Jefferson Botega / Agencia RBS

A pressão sobre Paulo Victor, a desconfiança a respeito de Julio César e o cartaz dos jovens goleiros do Grêmio podem fazer de 2020 um ano de renovação na meta tricolor. 

As possibilidades são variadas: manter os mais experientes, dar chances aos garotos ou até mesmo buscar alguém fora do clube. Porém, para ex-goleiros gremistas, a melhor alternativa é apostar no que se tem em casa. 

— O Paulo Victor está em um momento inseguro, está pensando demais. Se tem um menino e acham que ele está com capacidade para jogar, coloca. Eu tive oportunidade com 19 anos no Grêmio ao lado de dois goleiros experientes como Ademir Maria e Eduardo Heuser. O Renato tem de pensar: preservo ou não? Se ele está inseguro em colocar o Phelipe, acha que pode queimar o menino, segura. Só quem vive o dia a dia sabe. Mas que ele vem de atuações inseguras, ele vem — afirmou Danrlei em entrevista à Rádio Gaúcha em outubro.

Hoje deputado federal, Danrlei surgiu jovem no clube. Tinha os mesmos 20 anos de Phelipe Megiolaro e Brenno. Ele foi alçado à titularidade devido à lesão de Emerson, que era o dono da posição e também guri, com 22 anos. Aliás, ele reivindica o posto de primeiro goleiro formado na base do clube a ter sequência como titular nas últimas décadas.

— Naquela época, o goleiro da base não ficava no clube. Fui o primeiro que entrou e virou titular em muitos anos. Comecei com 20 anos, o Danrlei também. Acho que a idade não influencia em nada. Ficar esperando é perda de tempo — avalia Emerson, que hoje trabalha como comentarista da Rádio Transamérica na Bahia.

Para corroborar essa ideia, Murilo segue a mesma linha de raciocínio: se tem qualidade, precisa jogar. Reserva do time nos anos 1990, foi outro que surgiu com 20 anos e se firmou como alternativa a Danrlei. Ele recorda que, tanto Brenno quanto Megiolaro, já deram mostras de serem bons goleiros.

— Treinar no profissional já é difícil. São poucos goleiros que sobem. Se eles estão lá, é porque têm qualidade. O Brenno jogou até Gre-Nal e foi bem. O Phelipe, para ter sido chamado para a Seleção, é porque veem alguma coisa diferente nele. Vão dizer que não têm experiência, mas eles só vão adquirir se jogarem — reforça Murilo.

Os dois subiram aos profissionais nesta temporada e já receberam ao menos uma chance. Brenno disputou duas partidas ainda pelo Campeonato Gaúcho. Na estreia, foi bem em um Gre-Nal de reservas, vencido pelo Grêmio por 1 a 0, ainda pela fase de grupos do Estadual. 

Depois, jogou também contra o Pelotas, em um 2 a 0 para o Tricolor na Boca do Lobo. Já Megiolaro foi ter a primeira oportunidade na 27ª rodada do Brasileirão, na derrota por 2 a 1 para o Fortaleza, no Castelão.

Ambos atuaram também pela equipe sub-23 do Grêmio neste ano e alternaram a titularidade. Basicamente, quando um integrava o grupo principal, o outro era o goleiro do time de transição. Entre Brasileirão de Aspirantes e Copa Federação Gaúcha de Futebol, Megiolaro disputou 10 jogos e Brenno, nove. Os dois sofreram sete gols.

Os antigos donos da meta gremista entendem que, mais do que os números, é preciso testá-los junto ao time titular. Para dar sequência aos meninos, nada melhor do que o Gauchão.

— É um campeonato mais tranquilo, com uma dificuldade menor. É precisar dar oportunidades e ter a ideia se servem ou não. Mas a idade não pode ser desculpa — salienta Emerson.

Outro temor é de que ocorra com eles o que já houve em outros tempos. Sem chances, alguns goleiros deixaram o Grêmio sem terem sido aproveitados e acabaram ídolos em outros clubes. Casos de Fernando Prass e Cássio, ambos formados na base tricolor.

— Até mesmo por isso, acho que é a hora dos meninos. Até porque, se não colocarem, eles podem sair e ter sucesso com outras camisas — alerta Murilo.

Recuperação é difícil, mas possível

Tanto torcedores quanto os ex-goleiros do Grêmio entendem que os garotos merecem chances, principalmente, porque os mais experiências não deram o resultado esperado. Como bem lembra Murilo: “o ruim para uns, pode ser bom para outros”. Ele diz que só há duas possibilidades de um goleiro reserva jogar, e nenhum delas é boa para o titular:

— Ou é por lesão ou porque está mal. Se o titular está bem, ninguém pede o outro.

Mas, afinal, é possível um goleiro se recuperar mesmo com a pressão vinda das arquibancadas e reproduzida pela imprensa? A resposta, segundo quem já vivenciou essa situação, é sim. A tarefa, no entanto, não é fácil.

— Não vivi isso no Grêmio, mas no Bahia, sim. Durante meus seis anos no clube, tive três que foram maravilhosos, fui até Bola de Prata em 2001. Já tinha feito muita coisa pelo clube. Então, quando entrei numa fase ruim, tinha crédito. Acho que falta isso aos goleiros do Grêmio — pondera Emerson, que complementa:

— É impossível manter um nível de atuação muito bom o tempo todo. Erros vão acontecer e dá para se recuperar. O que não pode é ser uma sequência. Um erro acontece, mas não dá para vacilar em vários jogos seguidos, porque as críticas ficam direcionadas.

Murilo, no entanto, diz que a situação ficou mais complicada em tempos de internet:

— Graças a Deus eu não jogo nessa época de redes sociais. É muita piadinha, o troço se espalha. A pressão existe sempre. É difícil, mas é preciso manter a calma e buscar apoio no grupo para dar a volta por cima.

A possibilidade de contratação tem de ser bem pensada. Os goleiros que passaram pelo clube alertam: se é para gastar dinheiro e trazer alguém, tem de ser uma unanimidade. 

— Se for para contratar, não pode ser para formar grupo. Se for o caso de investir, tem de contratar o grande goleiro — diz Murilo.

Para Emerson, dois nomes que já foram especulados para o Grêmio seriam bons reforços: Gatito Fernández, do Botafogo, e Douglas Friedrich, do Bahia.

— Esses dois nomes gosto muito. O Douglas tem feito um ano muito bom mesmo. É um dos pilares da boa campanha do Bahia. Mas ele faz 31 anos em dezembro, não sei se é o perfil que o clube está buscando. O Gatito é um grande goleiro, serviria para a maioria dos clubes no país — avalia.

Números dos goleiros do Grêmio em 2019 (pelos profissionais)

Paulo Victor

  • 52 jogos
  • 4.710 minutos em campo
  • 34 gols sofridos

* Contrato vai até dezembro de 2022

Julio César

  • 13 jogos
  • 1.170 minutos em campo
  • 13 gols sofridos

 * Contrato vai até dezembro de 2020 

Brenno

  • 2 jogos
  • 180 minutos em campo
  • Nenhum gol sofrido

* Contrato vai até dezembro de 2021

Phelipe Megiolaro

  • 1 jogo
  • 90 minutos em campo
  • 2 gols sofridos

* Contrato vai até dezembro de 2022



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