O principal desafio do novo técnico do Grêmio é impossível de passar despercebido: evitar o terceiro rebaixamento à Série B na história do clube. Mas as missões do substituto de Luiz Felipe Scolari vão além, como dar identidade ao time, definir um esquema de jogo confiável e melhorar os números (e pontos) no Brasileirão.

O cenário ampliado da crise teve novo capítulo na madrugada de segunda-feira, quando o clube anunciou a saída de Felipão. O técnico, inclusive, foi pego de surpresa e já voltou para Porto Alegre junto de sua comissão técnica.

Só que a vida segue, principalmente a do Grêmio. Na quarta-feira, o time entra novamente em campo para enfrentar o Fortaleza a partir das 20h30, na Arena Castelão, pela 26ª rodada.

Até o momento, o auxiliar permanente Thiago Gomes, que estava em Porto Alegre, assume interinamente. Inclusive, os jogadores manifestaram à direção o desejo de uma sequência do profissional no comando do cargo. A chanca é real.

Evitar o rebaixamento

A primeira missão do novo técnico já foi mais simples. O Grêmio teve cinco chances, quatro delas consecutivas, de sair da zona do rebaixamento. Contra o Santos, bastava uma vitória simples para pular fora do perigo, ainda que momentaneamente. Mas veio uma derrota nos acréscimos.

O Grêmio voltou para a penúltima colocação com 23 pontos, a cinco de distância do próprio Peixe, primeira fora do Z-4. A probabilidade de queda extrapolou os 60%.

Além disso, o Tricolor só não esteve entre os quatro últimos na primeira rodada. É o maior tempo na zona do rebaixamento do Brasileirão durante os mais de 100 anos de história.

Time sem identidade

Quando Renato Portaluppi assumiu o Grêmio em 2016, herdou o time com uma identidade a ser lapidada. Mas já havia uma equipe que gostava de propor o jogo mantendo a posse de bola. O ídolo tricolor deu ares de verticalidade, aumentou o repertório e conquistou títulos.

O sucesso recente, porém, cobrou o preço pelas vendas dos principais nomes e consequentes reformulações no elenco. Em abril, Renato encerrou o ciclo e deu lugar a Tiago Nunes, que pregou o discurso de manutenção do trabalho, com mudanças pontuais. Não deu certo.

A chegada de Felipão propôs um choque no vestiário. Mas também uma mudança brusca no estilo de jogo. A ideia era de uma equipe com maior disputa física no meio e reativa, fechada na defesa e em busca da velocidade nos contra-ataques. Também não deu certo.

Um dos líderes do grupo, Rafinha tem atuado improvisado na lateral esquerda — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Um dos líderes do grupo, Rafinha tem atuado improvisado na lateral esquerda — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

E agora, que identidade terá o Grêmio no restante do Brasileirão? A maioria do elenco se manifesta a favor de um futebol propositivo. Tudo dependerá do perfil contratado.

Os 15 jogos restantes

Seja quem comandar o time até o fim do Campeonato Brasileiro, o caminho da salvação ou calvário já está definido: 15 jogos em cerca de dois meses – a depender de datas estipuladas pela CBF. Portanto, há 45 pontos a disputar nas rodadas restantes. Ou seja, o Grêmio pode chegar no máximo a 68.

Projetando o “número mágico” de 45 pontos para se salvar, o Grêmio precisaria repetir o que somou até hoje: 23 pontos. Num exemplo hipotético, teria que vencer sete jogos e empatar outros dois. Seja como for, não pode mais adiar as vitórias.

As últimas 15 rodadas do Grêmio

  • 26ª rodada: Fortaleza x Grêmio
  • 27ª rodada: Grêmio x Juventude
  • 28ª rodada: Atlético-GO x Grêmio
  • 29ª rodada: Grêmio x Palmeiras
  • 19ª rodada: Atlético-MG x Grêmio
  • 30ª rodada: Inter x Grêmio
  • 31ª rodada: Grêmio x Fluminense
  • 32ª rodada: América-MG x Grêmio
  • 33ª rodada: Grêmio x Bragantino
  • 34ª rodada: Chapecoense x Grêmio
  • 35ª rodada: Grêmio x São Paulo
  • 36ª rodada: Bahia x Grêmio
  • 37ª rodada: Corinthians x Grêmio
  • 38ª rodada: Grêmio x Atlético-MG
  • *2ª rodada: Grêmio x Flamengo (sem data marcada)


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