MARLON COSTA / FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Se o plano de Renato Portaluppi ao escalar a maior parte dos titulares diante do Sport era recuperar a confiança do Grêmio com vitória após a eliminação na Libertadores, o objetivo não foi alcançado no sábado na Ilha do Retiro. Em noite de atuação fraca, o Tricolor apenas empatou com um rival que iniciou a 26ª rodada do Brasileirão três pontos acima da zona de rebaixamento e manteve as dúvidas sobre o time às vésperas do confronto de semifinal da Copa do Brasil contra o São Paulo.

Na Ilha do Retiro, o Grêmio se mostrou pouco criativo para superar o sistema defensivo armado por Jair Ventura. Além disso, a equipe voltou a ter problemas quando o adversário contra-atacou. De saldo positivo ficou o fato de o time não ter se entregado no segundo tempo e conseguido buscar o empate de 1 a 1 quando jogava com um homem a menos pela expulsão de Kannemann.

— Sabíamos que seria difícil. Vínhamos de uma eliminação, cansados e o adversário buscando o resultado para melhorar na tabela. Perdemos o Kannemann no segundo tempo, mas o mais importante foi que a equipe seguiu brigando. O grupo está de parabéns pelo que realizou — declarou Renato.

— Conseguimos ter um bom poder de reação e empatar. Agora vamos com a cabeça totalmente diferente contra o São Paulo em busca desta final — afirmou Pepê, que, de pênalti, marcou o gol gremista.

Como um todo, o Grêmio ficou devendo na Ilha do Retiro, mas uma atuação individual preocupou ainda mais. Kannemann, que havia ficado no banco contra o Santos, voltou ao time carregando a faixa de capitão no braço, mas com um desempenho ruim. Envolvido no lance do gol do Sport, ele foi expulso pelo segundo cartão amarelo após fazer uma falta dura em Marcão no começo da etapa final.

Ao comentar a atuação do argentino, Renato não confirmou sua escalação para enfrentar o São Paulo. Titular contra o Santos, David Braz ficou fora do banco em Recife por ter sentido um desconforto muscular.

— Eu fico sentido que as pessoas de fora do clube acham que sabem mais do que quem convive dentro do clube. Se o treinador não põe A, B ou C para jogar é porque sabe o que está fazendo. Eu não vou falar por que o Kannemann saiu no primeiro tempo contra o Santos, por que não jogou na Vila. Eu não vou expor meus jogadores e falar por que não jogam. O Kannemann é querido por todo mundo, um dos meus líderes, uma pessoa que eu admiro bastante. Se não é o mais, é um dos três que mais brinco no dia a dia. Temos uma amizade. Se ele saiu no intervalo de um jogo e não entrou no outro, tenho meus motivos e isso conversamos internamente — disse.

Sobre a semifinal da Copa do Brasil, Renato afirmou que o Grêmio chega em igualdade de condições com o São Paulo. O técnico gremista garantiu que seus comandados estarão bem animicamente para a próxima quarta-feira.

— Todos estão tristes pela eliminação, mas eu sei como trabalhar bem a cabeça dos jogadores. Eles são inteligentes, jogam em um grande clube e sabem que todos são cobrados — declarou Renato, que elogiou o trabalho de Fernando Diniz no São Paulo.

— Sempre me dei bem com o Diniz. Foi mais um dos treinadores cobrados e fico feliz que está tendo o trabalho reconhecido. Fico feliz e orgulhoso de enfrentar um grande amigo, como estou com o Grêmio de chegar. Os dois clubes chegaram e tem condições de ir para a final. Penso que é um clássico do futebol brasileiro e é 50% de chances para cara lado. Vão ser dois grandes jogos, onde qualquer um pode passar — reafirmou.

No mesmo tom, o vice de futebol Paulo Luz reforçou a confiança em uma recuperação do Grêmio para a Copa do Brasil. O dirigente ainda disse que o clube não desistiu da briga pelo título do Campeonato Brasileiro.

— O Brasileirão está em aberto. É um campeonato muito difícil de se ganhar, mas que está aberto e o Grêmio segue na disputa. Temos convicção no trabalho que estamos fazendo. Iremos para um grande confronto com uma equipe que é líder do Brasileirão. Iremos com muita humildade e respeito.



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