Foto: Eduardo Moura

Pelo segundo ano consecutivo, o Grêmio está fora da final do Gauchão e não poderá tentar romper a hegemonia do maior rival, que já dura seis anos a nível estadual. Com a margem de tempo alargada para os últimos 10 campeonatos, o Tricolor sequer teve a chance de disputar a decisão em metade deles.

Para um clube que paga a apenas um jogador o equivalente a toda folha salarial dos adversários que o eliminaram nestas ocasiões, há lastro para discussão. Ainda mais que o Inter atingiu todas as finais na mesma década, entre 2008 e 2017, e levantou oito troféus – podendo chegar ao nono neste ano. No período, o Tricolor ergueu a taça somente em 2010. Em 2013, sequer houve uma grande final, pois os colorados foram campeões dos dois turnos (Taça Farroupilha e Taça Piratini) daquele ano.

 (Foto: Reprodução)

No ano passado, o clube foi alvo de críticas por erro no planejamento do calendário, também com compromissos pela Libertadores e Gauchão. Na ocasião, o Grêmio pediu para adiar a primeira partida da semifinal do estadual, contra o Juventude, e foi atendido. Depois de vencer a LDU em Quito, pela competição continental, em uma quarta-feira (13 de abril), conseguiu transferir o duelo em Caxias do domingo seguinte (17) para a outra quinta (21), alegando desgaste da longa viagem ao Equador.

Porém, na terça-feira (19), havia confronto com o Toluca, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. Mesmo já classificado, o time de Roger Machado usou os titulares diante dos mexicanos. Por causa do cansaço e um novo jogo apenas 48 horas depois, os reservas entraram em campo contra o Papo na quinta-feira e foram derrotados por 2 a 0. No domingo seguinte, a volta ocorreu na Arena, com o time principal escalado. Apesar da vitória por 3 a 1, a equipe foi eliminada pelo saldo qualificado.

– Ja foi frustrante o ano passado, sabendo que tínhamos um time superior. Tivemos aquela situação de não jogar bem lá (em Caxias) e tomamos um gol espírita do Juventude (na Arena). O Grêmio tinha time suficiente para ser campeão. Nesse ano, tenho duas coisas a dizer: não tivemos capacidade de vencer e pedir desculpas à torcida pela eliminação – disse o presidente Romildo Bolzan Júnior em Novo Hamburgo.

Foto: Félix Zucco /Agencia RBS

Dessa vez, o Tricolor planejou exatamente o inverso. Com a justificativa de que ainda poderia recuperar os pontos de uma possível derrota no Paraguai contra o Guaraní, na quinta-feira passada, pela Libertadores, os titulares foram poupados para priorizar o Gauchão. O empate em 1 a 1 no Defensores del Chaco acabou comemorado, e a semifinal seria disputada com força máxima no Vale do Sinos.

Porém, o time voltou a apresentar erros do primeiro jogo, na Arena, e esteve longe de merecer a vitória no domingo. Até saiu na frente, mas falhou na bola aérea, sofreu o empate e caiu nos pênaltis. O técnico Renato Gaúcho não se arrependeu da estratégia adotada e preferiu lembrar que a equipe “deu mole” nos dois duelos com o Noia, principalmente por sair na frente e vacilar.

– O Grêmio não foi campeão gaúcho no ano passado, mas ganhou a Copa do Brasil. É grande, entra para ganhar. Nem sempre é possível. É assim. As cobranças aparecem, é normal, bola para frente. Vamos focar na Libertadores – afirmou o treinador.

Já na quinta-feira, o Grêmio faz o tira-teima com o Guaraní-PAR no espelhamento do Grupo 8 da competição continental, na Arena. Como não há jogadores suspensos, o time deve ser o mesmo que enfrentou o Novo Hamburgo. A única dúvida é o lateral-direito Edílson, que deixou o campo do Estádio do Vale com problemas físicos.



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