Daniel Marenco / Agencia RBS

Mais de uma década depois, o meia Souza deu a sua versão sobre a perda do título brasileiro de 2008 pelo Grêmio. Após estar 11 pontos à frente do São Paulo na abertura do returno, o Tricolor gaúcho acabou perdendo a liderança e viu o clube do Morumbi ficar com a taça de campeão. Na opinião do jogador, o técnico Celso Roth foi um dos culpados.

— O Celso é um cara muito teimoso. No segundo semestre daquele ano, todas as equipes que estavam atrás da gente deram folga aos atletas. E alguns jogadores foram falar com o Celso que estavam cansados, para dar um descanso. No outro dia, teve um (treino) físico tremendo. Então, a equipe fazia um primeiro tempo primoroso e, no segundo tempo, caía de produção. Ele pensou que a gente queria se intrometer no trabalho dele. Então, eu coloco o peso de não ter chegado (ao título) na teimosia do Celso e muito treinamento quando era hora de dar descanso aos jogadores — disse ele, em entrevista ao programa Bola nas Costas, da Rádio Atlântida.

Souza vestiu a camisa gremista por três temporadas, entre 2008 e 2010. E, segundo ele, viveu seu melhor momento em Porto Alegre.

— Eu perdi só um jogo pelo Grêmio no Olímpico, que foi contra o Goiás. Fiquei três anos no Grêmio e perdi só um jogo em casa — contou ele — Claro que fiquei marcado no São Paulo. Você fica marcado pelos títulos. Mas se me perguntarem, individualmente, qual foi o meu melhor ano da carreira, digo que foi 2009, no Grêmio. Fiz quase 30 gols, sem bater pênalti. Não quero dizer que eu era o Pelé ou Zidane da época, mas se tivesse alguns jogadores que ajudassem mais, a gente tinha ganhado, porque a confiança é absurda — sentenciou.

Neste ano referido por Souza, o Grêmio chegou à semifinal da Libertadores, mas acabou eliminado pelo Cruzeiro. Sobre este confronto, o experiente atleta relatou uma história de bastidores vivida no jogo de ida, no Mineirão.

— O Maxi (López) chamou um jogador de macaco e teve outra confusão interna da gente. Um jogador que não jogou, e ficou chateado, falou umas besteiras dentro do ônibus e o Paulo (Autuori) ouviu. Era um ano em que eu tinha uma confiança tremenda que nós íamos ganhar aquele negócio. O time era muito bom, mas a gente errou muito gol naquele jogo. Eu queria matar — comentou.

Aos 41 anos, Souza ainda está em ativa e atualmente joga pelo Murici, de Alagoas. Embora admita que continuará atuando no futebol depois que se aposentar, ele não sabe se apostará na carreira de treinador ou dirigente.

— Não tem como eu tentar fugir do futebol, onde vivi minha vida toda e ainda continuo vivendo. Mas, primeiro, tem que mudar essa politicagem no futebol. Parece que os dirigentes têm medo que ex-atletas tomem, de alguma forma, as posições que eles têm. É difícil entrar nesse meio ainda — concluiu.



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