Nos últimos dias, o Grêmio apresentou uma ousadia no mercado de transferências que há tempos não se via nos arredores da Arena.

A chegada de Rafinha e a proximidade de fechar um acordo com Borré, do River Plate, mostram que o clube encarou – e encara – a crise da pandemia de Covid-19 e manteve a estabilidade financeira — e o superávit — a ponto de entregar a Renato Portaluppi os prometidos “reforços de peso”.

Rafinha foi contratado dentro dos padrões de investimento, como revelou o presidente Romildo Bolzan Júnior. Ainda assim, está longe de ser um reforço barato. O mesmo acontece com Borré, que precisará abrir o cofre tricolor.

O Grêmio propôs um pré-contrato para Borré com valores aproximados de US$ 6 milhões de luvas (R$ 34,54 milhões, na cotação atual), US$ 2 milhões (R$ 11,51 milhões) de salário por ano e mais bônus por metas atingidas.

Rafinha cumprimento CEO Carlos Amodeo no primeiro dia como jogador do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

Rafinha cumprimento CEO Carlos Amodeo no primeiro dia como jogador do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/DVG/Grêmio

O ideal é que o vínculo tenha no mínimo três anos. Ou seja, o valor total a ser gasto no atacante de 25 anos gira em torno de US$ 12 milhões — contando as luvas mais os salários em três anos. Mesmo assim, Bolzan garante que o clube não se afastará do seu planejamento financeiro.

— Se você examinar o negócio que tínhamos feito com o Cruzeiro a respeito do Orejuela, é mais ou menos um negócio semelhante (com o Borré). Se isso se confirmar, der certo, além do parâmetro do negócio, estamos contratando um jogador da América do Sul. Se fizéssemos pelos parâmetros normais, seria difícil fazer essa aproximação. Mas não vamos nos afastar nenhum milímetro do nosso planejamento financeiro — explicou Romildo em entrevista no domingo.

Dois dias depois de perder o título da Copa do Brasil para o Palmeiras, o presidente do Grêmio já falava em contratar “jogadores relevantes”. Nomes como Rafael Carioca e Douglas Costa, que envolvem cifras altas como Borré, também são do interesse do Grêmio. Mas no momento não estão próximos de desembarcar na Arena.

A saída sem tanto prejuízo de um ano de pandemia — que ainda não acabou, diga-se — é um dos indicadores que permitem ao Tricolor “abrir a mão”. Na noite de segunda-feira, o Conselho Deliberativo aprovou as contas de 2020, que apontaram superávit pelo quinto ano consecutivo (R$ 37,5 milhões).

Plano de contingência para a pandemia

Buscando se preparar para o agravamento da pandemia causada pelo coronavírus, o Grêmio lançou um plano de contingência em abril de 2020. Um dos objetivos era manter a sustentabilidade do clube.

Uma das medidas do plano se dirigiu aos sócios, impedidos de ir aos jogos pelos protocolos sanitários contra a Covid-19. A receita desta modalidade caiu pouco mais de 10% — R$ 82,7 milhões em 2019 para R$ 70,6 milhões em 2020.

Outras atitudes foram negociar o adiamento dos direito de imagem para 2021 e o parcelamento de salários dos jogadores, que aceitaram a engenharia da direção para manter seus vencimentos. Deu tão certo que em setembro foi possível quitar a “dívida” com o grupo.

Romildo Bolzan Júnior presidente Grêmio CEO Carlos Amodeo — Foto: Lucas Bubols / ge

Romildo Bolzan Júnior presidente Grêmio CEO Carlos Amodeo — Foto: Lucas Bubols / ge

Em 2020, o Grêmio gastou R$ 309,8 milhões com a atividade esportiva, ou seja, o que se gasta com o futebol em geral no clube. O valor é semelhante ao de 2019, que atingiu R$ 310,8 milhões.

Somam-se a isso as vendas expressivas de jogadores. Everton foi para o Benfica por 20 milhões de euros, mas o Grêmio só ficou com 50%. Diego Rosa teve os direitos negociados com o Grupo City num negócio que pode render até 24 milhões de euros ao clube.

Soma-se a isso a venda de Pepê ao Porto por 15 milhões de euros no início de 2021. Com este contexto, o Grêmio se preparou para enfrentar o ano de 2021 com dinheiro disponível para fazer investimentos importantes no elenco. Quem será o próximo?



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