Foto: Divulgação/Grêmio

Diante de um esquema tático diferente do que havia enfrentado até então, o Grêmio de Roger Machado sucumbiu à estratégia do rival e acabou derrotado pelo Cruzeiro por 1 a 0 neste domingo, fora de casa. O resultado interrompe a série de três vitórias seguidas, mas não tira o Tricolor do G-4. Também não prejudica o planejamento inicial previsto pelo clube para o início da Série B.

A diferença das estratégias dos dois times ficou clara nos primeiros minutos da partida no Independência. E no duelo de sistemas travado por Roger Machado e Paulo Pezzolano, o uruguaio levou a melhor. Com mais volume de jogo e confrontos individuais ganhos do lado do adversário, o Tricolor ficou com pouco espaço e teve seus atacantes “sacrificados”.

Por mais que o Grêmio não tenha conseguido levar vantagem taticamente, Roger afirmou que a postura do adversário não foi uma surpresa. O plano foi usar Gabriel Teixeira e Elias também na defesa, para ajudar a conter as investidas do adversário, que tinha os alas e atacantes nos lados do campo quando atacava.

Os dois pontas dos Grêmio se tornaram, principalmente no primeiro tempo, “auxiliares” de laterais, pois apareceram mais na defesa do que no ataque. Foi possível ver Biel mais de uma vez dentro da área do Grêmio para afastar cruzamentos do Cruzeiro, por exemplo.

– Eu falei na palestra que hoje (domingo) era um jogo de sacrifício dos pontas, que iam até o limite que eu tinha jogadores para substituir. Ou é isso ou você muda o sistema, que não foi o caso para esse jogo, que a gente acreditou que pudesse marcar bem – disse Roger na entrevista depois da partida.

Biel e Elias até se esforçaram para cumprir o papel. O problema foi que, quando recuperava a bola, o Grêmio não conseguia acionar o contra-ataque por conta da ausência dos atacantes lá na frente, isolando Diego Souza, que não tem a mobilidade como principal virtude. A ideia de Roger era trocar a bola de lado quando retomasse a posse, algo que poucas vezes foi possível durante a partida.

O gol do Cruzeiro deixou evidente que o reforço dos atacantes na marcação não deu tão certo. O lance se originou após Biel afastar de cabeça um bola na área. Na intermediária, Eduardo Brock ganhou no alto e abriu para Bidu, que recebeu livre, pois Rodrigo Ferreira se alinhou aos zagueiros e coube ao atacante correr atrás do adversário para fazer a marcação na lateral.

Fora de posição e com a movimentação errada de Gabriel, Rodrigo Ferreira teve a infelicidade de desviar contra o próprio gol e matar Brenno na jogada. Na avaliação de Roger, o gol da vitória não foi um lance característico da Raposa.

– No primeiro, mesmo não tendo a bola, sofremos o gol não na característica do adversário, mas em um momento que, na teoria, estávamos com o time montado – justificou.

Na volta do intervalo, o treinador promoveu o ingresso de Gabriel Silva no lugar de Lucas Silva, que teve uma das suas piores atuações no ano. A troca de peça e de postura do time equilibrou mais a partida e permitiu ao Grêmio pisar no campo de ataque mais vezes em comparação com a primeira etapa.

Aos 16 minutos, Bitello achou Elias na entrada da área e o atacante girou e bateu colocado. A bola passou muito perto do gol de Rafael Cabral, mas foi para fora. Como já era de se esperar, naturalmente os pontas cansaram e precisaram deixar a partida.

Janderson entrou no lado direito e, já com o Grêmio ocupando mais o campo ofensivo, deu uma cara nova ao ataque tricolor e criou algumas jogadas. Elkeson, com uma capacidade maior de movimentação, entrou no lugar de Diego Souza. Porém, o sistema defensivo do Cruzeiro se manteve intacto e não foi vazado.

– Em um clássico, qualquer resultado não é anormal. Qualquer um pode vencer. Grêmio poderia ter vencido? Talvez, se não tivesse tomado aquele gol estranho. Eu não lembro de nenhuma chance de gol do Cruzeiro, sinceramente – analisou o vice de futebol, Dênis Abrahão.

A derrota para o Cruzeiro marca também o fim do primeiro bloco de jogos na Série B. No início de abril, o departamento de futebol abriu o planejamento do campeonato, que foi dividido em conjuntos de seis jogos, com objetivos para cada um deles, os quais não foram compartilhados.

Em 18 pontos disputados, o Grêmio conquistou 10, com três vitórias, um empate e duas derrotas. Com isso, atingiu um aproveitamento de 55,6%. Exatamente o previsto para o início da Série B. O Tricolor caiu para o quarto lugar e se manteve no G-4, mas também viu aumentar os concorrentes e a briga na parte de cima da tabela.

Agora, o Tricolor adentra ao segundo bloco de jogos, mas com mais partidas longe da Arena. Das seis, quatro serão fora de casa e duas em casa, contra Criciúma e o Novorizontino, nas rodadas 8 e 11, respectivamente. O próximo adversário será o Ituano, na segunda-feira da semana que vem.

Os próximos seis jogos do Grêmio na Série B

16/5 – Ituano x Grêmio, no Novelli Júnior
19/5 – Grêmio x Criciúma, na Arena
29/5 – Vila Nova x Grêmio, no Onésio Brasileiro Alvarenga
2/6 – Vasco da Gama x Grêmio, no São Januário
7/6 – Grêmio x Novorizontino, na Arena
a confirmar – Sport x Grêmio, na Ilha do Retiro



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