo e número da matrícula de sócio.

“Não podemos transportar isso para as torcidas e criar algo de disputa além do limite. São coisas de preservações do clube na partida”. (Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio)

O Tricolor inclusive fez uma mudança de última hora na logística. O Hotel Intercontinental, que receberia a delegação, passou por um incidente na semana passada, com explosão de uma caldeira. Inicialmente, o clube foi informado que não precisaria mudar o planejamento. No entanto, por precaução, trocou de local da concentração nesta semana porque alguns serviços do hotel ainda não foram restabelecidos.



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