Lucas Uebel / Gremio / Divulgação

O Grêmio, enfim, encerrou o seu jejum de gols na Série B. E, graças a isto, venceu a primeira — tinha um empate e uma derrota. Em uma tarde inspirada de Diego Souza, que marcou os três gols na vitória por 3 a 1 sobre o Guarani, o torcedor teve motivos para ficar esperançoso pela tão sonhada campanha de retorno à Série A de 2023.

E a vitória foi construída com participação decisiva de um outro jogador que estreou na competição. Após perder as partidas contra Ponte Preta e Chapecoense por lesão, Nicolas iniciou como titular e fez duas assistências.

Como aconteceu na semana anterior à goleada por 3 a 0 no Beira-Rio, pelo Gauchão, Roger explicou que as cobranças que surgiram entre torcedores e também na imprensa com o início ruim da equipe na Série B não influenciaram no ambiente da semana de trabalho. O modelo de jogo, que aposta na estrutura com três jogadores de origem defensiva no meio-campo (Villasanti, Lucas Silva e Bitello), foi bastante questionado pela falta de peças com características mais ofensivas. O presidente Romildo Bolzan revelou em entrevista na última segunda-feira que chegou a conversar com Roger Machado sobre as opções, mas que ficou satisfeito com as ideias que basearam as decisões da comissão técnica.

Segundo Roger, o que se mostrou decisivo para buscar a primeira vitória na Série B foi a convicção no trabalho:

— No futebol, se você ganha mantendo a ideia é convicto. E você é teimoso se perder. Não tenho problema nenhum em alterar o modelo se identificarmos que seria essa a causa das nossas dificuldade. Não tenho preferência por modelo. Não identificamos que esse foi o problema por não ter vencido a Chapecoense. Foi por não termos convertido em gols as oportunidades que criamos.

Uma preocupação do comandante gremista é com a continuidade, algo importante no futebol, segundo ele:

— Se trocar a cada momento, não é possível. A vitória foi do trabalho diário. Quando ganha, tá tudo certo e quando perde tá tudo errado. Foi a vitória do trabalho. Nunca tive dúvidas em alterar o tripé de meio, talvez possa ter para outros momentos. Não foi isso que tirou meu sono, foi não ter convertido as chances que criamos.

Uma das razões citadas por Roger para a manutenção desta ideia de estruturação tática é a ideia de contar com Diego Souza nas melhores condições durante o jogo. Com três jogadores com maior capacidade de marcação, o centroavante é liberado das funções defensivas. Com isso Bitello, Lucas Silva e Villasanti acabam acumulando mais responsabilidade dentro de campo para recuperar a bola do adversário.

— O modelo está apoiado na figura do Diego, para permitir que ele possa estar descansado. Preciso gerar um equilibro. Se desobrigo o centroavante, preciso que alguém compense. Isso é dividido entre os outros. Se não tem mais a velocidade de antes, mas a velocidade que ele finaliza é suficiente. Quando ele não estiver apto, temos o Ricardinho, o Quejada e o Elkeson em breve. Demos mais uns dias para ele fazer trabalhos físicos e se sentisse bem — comentou Roger.

Agarrado à bola do jogo, Diego Souza comemorou:

— A minha função é essa (fazer gols). O time me dá essa liberdade para jogar solto. Quando a gente faz três gols, leva a bola para casa. E essa é a tradição, é o prêmio.

O centroavante também mandou um recado para Renato Portaluppi. Com os três gols contra o Guarani, o atacante chegou a 76 gols pelo Grêmio, dois a mais que o maior ídolo do clube.

— Papai (Renato) já vai receber uma mensagem. Estou passando ele, um ídolo aqui, um cara superquerido por todos. Muito feliz de fazer todos esses gols, que é o mais importante. Para vencer, a gente depende dos meus gols, dos meus companheiros, das jogadas — brincou o camisa 29.

Além disto, Diego Souza virou o maior goleador da história do estádio gremista: 46 gols com a camisa tricolor e 50 no total (fez três pelo Sport e um pelo São Paulo).

Com as preocupações da torcida amenizadas após a primeira vitória na competição prioritária na temporada, o Grêmio inicia nesta sexta-feira (22) a preparação para a próxima rodada da Série B. O time se reapresenta no CT Luiz Carvalho projetando a partida contra o Operário na próxima quarta-feira, em Ponta Grossa. Edílson, que deixou a partida contra o Guarani nos primeiros minutos de jogo, é dúvida por conta de desconforto muscular na coxa esquerda. Elkeson, que aguarda a chegada de documentos da China, pode integrar a delegação caso esteja regularizado.



Veja também