A pandemia do novo coronavírus trouxe uma parada por tempo indeterminado ao mundo do futebol. E sequer existe previsão de quando tudo voltará ao normal. Mas o Grêmio já projeta em sua reengenharia financeira para a temporada mudanças no mercado de jogadores, com possibilidade de queda nos negócios.

Everton e Matheus Henrique se mantêm na mira de clubes europeus. A diretoria tricolor admite que as propostas, se chegarem, virão com cifras mais baixas na abertura da janela de transferências europeia. A Fifa, inclusive, já estuda a ideia de estender o período de transferências, a depender do início da retomada do futebol mundial.

Mas o CEO do Grêmio Carlos Amodeo apresenta uma análise inversa. Atualmente, um euro equivale a cerca de R$ 5,50. Assim, a desvalorização do real poderia ser compensatória para as equipes do Brasil a partir da queda do valor absoluto dos negócios.

Matheus Henrique e Everton estão entre os mais cobiçados do Grêmio — Foto: Douglas Magno/BP Filmes

Matheus Henrique e Everton estão entre os mais cobiçados do Grêmio — Foto: Douglas Magno/BP Filmes

“Acredito que quando tivermos a janela de transferências aberta, teremos negócios com valores absolutos menores do que tínhamos” (Carlos Amodeo, CEO do Grêmio)

— Tivemos, desde o início da pandemia, uma desvalorização do real na ordem de mais ou menos 20%. Se os valores absolutos dos negócios em moeda estrangeira forem de 10% a 20% menores do que originalmente seriam, em reais os clubes brasileiros receberão os mesmos valores — explica Amodeo.

Um dos vice-presidentes do Grêmio, no entanto, afirmou que o clube não vai vender jogadores a “preço vil”, apesar da necessidade de fechar as contas de 2020. Outra medida a ser tomada pela Fifa é a extensão dos contratos dos jogadores, o que irá alterar toda a cadeia de transferências.

Conselho de Gestão do Grêmio trabalha junto ao CEO Carlos Amodeo — Foto: Luciano Amoretti/Grêmio

Conselho de Gestão do Grêmio trabalha junto ao CEO Carlos Amodeo — Foto: Luciano Amoretti/Grêmio

— O mercado vive um momento de incerteza. Com esse momento, podemos ter sim variações importantes de comportamento do mercado, seja de patrocinadores, do público em geral, de potenciais clubes estrangeiros interessados em adquirir atletas de clubes brasileiros. Vamos ter uma nova dinâmica nas relações profissionais relativas ao mercado do futebol — acrescenta Amodeo.

Os contratos com término no final de junho, por exemplo, devem ser prorrogados automaticamente até o término das competições. No Brasil, essa situação seria replicada em dezembro. Se o Brasileirão entrar 2021 adentro, os vínculos seriam estendidos.

O Grêmio concedeu férias para o elenco até o dia 20 de abril, embora ainda não tenha garantia do retorno das atividades imediatamente ao fim do período. Não há previsão de retorno do Campeonato Gaúcho, enquanto a Libertadores está marcada para voltar dia 5 de maio, mas essa data deve ser prorrogada pela Conmebol.



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