Invicto desde a chegada do técnico Luiz Felipe Scolari, Gabriel Chapecó trilhou um longo caminho até virar o novo xodó do torcedor gremista. Foi trabalhando como o quinto na hierarquia da posição no dia a dia de treinos no CT Luiz Carvalho que chamou a atenção de Mauri Lima, preparador de goleiros que chegou no clube em janeiro do ano passado.

Em 2021, conquistou a confiança da comissão técnica para assumir a posição nas ausências do titular Brenno. Destaque no empate sem gols no Gre-Nal e na sequência com vitória por 1 a 0 sobre a LDU, na última terça-feira, pela Copa Sul-Americana, o jovem de 21 anos virou o personagem dos primeiros dias da nova Era Felipão.

Quem acompanha os bastidores da rotina no centro de treinamentos, cita o preparador Mauri Lima como o responsável pelo aperfeiçoamento do goleiro. O treinador “abraçou” o jovem e passou a cuidar de perto sua evolução, com a definição de reforço de atenção em alguns fundamentos.

Ainda no segundo semestre de 2020, o Grêmio tinha Vanderlei, Paulo Victor e Julio Cesar como primeiras opções para defender a meta. Alternando a parceria com Brenno, ambos do time de transição, Gabriel Chapecó virou figura constante nos treinamentos do profissional.

Gabriel Chapecó em treino com o preparador Mauri Lima — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Gabriel Chapecó em treino com o preparador Mauri Lima — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Promovido de vez em 2021, as atuações em alto nível dos últimos jogos convenceram um velho conhecido de que não será necessário apostar novamente em cascudos para a função.

A lembrança de Felipão

Ainda como Gabriel Grando, o goleiro chegou a Porto Alegre em 2014 com os colegas da escolinha do Grêmio de Chapecó. Disputou o tradicional torneio das equipes conveniadas do clube espalhadas pelo país.

Teve tanto destaque na competição que recebeu o convite para permanecer ou voltar em outra data. Entre defender a escolinha na cidade natal ou se mudar sozinho para Porto Alegre e viver o sonho de jogar no clube do coração, decidiu ficar. Foi morar no alojamento do clube e integrar a categoria sub-14.

Justamente em 2014, Luiz Felipe Scolari aceitou a proposta do então presidente Fábio Koff e retornou a Porto Alegre para tocar um projeto de reestruturação.

Um dos primeiros pedidos foi feito aos responsáveis pelas categorias de base. Convocou as categorias sub-20, sub-17 e sub-15 para amistosos contra o time profissional para identificar os talentos disponíveis para o futuro.

Foi assim que o nome de Lincoln, por exemplo, entrou no radar do técnico para a temporada seguinte. Mas também houve o primeiro encontro entre o treinador e o atual goleiro titular.

Ao lado de Phelipe Megiolaro (emprestado ao Dallas FC), Felipe Albuquerque (emprestado à Ponte Preta), Guilherme Guedes, Lucas Araújo (negociado com o Bahia) e Lincoln (no Santa Clara, de Portugal), um jovem de braços compridos chamado da equipe sub-14 para a atividade no gramado suplementar do Olímpico também deixou uma marca curiosa no experiente treinador.

— Logo que a gente chegou no campo, ele (Felipão) veio falar comigo se eu lembrava dele. Falei que sim. Logo que eu cheguei, em 2014, já realizei um coletivo com o profissional. Brincava comigo que os meus braços eram muito grandes. Eu estou feliz por reencontrá-lo — relembrou Chapecó em sua entrevista antes do jogo contra a LDU.

Lesão grave interrompe evolução

O goleiro deu sequência à carreira no ritmo natural. Passou pelas outras categorias de formação até chegar ao sub-20. Em 2019, vivia o melhor momento. Foi titular da equipe que disputou a Copa São Paulo, com boa campanha.

Gabriel Chapecó na base do Grêmio em 2018 — Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio

Gabriel Chapecó na base do Grêmio em 2018 — Foto: Rodrigo Fatturi/Grêmio

As boas atuações marcaram a participação do goleiro na competição. A eliminação para o Corinthians nas quartas de final, no dia 18 de janeiro, projetava um cenário positivo para a sequência.

Mas uma séria lesão, sofrida durante os treinos na base, atrasou o sonho de jogar pelo profissional. Sofreu rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho direito e ficou fora do grupo que conquistaria o título da Copa Ipiranga em dezembro daquele mesmo ano.

Voltou a treinar sem limitações somente em junho de 2020. Somado todo o período entre fisioterapia, treinos e a espera por uma chance de voltar a jogar, levou 853 dias até receber a primeira oportunidade no time principal. Estreou na goleada por 6 a 2 sobre o Aragua, em 21 de maio deste ano, pela Copa Sul-Americana.

Depois de tanto persistir, caiu nas graças do torcedor e convenceu a comissão técnica de que poderá ser alternativa a Brenno. Desde que o técnico Luiz Felipe Scolari assumiu, Chapecó saiu de campo sem sofrer gols. Uma marca ainda mais importante na vitória por 1 a 0 sobre a LDU, que acabou com um jejum de nove jogos.

Chapecó faz a principal defesa no jogo contra a LDU — Foto: Staff Images / Conmebol

Chapecó faz a principal defesa no jogo contra a LDU — Foto: Staff Images / Conmebol

– Claro que a gente fica feliz por não ter sofrido gol, por conseguir ajudar o Grêmio, mas é um todo, o coletivo que se portou bem, soube jogar o jogo. Largamos na frente, vencemos em Quito, que é muito complicado, tem a altitude. Agora é manter essa pegada – comentou o goleiro.

O elenco tricolor volta a treinar nesta quinta-feira no CT Luiz Carvalho. O próximo compromisso de Gabriel Chapecó será no Rio de Janeiro. No sábado, o Grêmio enfrenta o Fluminense, às 21h, no Maracanã, em busca da primeira vitória no Brasileirão.



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