Quando a fase é boa, o universo parece conspirar a favor. No caso do Grêmio, além da classificação antecipada à próxima fase do Gauchão, Everton foi mais uma vez convocado à seleção brasileira. Na lista de Tite, o jogador fica cada vez mais valorizado – esportiva e economicamente. Lucrar bons milhões de euros com o atacante surge como algo inevitável para o futuro. Mas o clube promete fazer jogo duro.

A explicação recai sobre as vendas de Tetê, por R$ 42,7 milhões, e Marcelo Grohe, por R$ 11,6 milhões. A previsão no orçamento para arrecadação com venda de atletas em 2019 era de R$ 36 milhões. Superada, portanto, com folga.

Com crédito no mercado, o Grêmio tem mais poder de barganha para conter o assédio dos clubes europeus na janela do meio do ano, período em que perdeu Arthur para o Barcelona em 2018. O equilíbrio faz o Tricolor ser mais firme na negociação com os poderosos. E contar com Cebolinha até dezembro.

“É tudo o que eu quero” (Presidente Romildo Bolzan Júnior ao ser questionado sobre a permanência de Everton)

– Ficamos muito mais seguros para enfrentar este tipo de situação. O Grêmio consegue ficar mais forte para competir na hora da janela. Jogadores importantes, estratégicos, vamos poder persistir com mais força. A venda do Tetê tem esse contexto – analisa o presidente Romildo Bolzan Júnior ao GloboEsporte.com.

Everton é o grande nome do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Everton é o grande nome do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Everton é um dos 23 nomes da lista de Tite para os amistosos da Seleção contra o Panamá, no Porto, e República Tcheca, em Praga, em 23 e 26 de março, respectivamente. O único além de Weverton, do Palmeiras, a atuar no futebol brasileiro. Deve perder as quartas de final do Gauchão, já que as datas, ainda indefinidas, estão marcadas para 24 e 27.

É sua terceira convocação, embora tenha sido cortado por lesão em uma delas. O próprio Everton, em entrevista coletiva, reconheceu uma maior valorização a partir da camisa amarela e a dificuldade que é permanecer no Tricolor. O Manchester City acompanha o atacante desde os 17 anos e o rival United apareceu como interessado em dezembro.

– A gente sabe que o foco total sempre tem que ser no nosso clube, jogar na Europa é o sonho de todo jogador. Você sabe que com a convocação fica cada vez mais perto do seu sonho, chama atenção de clubes do exterior. E aí fica mais difícil de segurar – prevê Everton.

Everton falou sobre possibilidade de deixar o clube em junho — Foto: Eduardo Moura

Everton falou sobre possibilidade de deixar o clube em junho — Foto: Eduardo Moura

Com a ausência de Neymar, ele é um dos cinco atacantes escolhidos para os amistosos. Além dele, foram chamados Richarlison (Everton), Vinicius Junior (Real Madrid), Firmino (Liverpool) e Gabriel Jesus (Manchester City).

Apesar da forte concorrência, Tite garantiu que Everton não disputa exclusivamente lugar no time com Neymar ou Vinicius Junior. A polivalência de Cebolinha pode ajudá-lo a garantir novas convocações, como a tão esperada para a Copa América, em junho.

– O Everton é um jogador agudo, que te dá gol, te dá assistência. Mas também é um jogador de articulação, de jogo apoiado. Ele tem essa capacidade. O Vinicius (Junior) é mais do um contra um, de corredor, aberto. O Everton é um híbrido, como a “escola Grêmio” de jogar futebol é uma escola de jogo combinado – compara Tite.

Em 2019, Everton tem três gols marcados no Gauchão. Desde que subiu ao profissional, em 2014, o camisa 11 do Grêmio mantém um aumento no número de gols anotados a cada ano que passa. Em 2018, foram 19. Resta saber se nesta temporada ele conseguirá completar esse crescimento com a camisa tricolor.



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