Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ao fim e ao cabo, o título ficou com o Grêmio. E isso é mais do que motivo para comemorar. Elenco e torcida têm todo o direito – e dever até! – de celebrar o tricampeonato gaúcho, sequência não conquistada desde o fim da década de 80.

Mas ao lembrar da derrota por 2 a 1 para o Caxias, no domingo, o torcedor pode, ao mesmo tempo, também entender que o desempenho pode ser melhor. Descolar o resultado da atuação.

E isso não põe vírgula alguma à conquista do Grêmio. O Tricolor fez o que costumava fazer na Libertadores de 2017: abriu a disputa com uma vantagem considerável e, na segunda partida, a administrou. Ao sair na frente na Arena, com Diego Souza, pareceu pintar um cenário tranquilo.

O Grêmio sentou na vantagem. É uma questão de postura, de atitude em campo. Também um pouco de mecânica, já que o time enfrentou dificuldades impostas pelo Caxias e não soube superá-las. Isso dito por Renato Portaluppi, o segundo técnico tricampeão gaúcho consecutivo da história gremista.

— Realmente minha equipe não esteve naqueles melhores momentos, principalmente no segundo tempo. Mas o que importa é a volta olímpica. Saímos na frente e de repente sentamos no regulamento, naquilo que a vantagem nos dava. Eu reconheço. Mas essas coisas eu acerto com o meu grupo — destacou Renato.

O foco todo fica em mais uma taça levantada pelo Grêmio. Uma conquista com valor em um ano difícil e ainda em retomada – afinal, são 12 jogos após uma parada de quase cinco meses. Mas também é essa quantidade de partidas apontada por Renato como tempo de readquirir ritmo.

Grêmio comemora o tricampeonato gaúcho na Arena — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Grêmio comemora o tricampeonato gaúcho na Arena — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Apesar de toda a importância do título, o sétimo conquistado em quatro anos de trabalho, também é verdade que Renato pode tirar mais da equipe. O elenco tem qualidade e já mostrou em anos anteriores. Ao mesmo tempo, o treinador recebeu reforços ainda por encaixar no último mês.

“Não que fizemos a melhor partida do mundo, mas o suficiente para correspondermos ao que foi feito anteriormente. O Grêmio ganhou com méritos” (Romildo Bolzan, presidente do Grêmio)

O rendimento foi caindo à medida que o primeiro tempo se encerrava. Parecia ir para o vestiário com a vantagem no placar, mas Laércio empatou ao passar por Geromel pelo alto. O empate ainda mantinha uma invencibilidade do Grêmio que poderia se tornar a maior da história de 116 anos do clube.

No entanto, o desempenho do Grêmio ficou no vestiário e de lá não saiu. Com dificuldade para reter a bola a partir da marcação em Darlan e Lucas Silva, sempre um desgarrado mais à frente, não levou perigo. Jean Pyerre não esteve em noite inspirada também, apesar de toda sua qualidade.

O Caxias chegou ao segundo gol em lance até fortuito, em tentativa pela direita que desviou em Kannemann e tomou o caminho do gol. Renato usou o banco, com Isaque e Luiz Fernando. As trocas não fizeram tanto efeito no meio-campo.

Depois, veio Thiago Neves, ainda melhorando aos poucos, mas em velocidade menor do que o time precisa. Além disso, a pressão já era toda do Caxias, que buscava o terceiro gol para levar o jogo para os pênaltis.

O Tricolor conseguiu suportar o empenho do adversário, algo dentro do esperado, e sagrou-se campeão. Que a taça seja um impulso para as disputas mais complicadas por vir a partir de setembro.

Na quinta-feira, o Grêmio já encara o Sport, na Arena, pelo Brasileirão. Agora com um jogo a menos, caiu para a 12ª posição.



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