O domingo deixou claro. A dupla Gre-Nal convenceu as autoridades com seus protocolos montados e evitou um passo atrás no trabalho diário. Embora o decreto estadual tenha aumentado a restrição sobre Porto Alegre, a prefeitura da capital gaúcha garantiu a manutenção dos treinamentos nos moldes das últimas semanas por conta do aparato dos clubes.

No último domingo, o prefeito Nelson Marchezan fez um pronunciamento nas redes sociais e manteve a liberação das atividades profissionais. Elogiou a segurança dada aos atletas — chegou a citar ser mais seguro ir aos centros de treinamentos do que exercer a atividade de prefeito —, e cogitou até flexibilizar mais os trabalhos, embora isso fique em segundo plano no momento.

— A nossa tendência era flexibilizar. Continuamos avaliando. Porque com todos os cuidados e estruturas nesse locais parece que é bem viável. Treino com bola já é permitido, o que não é autorizado é a disputa de bola. Não é o momento hoje (domingo) nem nos próximos dias. O sinal para a sociedade é de diminuição das circulações — disse em transmissão ao vivo.

Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, com Romildo Bolzan e Marcelo Medeiros (C) — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, com Romildo Bolzan e Marcelo Medeiros (C) — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ao explicar as novas restrições, o prefeito de Porto Alegre citou que a projeção, sem agir, seria de ocupar 400 leitos de UTI no dia 20 de julho. Tornando a situação do sistema de saúde insuportável. Um dia depois da data trabalhada como previsão para o retorno do Gauchão.

Apesar de pregar respeito as decisões das autoridades governamentais, o vice de futebol do Grêmio Paulo Luz defende que o futebol possa ser uma exceção — inclusive utilizados como bandeiras pelos governos para conscientizar a população. A justificativa está no alto nível de segurança sanitária que abrange os clubes.

“Tenho um sentimento que o futebol tem que ser tratado como excepcionalidade, as bolhas de absoluta segurança sanitária. A pandemia vai perdurar até termos vacina. Não podemos paralisar, não só o futebol como as demais áreas. Teremos que conviver com isso” (Paulo Luz, vice de futebol do Grêmio)

— Mas não adianta querer que o governo faça sua parte se o indivíduo não quiser se preservar. Quando as pessoas lotam parques, é porque não há conscientização. Grêmio, Inter e outros clubes, poderia em uma campanha institucional de educação, mostrar a importância de cuidar da vida — finalizou Luz.

Vices de futebol, Paulo Luz (E) e Alessandro Barcellos (D), falam em ajudar autoridades — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Vices de futebol, Paulo Luz (E) e Alessandro Barcellos (D), falam em ajudar autoridades — Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

O secretário do Esporte e Lazer do RS, Francisco Vargas, visitou os CTS de Grêmio e de Inter na última semana. Para ambos casos, elogiou as práticas implementadas e do protocolo adotado. Em entrevista ao GloboEsporte.com, salientou a importância de “não brincar com vidas humanas”.

Além do encontro com o secretário, houve também reunião dos presidentes de Grêmio e Inter com Marchezan. Trabalho político para construir mais um passo no avanço dos treinos. A medida pode ser atrasada neste momento pelas restrições a Porto Alegre, mas está em pauta.

“É uma decisão das autoridades, mas o Inter demonstra estar preparado e pronto para ajudar e enfrentar a travessia da pandemia” (Alessandro Barcellos, vice de futebol do Inter)

— Recebemos o secretário e tenho certeza que saiu satisfeito com o que viu. Quem sabe dar um passo a mais nos próximos dias, dentro dos protocolos, na liberação, quem sabe, de coletivos. Ainda não trabalhamos e, posteriormente, com o protocolo aprovado, voltar com os jogos do Gauchão — afirmou Barcellos na última quinta.

Tanto Grêmio quanto Inter paralisaram suas atividades no dia 17 de março. Depois de um período de férias, retornaram no dia 5 de maio aos treinos. Desde lá seguem trabalhando sob os protocolos de segurança sanitária. Apenas treinamentos físicos e sem contato são realizados. Treinos coletivos ainda não estão autorizados.

Sem competição até agora

Apesar dos movimentos da dupla Gre-Nal para manterem ou avançarem nos treinamentos, não há competição com data agendada para disputa.

Na última sexta-feira, a Federação Gaúcha de Futebol entregou um protocolo ao Governo do RS. O Comitê de Crise Estadual no combate ao Covid-19 analisa o documento entregue. Um pronunciamento do governador deve ocorrer ainda essa semana.

O Campeonato Gaúcho está suspenso desde o dia 16 de março por conta da pandemia de Covid-19 no RS. Há três rodadas a serem disputadas da fase classificatória e jogos de semifinal e final do segundo turno. Se o Caxias, campeão do primeiro turno, não vencer esta fase, há ainda a decisão da competição.



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