Lançado pelo Grêmio, quis o destino que cerca de dois anos e meio após ser negociado com o futebol árabe, Guilherme retornasse em um dos momentos mais difíceis do Tricolor para ajudar na retomada à elite do futebol brasileiro. O atacante revelou que o carinho pelo clube e pelo técnico Roger pesou para sua volta. A ponto de rejeitar outras propostas, como uma do rival Inter, conforme o jogador revelou em entrevista exclusiva ao ge.

Natural de Campinas, será titular nesta sexta-feira na cidade natal no duelo contra o Guarani. O atacante chegou a Porto Alegre em 2014, com 19 anos, para as categorias de base. Dois anos depois, passou a fazer parte do time principal e recebeu as primeiras oportunidades justamente de Roger, com quem estreitou a relação. A ligação do comandante foi decisiva para seu retorno.

– Dois fatores importantíssimos para minha volta: o Grêmio e também o professor Roger juntamente com o professor Roberto e o James (auxiliares), que foram os caras que me estenderam a mão aqui. Estou muito feliz, pesou muito a ligação com o Roger e um carinho muito grande que eu tenho aqui pelo Grêmio, por ser o clube que me abraçou, o clube que abriu as portas pra mim lá em 2014 – contou.

Eu tenho um carinho muito grande pelo professor Roger, ele sabe disso e ele também tem um carinho muito grande por mim. Não é à toa que ele me chama de filhão no dia a dia. Ele sabe que é verdadeiro.

— Guilherme ao ge

Guilherme, atacante do Grêmio — Foto: Reprodução

Nesta janela de transferências, após dois anos e meio no mundo árabe, estava determinado a voltar ao Brasil e recebeu propostas de diferentes clubes das Séries A e B. Mas um específico chamou atenção: o atacante foi procurado pelo rival, Inter.

Chegou muita coisa para nós, inclusive aqui do nosso rival da cidade. Foi um dos clubes que nos procurou.

— Guilherme ao ge

– Quando souberam que eu queria voltar ao Brasil, ele (Roger) entrou em contato e pesou muito. Naquela oportunidade eu já tinha algumas ofertas até oficiais, procura de alguns clubes da Série A e acho que uns três ou quatro que estão brigando com a gente na Série B. Mas a partir da ligação do Roger tudo mudou e eu dei essa preferência ao Grêmio – revelou Guilherme.

Sua temporada de maior destaque foi a de 2019, quando foi artilheiro da Série B pelo Sport. Foram 49 jogos naquele ano e 21 gols, sendo 17 pela competição nacional. Experiência que leva agora para colocar o clube pelo qual nutre carinho especial de volta à Série A.

Confira a entrevista completa:

ge: Como tem sido este retorno ao Grêmio?

Guilherme: Cheguei no Grêmio em 2014, vim fazer uma avaliação aqui com o sub-18, acabei sendo aprovado pelo professor James Freitas, o mesmo que hoje faz parte da comissão do Roger. E ali começou a minha história no Grêmio. Em 2016, subi ao profissional com o professor Roger e no início de 2017 acabei saindo. E agora esse meu retorno em 2022. Confesso que tem sido melhor que imaginei, voltar para casa. Estou muito feliz, fui recebido de uma forma especial. Saí daqui um menino e volto com 27 anos, com uma bagagem, com experiência não só aqui no Brasil, rodado por outros clubes, também fora.

Guilherme em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Guilherme em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Você falou que o Roger foi o responsável pela presença no elenco profissional do Grêmio. Sua relação com ele é especial por isso?

Cara eu tenho um carinho muito grande pelo professor Roger, ele sabe disso, e ele também tem um carinho grande por mim. Não é à toa que ele me chama de filhão no dia a dia porque ele sabe que é verdadeiro esse carinho, não só por ele ter estendido a mão para mim e ter me subido ao profissional. Eu aprendi muita coisa com ele e isso me deixou pronto para seguir adiante assim que eu saí do Grêmio. E assim que meus agentes informaram aos clubes brasileiros que eu queria voltar aqui no Brasil, chegou muita coisa, inclusive aqui do nosso rival da cidade.

Tanto o Grêmio como o professor Roger sabem disso. E claro, a relação é como se fosse de pai e filho e quando souberam que eu queria voltar ao Brasil, ele entrou em contato e pesou muito e naquela oportunidade. Eu já tinha algumas ofertas até oficiais, algumas procuras de alguns clubes da Série A e acho que três ou quatro que estão brigando com a gente na Série B. Mas a partir da ligação do Roger tudo mudou e eu dei preferência ao Grêmio. Então é uma relação de pai e filho, claro que ali no dia a dia tem todo respeito, mas é um cara que sempre que teve em outros clubes tentou me levar, eu sempre parabenizei ele pelos trabalhos, quando ganhava um título eu mandava uma mensagem.

Roger Machado comandou Guilherme em 2016 — Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação

Roger Machado comandou Guilherme em 2016 — Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação

Pegando o gancho então do que você falou. O Inter então procurou agora? E você tinha propostas financeiramente melhores, mas por ser o Grêmio falou mais alto?

Não foi nem só o Inter, outros clubes da Série A também que nos procurararam e a faixa de ofertas se baseou muito na minha situação que eu tinha no Emirados Árabes. Deixei bem claro para os meu empresários que eu tenho dois filhos e já não era mais aquele menino que saiu do Brasil. Depois que eu saí as coisas aconteceram com muito trabalho e dedicação. A gente alcança um patamar que não dá para jogar fora só porque queria voltar ao Brasil. O Grêmio teve esse entendimento, a gente acabou se acertando e ficou muito bom para todos os lados. Estou muito feliz.

Como você avalia esse período no mundo árabe para tua carreira?

Acho que o mundo árabe foi uma escola muito importante. Não só como atleta, mas também como ser humano, como homem, como pai de família. Lá a gente aprende a valorizar as coisas que aqui no Brasil passa despercebido, principalmente o contexto familiar. Eu estava com a minha esposa e com os meus filhos, mas a falta da mãe perto, do pai, e a minha esposa dos pais dela, dos avós, toda família perto, sabe. A questão do árabe é muito difícil de lidar, os caras tem um orgulho assim fora da realidade, é complicadíssimo a vida lá. E o futebol acho que aprendi muito. Lá acabei jogando em outras posições que eu ainda não tinha jogado no Brasil, que é a posição de 10, de falso 9. Então isso me ajudou e essa bagagem serve para muita coisa. Chego aqui maduro para ajudar o Grêmio.

Você chega com experiência em Série B para ajudar o Grêmio. O que acha que pode ajudar o time, agregar até por já ter se destacado na competição?

Eu joguei pelo Coritiba em 2018 só a metade da Série B. Em 2019 no Sport tive um ano, vamos dizer mágico, toda vez que eu falo desse ano eu me alegro, porque foi espetacular, onde depois o Grêmio veio a me negociar com o mundo árabe. Então eu acho que eu tenho muito a agregar nesse campeonato, que é muito difícil, disputadíssimo. Estou trabalhando muito pra eu ser no mínimo o Guilherme de 2019. E ajudar também com a experiência que eu tive no mundo árabe para colocar o Grêmio na devido lugar, que é a Série A.

Você já atuou com alguns jogadores do elenco. Mas como tem sido a adaptação ao time no retorno?

Confesso que estou surpreso comigo mesmo. Na minha época que está hoje mudou uns 90%. Ainda tem o Geromel, Kannemann, Edilson e eu acho que é isso. Às vezes eu me sinto velho, só com 27 anos, mas tem sido muito legal. É questão de tempo jogando, conhecendo jogadores novos, características novas, a velocidade do jogo aqui do Brasil é muito rápida. Estou indo para meu terceiro jogo ainda, mas eu tenho visto uma evolução já no dia a dia e logo vai sair o primeiro gol. Eu tenho certeza que depois do primeiro vai sair outros vários, é o que espero que aconteça.

O Ferreira vai teve uma lesão agora. Você vai ser titular agora. Como é a disputa pela posição pelos lados do campo?

A gente se conhece desde 2014. Quando cheguei ele estava no sub-17 e a gente sempre teve uma relação muito boa desde aquela época. A gente morava no alojamento juntos, então já tinha uma relação muito boa. Agora no profissional tem sido muito legal, é um menino que evoluiu muito como jogador. Ano passado, mesmo com a queda, se destacou. Então é disputa saudável e boa. Como eu falo no vestiário: é Grêmio, então vai ter no mínimo de dois a três jogadores muito bons pra posição e eu acho que só o Grêmio que tem a ganhar com isso. Se for usado na esquerda, que é a minha posição, mas vou jogar também por dentro, pela direita. Me preparo para ser a melhor versão do Guilherme, seja qual posição for.

Você veio de um período sem jogar por conta da janela de transferências. Já está pronto para jogar os 90 minutos?

Eu treinei minhas férias inteira. Fizemos um trabalho com o professor Reverson, que é o nosso preparador físico, e um amigo meu personal, o Eduardo, que é um cara que montou meus treinos lá em Campinas. Então foi um treino montado pela fisiologia e a preparação física do Grêmio pra fazer lá em Campinas, que é onde eu moro. Acredito que estou preparado, sim, pra jogar 90 minutos.

Guilherme em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Guilherme em treino do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

A gente vê no dia a dia você batendo faltas e pênaltis. Tem o Diego Souza no elenco, mas é algo que você gosta?

A finalização é um dos pontos mais fortes que tenho. Sou um cara que finalizo bem, me aprimorei durante esse período de carreira. E eu peguei gosto do pênalti lá em 2018, ainda na Chape. Surgiu um pênalti lá pra eu bater e acabei convertendo. Desde então nunca mais parei de treinar. Se não me engano, acho que bati 10 ou 11 pênaltis na carreira, e eu perdi só um. Não são vários pênaltis, mas o aproveitamento é bem bom. Claro que a gente tem o Diego (Souza), mas eu vou continuar treinando, um dia pode surgir uma oportunidade. Tem coisa que não precisa ser falada, quem já me conhece sabe que onde eu fui depois, eu era o batedor. E as faltas também eu batia muito no Sport, então o cara pega gosto. Estou sempre treinando, caso tenha oportunidade no jogo eu quero estar pronto.

Como o grupo tem encarado o momento atual da Série B?

Cobrança interna é bem grande, a gente sabe da camisa que vestimos. Eu acompanhei o primeiro turno, não consegui assistir todos os jogos por conta do fuso, mas a evolução é nítida. Porém, tem esse detalhe que as vitórias fora tem que acontecer mais. Precisamos vencer fora. Em casa é uma equipe consolidada com a presença do torcedor que é o 12º jogador. Dentro da Arena a gente é muito forte, mas é necessário buscar algo mais, que é o título. Claro que o objetivo maior é o acesso, mas um acesso com título é muito melhor. Acho que estamos buscando essa evolução no dia a dia.



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