Grêmio adia reação e leva instabilidade e pontos para corrigir na Copa do Brasil

20 de dezembro de 2020 - Às 15:44

O jogo com o Sport chamava atenção para o Grêmio muito mais pelo que ocorrera antes. E o Grêmio não reagiu como em outras oportunidades, especialmente ano passado. Manteve-se sem vencer ao empatar em 1 a 1 com um a menos em campo, algo louvável, mas também mostrou pontos que precisará corrigir para a semifinal da Copa do Brasil, na quarta, contra o São Paulo.

Leva, pois, uma certa pressão para o primeiro jogo da eliminatória na Arena. São quatro partidas sem vencer, dois empates ainda pertencentes à longa invencibilidade anterior de 18 jogos, mas que ganham outro tom a partir da derrota para o Santos.

Ao mesmo tempo, bom que se diga, o Grêmio subiu uma posição com o empate. Foi a 42 pontos no Brasileirão e é o quinto colocado a partir da derrota do Palmeiras para o rival Inter. Não perde mais o posto na rodada.

Mas é fato que o Grêmio chega com o peso de ser eliminado uma semana antes e sem buscar uma vitória imediatamente para mostrar reação. Ano passado, por exemplo, o time venceu cinco jogos seguidos após a traumática goleada sofrida para o Flamengo.

O Tricolor até reagiu dentro do jogo. Chegou ao empate após sair atrás no placar. Isso com um jogador a menos após a expulsão de Kannemann, no início do segundo tempo. Mas a reação em termos de desempenho não apareceu. O Grêmio outra vez teve posse de bola sem agredir o rival.

A tônica do jogo, especialmente no primeiro tempo, foi essa. Muitos toques laterais, muita circulação da bola na intermediária, mas pouca agressividade. O próprio Renato Portaluppi reconheceu isso.

— Conversei com eles. Em determinadas jogadas não precisa dar 10, 12 toques para chegar na área. Procuramos o companheiro do lado, atrás, ao invés de na frente. Maior exemplo é o gol que tomamos. Detalhe que precisamos corrigir. Na hora de tocar, temos que tocar. Mas na hora de alongar, procurar o espaço vazio que está faltando para a gente — disse Renato.

Ponto por corrigir para a semi

Um lance exemplifica um dos pontos que o Grêmio precisa aprimorar. Matheus Henrique tinha a bola na intermediária. Ferreira saiu da ponta e se deslocou da linha da área em direção ao meio-campo para receber a bola de costas. O passe do volante saiu no espaço vazio criado e caiu nos pés de Victor Ferraz.

A jogada transcorreu com o cruzamento do lateral e uma indefinição de Churín na área. Mas a origem, a movimentação sem a bola para gerar espaço, é um dos pontos a ser melhor trabalhado pelo time.

O outro está ligado diretamente ao gol. Dalberto abriu o placar aos 9 minutos do primeiro. O Grêmio estava no ataque. E em poucos segundos o Sport chegou ao gol de Vanderlei. Como já havia acontecido contra o Santos, uma transição rápida que se aproveita da recomposição lenta.

A defesa do Grêmio tem dificuldades para ou matar a jogada na origem, ainda no campo ofensivo, ou então se remontar rapidamente. Alguns jogadores realmente não têm a característica da recomposição em velocidade, como Victor Ferraz, Lucas Silva e Matheus Henrique.

Esse ponto também merece atenção especial de Renato para o jogo com o São Paulo. Se não é possível fazer os jogadores retomarem a compactação defensiva, que ao menos se crie mecanismos para atrasar o adversário.

O Grêmio retornou de Recife durante a madrugada e retoma as atividades neste domingo. Os dias até a semifinal serão de preparação anímica e tática para mais uma decisão na temporada.



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